segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Enquanto isso, na Sala da Justiça...


Hoje eu não vou escrever um post decente. Mas vou colocar alguns pingos nos is. Como os meus leitores fieis já estão acostumados, eu sou um cara que sumo e, de vez em quando, desapareço. Prefiro não escrever nada ao invés de encher lingüiça. Eu não sou blogueiro, eu sou um cara que tenho um blog, o que é muito diferente.

Como eu acho que é diferente o meu leitor, que não é um cara que lê um blog, e sim um cara que lê o Viciado Carioca. Quem vem aqui, não espera um “post”, espera um texto legal.

Mas o que está acontecendo? Bem, estamos firmes e fortes na venda dos DVDs do filme “Fazendo as Regras”. Apesar do esquema “veja antes e pague depois” esteja, na maioria das vezes trazendo resultados – tirando meia dúzia de muquiranas, o resto tem comprando o filme por 15 reais e visto o filme e retornado para depositar mais 25 trazendo o preço médio do filme para 35 reais – Eu e a Presto já estamos pensando numa venda mais direta para o natal e discutindo o roteiro de um possível, quem sabe, se Deus quiser, segundo filme.

Quanto isso não acontece, outras coisas estão rolando. Eu republiquei no meu amigo e parceiro de blog: Chamberlaws, o conto “O Talismã”. Esse conto foi publicado originalmente em 20/10/2006 no meu antigo Blog e eu tenho um carinho especial por esse texto. Não sei explicar isso para qualquer um, mas quem escreve vai entender muito bem o que vou falar. Esse é mais um daqueles textos que a gente escreve esperando chegar em um lugar e o texto te leva para outro totalmente diferente. É a magia navegante das teclas que só quem é escritor pode entender.

Além disso, eu publiquei um texto puta legal no Treta. Para quem não conhece, o Treta é uma porra de um blog maneiro que entre uma auto-promovida e outra o cara mete umas piadas no meio. Esse texto era um daqueles que eu queria transformar em filme, mas não rolou por falta de verba. (Fica ai o pedido para os leitores-diretores e o puxão de orelha para os leitores que podem virar patrocinadores).

E, ainda tem mais. Devo publicar nessa semana, e se a cachaça não deixar, na outra, mais um capítulo de VIC – Ano I. Esse capítulo fecha o primeiro arco de histórias, mas a saga continua por 2008. Para quem não entendeu o objetivo desse projeto, eu explico: Esse é um livro que pretendo escrever na internet e ele resume os fatos mais importantes que me levaram ao mundo das drogas e que, de um modo ou de outro, moldaram o meu caráter. Não deixem de ler porque é o meu projeto pessoal e considero-o uma das coisas mais importantes e bonitas que já fiz para mim mesmo. E é tão legal se dar um presente de vez em quando....

É isso ai macacada. Um agradecimento especial para a galera que tem pago trinta pratas pelo DVD e elogiando a produção. Um puxão de orelha nos muquiranas e espero que vocês sejam os grandes produtores do segundo filme. Uma coisa eu garanto, o pessoal que tem apoiado esse primeiro, vai ter um “chamego” especial no segundo filme. E para todos, aquele abraço por todo apoio, carinho, elogios e tudo mais que me deram esse ano. E que venha 2008.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Henry Chinaski

Não se esqueçam que o DVD do filme "Fazendo as Regras" já está a venda. Não deixe para amanhã para dar aquele força para o seu Viciado predileto! Abraços!


- Sabe, Vic, agora eu tenho um novo sistema. – Eu escutava João Mariano metralhando as baboseiras dele enquanto no carro tocava Yardbirds. As pessoas deviam ser proibidas de falar quando rola um rock and roll do bom. Principalmente um clássico. Mas o mundo não é perfeito. Está cheio de miséria, corrupção e gente que não sabe apreciar uma boa música.

- Um novo sistema, é? – Estávamos indo para o tal Bukowski. Antigamente esse lugar era um bar mais ou menos sujo que você podia encontrar poetas depressivos, artistas decadentes e mulheres pistoleiras. Parece que agora está tentando virar um lugar “in”. Para mim parece a Casa da Matriz através do espelho. É igual, só que tudo do lado errado. A escada é do lado errado, a pista de dança é do outro lado. E eu, muito em breve também estaria do lado errado. O lado de dentro.

- Pois é. Desde que eu virei um “trade” eu comecei a ver o mundo de uma forma diferente. – João Mariano é mais um dos milhares de brasileiros que começou a aplicar na bolsa. A nova meca da juventude. Todos atrás do Eldorado. Do dinheiro fácil. Aparentemente ele fez um belo dinheiro no mercado de opções no dia que a Petrobrás declarou que o Oriente Médio fica em Santos. Um lance de sorte que rendeu aos seus bolsos um pouco mais de R$30.000,00 e para o seu ego uma elevação equivalente há uns 30 andares.

- E qual é a sua tática? Trocar papéis da Petrobras por sexo? Dividendos por boquete? – Ah, esses garotos e seus brinquedos. Toda hora uma nova empolgação. É a nova banda, é o novo carro, é o novo mercado de ações. Tudo bem, eu só quero me divertir e esquecer que essa noite tem um lugar meia-boca para ir.

- Cara, a vida é como o mercado de ações. Você tem que aproveitar as chances que ela te dá para realizar o seu lucro na hora certa. É como as mulheres.

- Puta que pariu. Agora você virou a mistura de Mestre Yoda com Miriam Leitão.

- Pode ser, Vic. O lance é que está dando certo.

- Estão me diga logo esse seu novo sistema para pegar mulher pra caralho na noite.

- O lance é o seguinte. O que os investidores fazem no mercado de ações?

- Tocam punheta enquanto ficam gritando como loucos cheios de papel na mão?

- Compram na baixa e vendem na alta. É o que eu faço na “night”.

- Hum?

- É. Assim, você sabe aquela teoria de quando você está sozinho nenhuma mulher te dá mole?

- Claro. É a teoria clássica do homem solteiro número 27.

- Então. O que eu faço é pegar uma mulher logo no começo da noite. Uma bem baranga de preferência. E fico desfilando com ela pela festa. Daí uma outra mulher mais ou menos me dá mole, eu aproveito a oportunidade e chego nessa mulher e dispenso a baranga e fico nessa até conseguir uma mulher gata. Igual ao mercado. Compro na baixa, vendo na alta e realizo o lucro.

- Calma ai. Para o carro.

- O que foi Vic.

- Para o carro que eu vou descer.

- Que descer, Vic.

- Essa é uma das coisas mais idiotas que eu já ouvi em toda a minha vida.

- Estou te falando. Dá certo.

- Foda-se, JM. Eu não vou ficar andando com você por uma festa enquanto você caça todas as baranguetes do mundo achando que está brincando de mercado de ações. Eu tenho uma porra de uma reputação para preservar. Não é uma das melhores, mas é minha.

- Foda-se você e sua reputação. Se quiser você fica afastado de mim, mas quando você ver o meu sistema em ação vai querer repetir e eu vou te cobrar uma cerveja quando isso acontecer.

- E eu vou te cobrar um whisk quando a noite terminar e você estiver abraçado com a maior mocréia da cidade.

- Fechado.

Chegamos ao tal Bukowski. O bom e velho safado deve puxar o pé dos donos daquela bagaça toda santa noite. Conseguiram o impossível. Sujaram o nome de um cara que viveu na vadiagem fazendo um lugar limpinho com o seu nome. Espero que nunca façam o mesmo comigo. As vezes, quando eu estou sem idéias, eu invoco o velho para tomar uns vinhos comigo. Ele me dá alguns conselhos e eu pago o vinho, é claro. Eu podia sentir o velho andando do meu lado e susurrando no meu ouvido com aquele bafo de onça:

- Puxar o pé, eu vou puxar os bagos desses filhos da puta. Um lugar de bichas, Vic. Como fizeram isso comigo? Me transformaram em um lugar de bichas!

- Eu seu, Henry. Eu estou vendo.

- E o que você veio fazer em um lugar de bichas escrotas como essas, Vic? Esses caras usam camisas com dizeres e abrem as bochechas da bunda enquanto escutam música de computador.

- Estamos aqui para fazer o que sabemos fazer de melhor, velho. Vamos ficar bêbados.

- Eu não vou beber em um lugar de afrescalhados. Prefiro ter o saco arrancado a dentadas por uma puta velha. – E caiu fora me deixando na cova dos leões.

Eu e Mariano fomos até o bar. Ele pediu algum drink de vodka e eu preferi cair na cerveja para forrar o estômago como o velho Chinaski faria.

- Sua última chance. Vai querer atacar comigo? – Perguntou o JM. Eu dei de ombros e respondi.

- Eu sempre fui conservador. Vou manter as minhas economias na renda fixa. – Ele imbecilmente deu um “tiro” com os seus dedos querendo dizer “muito esperto” e partiu para o segundo andar da casa. Eu fiquei tomando a minha cerveja próximo a pista de dança. De certa forma, eu fazia uma pressão psicológica em mim mesmo para não sair sozinho naquela noite. Ainda estou saindo com a Marta e a cada dia ela tenta transformar o que temos em um relacionamento fixo. Por outro lado, como eu só estou saindo com ela o meu pequeno “evil vic” chega toda noite para mim e pede para que eu não durma sozinho. Mas sabe, essas boites não são meu tipo de lugar.

Virei a cerveja, pedi outra e fui fazer um reconhecimento do lugar. Como eu disse, parece a Casa da Matriz através do espelho. Sem personalidade. Fui até o segundo andar. O mais legal era a mesa de sinuca. Tinham uns caras jogando muito mal. Se tivesse rolando algum dinheiro até valeria a pena arriscar umas tacadas. Mas decidi sair logo dali. No canto da sala, JM estava participando de uma “oferta pública” de ações de segunda linha. Talvez de terceira. Nos outros quartos estavam recheados de uma turminha bem estranha. Na minha época de Casa da Matriz eu ia para boite e mandava uns tecos no banheiro enquanto a galera puxava um fumo na pista de dança. Esses malucos estavam fumando narguilé enquanto outros liam livros?!?!?! E tinha mais uma coisa para deixar o ambiente mais surreal. Parecia um conto meu, só quem sem as partes engraçadas. Vocês não vão acreditar, mas dentro desse quarto tinha um anão.

É. Um anão. Com toda a sua ausência de altura. Ele era negro e usava a camisa número nove da seleção. E, é claro, o pessoal chamava ele de Robinho.

Era essa era a hora exata de largar tudo, ligar para a Marta e voltar para a nossa vidinha de pseudo namoro com sexo animal. Quando você pensa que já viu de tudo, você se depara com um anão fumando narguilé. Maldita hora que eu fui parar de me drogar. Se eu tivesse drogado, poderia colocar a culpa na merda da parada. Não tinha jeito. Parti para o bar:

- Um Jack duplo, por favor.

Bukowski em algum lugar deveria estar rindo de mim. Ele tentou me avisar. Uma vez eu vi um filme de terror tailandês que tinha um traveco. Um traveco Tailandês. Nesse dia eu falei: pronto, já vi de tudo. Daí eu me deparo com um anão fumando narguilé.

Fui bebericando o meu Jack e a noite começou a melhorar. O estranho mundo de Jack Daniel’s. Uma mulher bem gata parou no bar e pediu uma cerveja. Parecia estar sozinha e dançava com o vento enquanto esperava a cerveja. Pegou a lata e deu uma olhada para mim e partiu. Talvez a sorte iria rir para mim. Dei um tempo e fui até a pista e a louca estava lá, dançando com mais duas amigas. Todas solteiras. Eu precisava cantar aquela mulher. Mas como eu disse, meu cérebro não funciona direito em boates.

Decidi procurar o JM. Poderíamos tentar um ataque em dupla ou ainda, eu poderia mandar ele sozinho chegar em uma amiga dela. Depois que ele tomasse um toco eu teria um argumento engraçado para chegar nela. Poderia mandar “sua amiga fez bem....” e começar contar as histórias engraçadas do meu amigo Trader.

Encontrei JM na parte de trás da casa aumentando o seu colesterol. Eu não queria incomodar os dois elefantinhos, mas eu precisava de um “side back”.

- Ei, JM.

- JM? – Ela perguntou para ele. Ele deu de ombros e falou:

- Meus amigos me chama assim porque eu pareço o Jim Morrison!

- Nossa, eu a-m-o o Jim Morrison! – Ela falou. Ele sorriu e veio até mim com sua cara de bolacha e seu cabelo mexicano e nada parecido com o Jim.

- O que você quer? – Ele me perguntou. Eu abri os braços e falei:

- Jim Morrison?

- Fala baixo. Eu disse a ela que meu nome era Rafael. Sabe como é. Se daqui há uns meses eu esbarrar com essa mulher, eu posso falar que o meu nome é João e ela me confundiu. Daí você vem com esse “JM” que não é nada parecido com Rafael e eu tive que me sair com essa.

- Cara, vou falar sério com você. Você é doente. Você precisa de tratamento psicológico profissional contínuo.

- Tá, cara. Mas o que você quer? – E ai o diabinho começou a funcionar.

- Cara, eu tenho que dar o braço a torcer. O seu sistema está funcionando. Umas garotas que estavam na fila lá fora com a gente, você percebeu?

- Não.

- Nem eu. Elas viram a gente juntos e tal. Agora eu estava no bar e comecei a falar com uma delas e ela mandou: é uma pena que seu amigo esteja acompanhado porque a minha amiga adorou ele.

- Sério?

- Cara, preste atenção. Um bom investidor sabe a hora de comprar e de vender. Acho que está na hora de você vender. O mercado está subindo. Feche os olhos. Você não está sentindo as ondas de Eliot? Vem uma série de Fibonacci e a gente não pode perder.

- Você entende as besteiras que você está falando?

- Claro que não. Só dispensa a baranga. – Ele foi em direção dela, mas ela chegou antes ao nosso encontro.

- Você não vai apresentar o seu amigo?

- Ah, sim. Esse é o Vic.

- Vic? Isso é nome ou apelido? – Ela me perguntou.

- Apelido. Meu nome na verdade é Chinaski. – JM olhou para mim e eu estiquei as sobrancelhas. Se ele que estava pegando não iria dizer o nome verdadeiro, porque eu iria me arriscar?

- O que?

- Chinaski. É meu sobrenome. É como me chamam.

- Isso é russo?

- É alemão. Meu avô era um poeta descendente de alemães. Uma longa história.

- Prazer Chinaski. Eu sou Fátima.

- Ok. Eu tenho que ir.

Fui até o bar e peguei outro JD. Eu iria precisar de JD para trabalhar o JM para chegar nas AG. (amigas da gostosa). Fui até a pista e elas estavam lá. Ninguém chegava em ninguém naquela porcaria. Aqueles caras só queriam fumar com o anão e ficar escutando Blur no último volume.

Voltei para o bar e fiquei esperando o JM. Nesse tempo, a mulher voltou e pediu mais uma cerveja. Eu dei uma bela olhada e era bem bonita. Uma beleza diferente. A cara parecia um pouco grande se você olhasse de primeira, mas reparando bem, era tudo bem encaixado. Um rosto bonito e um sorriso divertido. Ah, foda-se o JM eu iria trabalhar sozinho.

- Não dá para negar, é uma bela idéia.

- Oi?

- A idéia desses caras de colocar o nome de uma boate o de um poeta underground.

- Eu amo Bukowski.

- Devo confessar que eu também prefiro o autor do que o lugar.

- Que isso. Eu amo esse lugar também.

- EU na conhecia. Tô gostando.

- Cara, esse DJ de hoje nem é o meu predileto. Você tem que vê o da quinta.

- Ele toca o que?

- Só rock and roll do foda. Quando eu não estou muito cansada na quinta eu sempre tento cair para cá.

- Ah, sim. Você trabalha com o que?

- Trabalho no marketing da TIM. E você?

- Trabalho com comunicação interna.

- Comunicação também?

- É. Esses caras me pagam para eu conversar com as mulheres gatas da boite.

- Hahaha. E já conversou com quantas hoje?

- Só com uma. Só tem uma gata. Qual é o seu nome?

- Olha cara, eu realmente não estou a fim de....

- Calma... estamos só conversando.

- Laura. E o seu?

- Chinaski.

- hehehehe. Você é bem engraçado.

- Só estava te testando para vê se você já tinha lido Misto-Quente.

- Eu acho que é um dos melhores livros dele. Esse e Hollywood.

- Eu também adoro Hollywood. Vic.

- O que?

- Vic? O pessoal me chama de Vic.

- HÁ! Eu tinha entendido “dick”!

- Calma. Eu não sou tão direto. Nem tinha me apresentado, como iria apresentar o meu amiguinho antes de mim. – Nisso o JM chegou por trás do ombro dela.

- Tá certo, Vic. Eu tenho que voltar para a pista.

- A gente se esbarra.


JM olhou para mim e bateu nas minhas costas.

- Muito bem, Vic. Tô vendo que você quer ser um dos grandes investidores.

- Pois é. Era dela que eu estava falando. Parece que a amiga dela estava a fim de você.

- Que bom isso. Eu nunca operei com “Inside information”. Tô sentindo que hoje eu vou arrebentar.

- É isso aí, rapaz. Parte com tudo.

- Como assim, parte com tudo? Quem é a garota?

- É a amiga dela.

- E você não vai me apresentar?

- Ah cara, você já está bem velhinho para essas coisas. O mercado não está para cordeiros. Vai lá, procurar a mulher. Coloca um stop para caso as coisas não funcionem. Você sabe. O velho truque...

E partiu. JM não é um cara que desiste fácil. Se fosse assim, já teria desistido da nossa amizade. Eu sabia que ele iria atazanar a mulher por alguns minutos. Fiquei marcando o tempo e Laura saiu da pista com a outra amiga. Vieram até o bar e na minha direção:

- Você ainda está aí? – Ela me perguntou.

- Pois é....

- Você veio sozinho.

- Não. Com um amigo, mas ele foi dar idéia em alguém lá dentro.

- Ih, deve ser na Carla.

- Vamos ver.

Fomos juntos até a pista e estava os dois lá.

- É aquele.

- O Próprio. Ele tem chance?

- Não sei. A Carla não é de ficar com qualquer um. Ele trabalha com você?

- O JM? Ele é um vagabundo. Vive do dinheiro que os outros dão pra ele. Sabe como é. Ele compra uma porcaria barata aqui, vende mais caro ali. Essas coisas.

- Duvido então que a Carla fique com ele.

- Deixa os dois. Vamos tomar uma cerveja?

- Por que não? – E me deu aquele sorriso divertido outra vez. Fomos até o bar juntos e a amiga da Laura foi até o banheiro. Isso foi o meu primeiro alerta de que eu podia mover os meus soldados. Nenhuma mulher vai ao banheiro deixando a amiga. Principalmente em uma boate. Falei mais algumas besteiras olhando nos olhos dela e ela sorria com os olhos de volta. Achei o momento mais propício e avancei. E finalizei. Um beijo bom. Mas tinha um pequeno problema. Era pequeno mais incomodava muito. Um bafinho.

Se alguém me falasse isso, eu saberia muito bem o que é. Mas não sei explicar direito. Não chega a ser um bafão que você sente quando está conversando. É quase um gosto que você só sente quando beija. É um bafinho. Deve ser o inicio de um bafão. Sei lá. Não foi a primeira vez que eu senti isso e gostaria muito que fosse a última.

Bem, não tinha muito o que fazer. Eu não iria vender a Laura na alta, porque para mim isso não é realizar o lucro. Continuei com ela durante a noite. JM acabou tomando um toco da Carla e sumiu. Eu fiquei dançando na pista e depois de um tempo, em um canto com a Laura. Não tinha bala para vender e mesmo se tivesse, como pedir para uma mulher chupar uma bala porque ela está com bafo? Tirando isso, o papo rolou fácil e quando fomos ver, a noite já estava acabando. Trocamos telefones e ela partiu com as amigas e eu fui encontrar JM atracado com a Fátima na sala do narguilé. Só faltava o anão para formar uma família feliz.

- Chinaski! – A gorda deu um grito.

- Vamos embora! – Eu devolvi no mesmo tom.

E fomos. Mas o JM ainda decidiu levar a gorda em casa. Um porre. Eu, no banco de traz, chamando ele de Jim Morrison, aquela gorda me chamando de Chinaski e eu chamando ela de Fátima. A pessoa que poderia ter 1000 apelidos era a única que era tratada pelo nome. Coisas da vida. Depois que deixamos a gorda, pulei para o banco da frente e antes de chegar na esquina JM começou a me socar.

- Você é um filho da puta, Vic. A mulher não queria nada comigo.

- Desculpa, cara.

- Eu tomei um toco monumental daquela mulher.

- Pois é, a Bovespa fechou em baixa.

- Por sua culpa. Perdi a confiança e acabei fechando a noite com a Fátima. A Carla nunca disse que estava a fim de mim.

- Não cara, era só especulação. Eu pensei que um Trader experiente como você não fosse cair nos boatos do mercado.

- Você é um filho da puta, Vic.

- Me chame de Chinaski.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Compre já!


Diretamente do polêmico Blog do Viciado Carioca, a Presto Filmes apresenta três curtas baseados e apertados em fatos verídicos e surreais.

Depois de muito sacrifício, trabalho, chopes e diversão o DVD “Fazendo as Regras” (saiba mais sobre como esse filme foi feito) ficou pronto! Posso dizer que eu e os produtores Claudio Lemos e Claudio Simões estamos muito satisfeitos com o produto final e esperamos que você divirta-se com essa ousada empreitada.



O filme “Fazendo as Regras” é baseado em uma história minha chamada “Walk of Life” publicada originalmente em 6 de Junho de 2006 no meu antigo blog que foi censurado pelo Ministério Público.

O DVD, além do Fazendo as Regras, traz também bônus e extras.

No Bônus você poderá conferir os filmes “Jim Morrison” que foi lançado no You Tube e o inédito “Harvest of Sorrow” que foi gravado e feito nos mesmos moldes do “Jim Morrison”. O Conto “Harvest of Sorrow” foi o primeiro publicado no antigo Blog.

Na parte de Extras além do Trailer que foi lançado no You Tube, existe uma galeria de fotos da filmagem e um divertidíssimo Making Of.

E para homenagear você, fiel leitor, que desde 2005 colabora com o meu blog, sempre incentivado, divulgado, criticando e apoiando, tenho uma bela novidade: quem vai decidir o preço do DVD é você!

Nada de enquetes, votação, consulta ao público ou qualquer coisa do tipo. Cada um vai decidir quanto vale o DVD e vai pagar exatamente o preço que julgar justo. Não entendeu? Vou explicar:

Minha idéia sempre foi fazer um filme legal e presentear com um “produto” legal você, que me acompanha há anos aguardando o meu livro que eu nunca tenho vergonha na cara de terminar. Não espero ficar rico com a venda dos DVD. Espero apenas que o filme se pague e, quem sabe, gere alguma verba para uma possível continuação.

Então, no final desse post tem um botão de doação do Pag Seguro. Quem quiser comprar o DVD entra ali e determina o preço que quer pagar pelo DVD. O Pag Seguro aceita todas as formas de pagamento. Faça o seu cadastro no Pag Seguro:
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ATENÇÂO: A única coisa que eu vou cobrar é o preço da embalagem do correio e do envio do DVD. A embalagem custa R$2,00 e o preço do envio você mesmo vai calcular aqui:





Quem acha que vai gostar do DVD pode fazer a doação no valor total (preço DVD + frete + R$2,00). Quem está com medo do resultado faz a doação no valor do frete e depois que ver o DVD, volta aqui e deposita o valor que julga justo pelo o produto. Mas lembre-se: ENVIAR NO MÍNIMO O VALOR DO FRETE + R$2,00

Quem quiser receber mais de um DVD para dar de presente de natal, de aniversário, dia da avó etc, me mande um e-mail que a gente combina uma coisa legal.

É isso ai. Obrigado pelo apoio! Agora, vamos as compras?




ESSE FILME É RECOMENDADO PARA MAIORES DE 18 ANOS!

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Detran

Há anos que eu não pego em um carro. Salvo raras exceções quando o meu irmão me empresta seu “carango” para eu tirar uma “chinfra” com alguma “pequena”. (É fogo, para o meu irmão emprestar o carro ele me obriga a falar como ele falava na época de adolescente dele, eu me sinto quase um Erasmo Carlos pedindo dinheiro emprestado ao Roberto Carlos).

Então, revirando a papelada notei que a minha carteira de motorista estava vencida. Fiquei por um tempo me perguntando se valia realmente a pena gastar o equivalente a uma boa noite de cachaça só para renovar essa bagaça. Como sou um otimista e sempre acho que vou conseguir comprar um carro em um futuro próximo, mesmo sem nenhum planejamento para tal, fui renovar a minha carteira de motorista.

Dei uma olhada no site e me surpreendi que eu teria que fazer uma prova teórica. Como assim, prova teórica? Que tipo de coisas iriam perguntar nessa prova? Onde colocar a lata de cerveja na hora de atender o celular enquanto você está dirigindo? Quais são as dicas para não sujar o estofamento durante um submarino? Sei lá. Há muito tempo eu não faço uma prova. Nem durante a minha faculdade eu fazia provas. No máximo trabalhos que davam um trabalho desgraçado para assinar o nome em uma coisa que algum imbecil copiou de um livro. Bem, como não sou de me desesperar, fui procurar alguns macetes para a prova teórica do Detran.

Desisti no segundo seguinte. Dei uma olhada no Simulado da tal prova e vi como era ridículo o tal teste. Até o meu sobrinho, viciado em Playstation, conseguira tirar nota máxima naquela porcaria. O exame médico eu nem vou comentar porque não podemos chamar aquilo de exame e nem o outro que se sujeita a fazer aquilo de médico.

Decidi marcar o exame na parte da manhã. Grande erro. A pior coisa que pode te acontecer é você ficar de ainda cedo em uma fila cheia de velhos catarrentos para fazer um exame que você não acredita. Mentira, a pior coisa que pode te acontecer é ser preso por um crime que você não cometeu e ainda ser currado na cadeia por seis brutamontes. Mas acreditem, é bem ruim ficar numa fila dessas.

- Eu dirijo desde 1942 e agora esses moleques querem me ensinar a dirigir. Esse Governo sempre arruma um jeito de tirar dinheiro da gente. – rosnou um.

- Isso é um absurdo. Ainda fazem a gente esperar na chuva e em pé. – resmungava outro.

- Eu quero fazer xixi! – grunhia um terceiro. E eu me recriminava por não ter escolhido o turno da tarde e ir fazer a prova bêbado. Seria engraçado passar em uma prova de direção totalmente embriagado.

- E aquele exame médico. Uma fortuna por uma bobeira. É com esse dinheiro que o Governo financia seus mensalões e as amantes de senadores. – O velho me olhou tentando buscar algum apoio. Eu sorri e soltei:

- Pois é, por isso que eu tenho saudades do Governo Médici. Aquilo sim era país. – O velho quase enfartou. Partiu em minha direção de um jeito que eu realmente pensei que ele iria me enfiar a porrada. Colocou o dedo da minha cara e disse:

- Você não brinca com isso moleque, você não sabe o que está dizendo. – Olhei para o coroa de cima a baixo, me afastei e falei:

- Claro que sei, vovô. E tenho certeza se o Garrastazu ainda estivesse vivo e no comando nós não teríamos que agüentar muitas coisas, como por exemplo, imbecis tentando montar uma revolução na porta do Detran.

- Garrastazu uma ova ele era o Carrasco Azul! Aquele homem não tinha compaixão e mandou matar e torturar como se fosse algo comum. Perdi um amigo que “sumiu” na época. Anos depois descobrimos que foi torturado até a morte. É isso que você quer de volta?

- Olha vovô, fico triste com o seu amigo comuna comedor de criancinhas, mas não se pode fazer um omelete sem quebrar os ovos. Acho até que é um preço justo pelo Milagre Brasileiro. Médici fez muita coisa boa como a ponte Rio-Niterói e Itaipu. – O velho ficou vermelho e eu comecei a ficar realmente preocupado com um possível enfarte. As pessoas são tão bobas, acreditam em qualquer besteira que você fala com convicção.

- Seu moleque abusado, eu não preciso ficar aqui ouvindo as suas asneiras.

- E nem ninguém precisa ficar ouvindo as suas. Volta pro seu canto e fica quieto antes que estipule o AI5 nessa fila! – E o velho foi embora crente que eu era algum discípulo de Diogo Mainardi ou algo parecido. Ainda me deu uma encarada quando entramos na sala e eu preferi dar as costas e silva para ele e encerrar a conversa.

Acho que o instrutor do Detran ainda estava explicando como se fazia a prova quando eu terminei a minha. Fiz em tempo recorde. O velho do xixi ainda nem tinha retornado do banheiro. Melhor para mim. Levantei e o instrutor soltou um “já?” eu respondi de pronto “Eu sou rápido e eficiente. Tudo culpa do meu treinamento militar” disse eu virando para o coroa e dando uma piscadela. Ele apenas fez um cara feia, balançou a cabeça e voltou para a sua prova.

Saí revigorado. Ganhei o dia. Quando voltei para a casa até peguei na locadora do Lucas uma cópia de “A Queda”.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Está chegando a hora!

Está quase pronto. Depois de tanto trabalho, agora só faltam alguns pequenos ajustes técnicos para o DVD do "Fazendo as Regras" se tornar uma realidade.

Já passaram meses desde que toda essa história começou e confesso a vocês que estou muito ansioso para saber o que todos vão achar desse grande pequeno projeto que me ocupou por boa parte desse ano.

Eu já vi o filme umas 40 vezes e a cada vez que eu vejo eu só tenho um pensamento: tomara que isso me ajude a comer muitas e muitas irmãs dos outros. Esse raciocínio me levou a outro: A Dani - a verdadeira - não deve saber que eu escrevi sobre nossa transa. Muito menos que isso virou filme. Não é algo surreal? Estou muito tentado de quando estiver com o DVD em mãos arriscar um telefonema e um convite para uma Premier. Se tudo correr bem, isso já é um belo roteiro para uma continuação....

Uma coisa me incomoda um pouco nesse filme. Ele não tem "Tag Line". Sabe qual é? Aquela frase babaca que complementa o nome imbecil do filme. Por exemplo: Vamos Nessa - A vida começa as três da manhã. Ou Rocky - O Lutador ou Elas Fazem Anal 4 - Só Rabão. Eu sugeri aos Claudios: Fazendo as Regras - Porque o Viciado Carioca rules. Mas acho que eles não gostaram muito do meu egocentrismo. Então, se alguém tiver alguma sugestão....

É isso. Enquanto o DVD não chega, fiquem com o poster:


segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Se o barato sai caro, imagina o de graça...

Está publicado no Chamberlaws o texto "Se o barato sai caro, imagina o de graça". Postado originalmente em 08/09/05 é o relato de uma festa anos 80 bem ruim que eu fui no feriado de Sete de Setembro daquele ano.

Curiosidades:

1 - Muito pouco mudou para os "artistas" dos anos 80 nesses dois anos. Eles continuam falidos e tentando de todas as maneiras arrumar um troco em festas bregas desse nipe.

2 - Na época, a grande catástrofe da moda era a devastação de Nova Orleans na qual eu espero que tenha morrido Anne Rice e todos os seus vampiros homossexuais.

3 - João Mariano ainda me colocou em várias furadas depois dessa pelo simples fato de eu nunca conseguir dizer não para qualquer evento 0800.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Quarteto Fantástico

Depois de muito tempo me esquivando, decidi sair outra vez com a Marta. É a velha história, você pega um pouco de solidão, desespero e um sexo fácil e esses relacionamentos fracassados ganham uma sobrevida. Mas é a vida. Quando eu comecei a notar que não tinha nada de interessante para fazer no sábado pensei que um pouco de ação não faria mal.

Ela topou e eu cometi o primeiro erro de quando você saí com essas mulheres desesperadas. Dei o meu endereço. Ela me buscou e partimos para Botafogo beber. Maldita Botafogo, como eu te amo e sinto saudades.

Eu não tinha muito papo interessante. Ficamos conversando sobre trabalho e nos beijando. Na altura do terceiro chope eu realmente estava começando a me arrepender daquele ato de desespero. Geralmente, eu embebedo as mulheres para rolar um sexo, mas quando percebi, eu estava me embebedando para levar Marta para cama.

- Por que você não me ligou antes, Vic? Eu sabia que tinha rolado alguma coisa a mais entre a gente. – Eu olhava para aqueles olhos desesperados meio com pena. Eu não quero magoar a pequena e carente Marta. Se isso continuar, alguém vai se machucar e tenho quase certa que não sou eu.

- Sabe como é Marta. Fazendo uma coisa ali e outra aqui. Não devemos acelerar um carro que a gente não sabe em qual estrada ele está. – Sempre recorro a um diálogo Mestre Yoda quando quero dizer a uma pessoa algo que ela não quer ouvir.

- Vocês homens nunca querem se amarrar. Deixa rolar. Me diz uma coisa que está me deixando muito curiosa. – Ela falou masturbando o copo de chope e eu me lembrei da última vez que tinha visto isso como eu a achei desesperada por sexo. E lembro da maneira desesperada que transamos. E comecei a ficar de pau duro. Para falar a verdade, se não fosse à falta de papo, até rolava de sair com a Marta mais alguma vezes.

- Manda.

- Você escreveu algum conto erótico sobre nossa noite juntos? – Dessa vez foi ela que me pegou. Por essa não esperava. Eu tinha que ter bolado algum texto maneiro e sacado agora. Ia deixar a mulher louca. Bem, tecnicamente eu escrevi sobre o nosso encontro, então decidi fazer um charminho para apimentar a noite.

- Eu fico sem graça de responder.... –

- Fica sem graça porque a resposta é sim? – Eu simplesmente balancei a cabeça e ela bateu as mãos de maneira empolgada e me deu um beijo. Depois disso pegou a bolsa e voltou a falar:

- Eu tenho uma surpresa para você. – E ela começou a procurar na bolsa alguma coisa que eu torcia que fosse um KY. E antes dela puxar, eu tomo um tapa nas costas:

- Primão! – E olho para trás e reconheço meu primo Bruno, o mongol, com a sua namorada bizarra de gostosa e com cara de vagabunda.

- Grande Bruno!

- Lembra da Mônica? – A mulher que eu fiquei me martirizando de ligar ou não e decidir poupa-lo de um par de chifres? Essas coisas não dão para esquecer.

- Como eu iria esquecer? Tudo bem, meu amor?

- Olá. Você nem ligou para gente, né? – E ela me dá dois beijinhos tão perto da boca como da primeira vez. Simplesmente gostosa. O tamanho da bunda dessa mulher é algo tão indescritível que nem Stephen Hawking conseguiria calcular. Então, olhei para a Marta e me perguntei como o meu primo mongol descola uma mulher como aquela e eu... bem...

- Essa é uma amiga minha, Marta. Esse aqui é o meu primo Bruno. – Então todos eles se apresentaram e trocaram beijinhos e mais rápido que eu pudesse falar “A inveja é a arma dos incompetentes” estávamos nós quatro sentados na mesa e bebendo chope.

Eu olhava aquela mesa surreal e me beliscava para ver se eu não estava fumado. Era como ver uma Jam com Ozzy Osbourne, Whitney Houston, Britney Spears e Jon Secada. E eu pensado que eu simplesmente iria tomar uns chopes e morder um morcego mais tarde.

- Você nem vai acreditar, Marta, mas eles se conheceram na internet.

- É verdade? Que legal! Os caras que eu conheci na internet eram todos umas bestas! – Eu achei incrível o poder da internet já que a Marta conseguiu encontrar gente mais insossa que ela.

- Pois é. A maioria acha que vai te levar para cama só porque trocou meia dúzia de e-mails com você. – Eu também achei incrível uma menina com aquela cara esperar mais de seis e-mail para ir pra cama com alguém.

- Então me diz aí. Quer dizer que meu primo teve que esperar até o décimo e-mail? – e eles riram. E ele respondeu o que não precisava de resposta:

- Com a gente rolou uma coisa mais profunda.

- Então você vai casar virgem? – E todos voltaram a rir e ele parou de falar merda. Eu ficava olhando mais para Mônica do que para Marta. Para variar, ela retribuía meus olhares. Eu tenho certeza que com um pouco de investimento eu pegaria a mulher do meu primo. Isso é classificado como algum tipo de incesto ou é simplesmente canalhice?

- E ai, Primo? O que tem feito? – Geralmente esse é o papo de gente sem assunto. Querem introduzir alguma conversa chata sobre trabalho e coisas do tipo. Para mim, era o trampolim perfeito para deixar a minha Jam mais interessante.

- Estou tentando terminar o meu livro de contos eróticos. – E dei um sorriso sacana no final da frase. Bruno arregalou os olhos, Marta esticou as sobrancelhas e a Mônica Spears deu uma risada nervosa.

- O que vocês estão rindo? É sério. Estou fazendo uma coletânea de contos eróticos juntando experiências minhas, de amigos, de conhecidos e alguma criatividade. Se vocês tiverem alguma história interessante, por favor me ajudem. –

- E você tem alguma história para nos contar? – perguntou Mônica. Nem me dei o trabalho de responder, minha amiga Marta ficou encarregada da propaganda.

- Quem, o Vic? Ele tem cada história, minha amiga, que você vai ficar boquiaberta. – Eu sinceramente gostaria que ela ficasse boquiaberta com qualquer uma das duas bocas. Se eu fosse mais inocente e estivesse em Minas Gerais tentaria jogar meu primo para fora e executar o “Plano Perfeito”. Mas como estava na vida real a única coisa que eu poderia fazer é ficar jogando mais lenha naquele papo e viver a minha fantasia sexual dentro da minha cabeça.

- Nossa, agora eu fiquei curiosa.

- Pode deixar que quando o livro ficar pronto você vai poder matar a sua curiosidade. E anota meu e-mail caso você tenha algum conto safado de alguma amiga sua. Você sabe, né. As mulheres no banheiro sempre trocam histórias que até Calígula duvida.

- Pode deixar. E por falar em ir ao banheiro eu vou até lá. – Disse Mônica e é claro que Marta foi junta. Ficamos eu e meu primo mongol. Ele me contou sobre seu trabalho, sobre seu laptop, sobre a importância do “open source” na informática e nada de me dar detalhes sobre a sua namorada. Eu ficava bebendo, balançando a cabeça e imaginando como aquele cara lidava com aquilo tudo na cama. No mínimo ele fazia alguma coisa bem estranha que a vagaba se amarrava. Podia apostar que era chuva de prata.

- Mas vem cá, Bruno. Você e a Mônica? Estão firmeza mesmo?

- Sei lá, cara.- deu de ombros e continuou -. Olha bem pra ela. É muita coisa para mim. As vezes eu acho que a única coisa que faz ela estar comigo é que ela ficou com muito homem canalha a vida toda e sabe que eu sou um cara direito e tal. – Nossa. Até que ele não era tão mongol. Me deu pena do meu primo e mais uma vez eu me senti o maior dos canalhas. O cara realmente gostava da mulher e sabia que mesmo depois de mais de um ano de relacionamento estava pisando em ovos. Nada me tirava na cabeça que ele já tinha, era ou ainda seria cornudo. Talvez se eu entrasse no circuito só ajudaria a abrir os olhos do rapaz. Mas tem gente que é feliz com um par de chifres na cabeça e eu acho que o Bruno é um desses. Talvez ele tenha pego algum furo dela, mas depois olhou bem para aquela bunda e percebeu que não seria fácil conseguir algo da mesma qualidade no mercado e fez vistas grossas. Como dizem por aí, é melhor dividir um filé com a rapaziada....

Elas voltaram e depois que o assunto sexual morreu, parecia que mais nada inteligente sairia dali. Mesmo com a consciência pesada e me dizendo que não daria mais nenhum passo para pegar a namorada do meu primo, continuei paquerando a menina. Afinal, olhar não faz mal a ninguém. Entre papos de novela e televisão em geral eu encaixava uma ou outra história bizarra que tinha acontecido na noite comigo ou com uma dos meus amigos. Só para alegrar o ambiente. A cada risada da Mônica e da Marta eu não conseguia tirar da minha cabeça a idéia sexual de levar as duas para um motel. Do sétimo chope em diante eu só falava com elas imaginando as duas nuas. Toda vez que eu ia no banheiro, me olhava no espelho e reafirmava que eu era um grande filho da puta. Só para não perder o costume.

Finalmente, depois do décimo segundo Marta pediu a conta. Eu nem reclamei. Sabia que não iria sair nenhum coelho da cartola, mas só de viver aquela áurea sexual, aquele sexo verbal, já me deixava contente e como eu estava bem animado, quem iria sair ganhando com aquilo tudo era Marta com um desempenho digno de registro. Tive a certeza que Mônica me beijava pelo canto do lábio na hora de ir embora. Coisa de vagaba mesmo. Aquela mulher me deixava louco. Eles foram embora e eu dei uma bela olhada naquele traseiro. Para registro.

No carro, Marta, que pode ser sem assunto, mas não é boba, soltou:

- Aquela namorada do seu primo estava bem te dando mole. – Eu fumava meu cigarro, distraído e olhando pela janela. Não queria continuar um papo que não iria me levar a nenhum lugar confortável.

- Não fica assim. Não é privilégio meu. Ela dá mole para muitos e muitos caras.

- Mas você gostou da brincadeira. – dizia ela dirigindo. Então, peguei em suas pernas e subi levemente dizendo:

- Eu só estava deixando ela me aquecer para você, baby. – Ela sorriu, mandou uma piscadela e mandou:

- Abre a minha bolsa e vê o que eu trouxe para gente. – E como qualquer pervertido que se preze peguei a bolsa procurando o tubo de KY e dei de cara com uma bela coleção de calcinhas minúsculas.

- Você está fodida hoje, Marta. Bem fodida, aliás. – E só lamentei a ausência de conteúdo da minha pequena, carente e safada Marta. Talvez eu compre alguns livros e filmes para ela enquanto aguardo pacientemente um e-mail safado da Britney Spears.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Guardem dinheiro!




Pois é, estamos muito perto de concluirmos o DVD. Acabei de ver a versão final do filme e fiquei muito satisfeito com o resultado. Auxiliei também na realização dos Menus e o que está faltando é colocar tudo para funcionar, prensar o DVD e mandar bala. Acredito que até o final de Outubro a Presto já estará com tudo pronto.

No DVD, além do Fazendo as Regras vamos ter mais duas sessões: Bônus & Extras.

No Bônus vocês poderão conferir os filmes “Jim Morrison” que foi lançado no You Tube e o inédito “Harvest of Sorrow” que foi gravado e feito nos mesmos moldes do “Jim Morrison”. O Conto “Harvest of Sorrow” foi o primeiro que publiquei no antigo Blog.

Na parte de Extras além do Trailer que foi lançado no You Tube, teremos uma galeria de fotos da filmagem e um divertidíssimo Making Of.

Então é isso. Aguardem que em muito em breve o DVD cheio de sexo, drogas e rock and roll para malucos de todas as idades acima de 18 anos.





segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose

Eu estava navegando de bobeira quando apareceu essa figura no meu MSN:

- Opa, você é o Vic?

- Sim.

- O Viciado Carioca?

- Eu mesmo.

- Do blog “Viciado Carioca”.

- E você acha que tem outro? Quem é você?

- Desculpe pela insistência é que eu queria ter certeza.

- Ok. Agora você já tem. Quem é você?

- Você não me conhece, mas eu sou um grande admirador do seu trabalho.

- Ah, sim. Obrigado.

- Eu gosto dos seus textos, a forma que você descreve as situações e adoro aqueles contos malucos.

- Obrigado. Valeu mesmo.

- Mas...

- Mas o que?

- Nada... deixa pra lá.

- Agora fala.

- É que eu acho que de vez em quando falta alguma coisa.

- Como assim “falta alguma coisa”?

- É. Falta um pouco de cultura.

- De cultura.

- Pois é. Eu acho que alguns textos são muito superficiais.

- Essa é boa...

- Você tem talento. Acho que te falta é um pouco de orientação.

- E você é quem vai dar essa orientação.

- Bem, já que nós estamos aqui....

- Sei. Sei. E o que você sugere?

- Eu acho que você deve dedicar mais tempo em pesquisas antes de escrever algo. Sugiro que você freqüente o Wikipédia. Existem muitas coisas interessantes lá. Você já conhece?

- Claro que conheço. Quem não conhece o Wikipédia...

- Pois então. Agora mesmo eu estou olhando uma curiosidade que você poderia usar em seus textos.

- Hum?

- Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose.

- O que?

- Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose é a maior palavra da língua portuguesa.

- Pensei que fosse incostitucionalicimamente.

- Pois é, muita gente acha que é incostitucionalicimamente. Ela só é a mais famosa. Se você freqüentasse mais o Wikipédia saberia que na verdade a maior palavra da língua portuguesa é Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose.

- Tá, e daí? Eu nem sei o que essa porcaria significa.

- Não sabe porque não visita o Wikipédia! Se visitasse saberia que Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose é uma doença rara causada pela aspiração de microscópicas partículas de cinzas vulcânicas.

- Tá cara. Foda-se. Eu não quero saber dessa inutilidade.

- Mas tem outras coisas interessantes no Wikipédia. Você sabia que o faro do cão é cerca de quarenta vezes superior ao do olfato humano? Você poderia usar isso em algum conto. O Wikipédia está cheio dessas coisas interessantes e você pode utilizá-las para enriquecer os seus textos.

- Talvez depois eu vá lá dar uma olhada....

- Não deixe para depois o que você pode fazer agora! O Wikipédia só está a um clique de distância e possui mais de 285 mil artigos em português que podem te ajudar!

- Posso te perguntar uma coisa?

- Claro. Se eu não souber a resposta, o Wikipédia saberá. Você sabia que na versão em inglês eles têm mais de 2 milhões de artigos? É incrível!

- Você não é leitor coisa alguma. Você é um divulgador do Wikipédia. Eu não estou certo?

- Bem....

- Ah, seu filho da puta!

- Não me leve a mal, amigo. Eu era vendedor da Barsa mas com esse lance de internet eu fiquei sem emprego. Daí esses caras da Wikipédia me contrataram para dar uma alavancada nas visitas. Eu procuro donos de blogs e os convenço a usar mais a Wikipédia. Me ajuda aí. Clica em qualquer coisa. Não precisa ser um artigo muito famoso....

- Seu vendedor de Wikipédia desgraçado. Espero que você morra de Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose enfiada no rabo.

- Viu. É disso que eu estou falando. Se você acessasse a Wikipédia descobrira uma outra doença interessante para poder me xingar de maneira mais criativa.

- Eu não posso perder tempo com essas palavras gigantescas. Eu sofro de hipopotomonstrosesquipedaliofobia.

- Ah! Você acessou o Wikipédia!

- Não seu imbecil, eu tenho um “Livro dos Curiosos” em casa.

- “Livro dos Curiosos” eu fui vencido pelo “Livro dos Curiosos”! Eu não posso admitir isso....eu estou desconectando........

E foi embora. Que cara babaca. Se ele acessasse mais o Wikipédia saberia que um hipopotomonstrosesquipedaliofóbico nunca poderia escrever hipopotomonstrosesquipedaliofobia.

Por essas e outras que eu odeio esses vendedores de Wikipédia.


UPDATE:

Porra, entro no Globo Online e vejo que os vendedores de Wikipédia atacaram outra vez. Esses caras são chatos mesmo...



terça-feira, 11 de setembro de 2007

Lá na casa do baralho

Depois de virar filme, meu blog acaba de virar uma carta. Hã? O que? É, pois é, uma carta. O pessoal do Treta, um blog engraçado com quatro furos no meio, criou uma espécie de Super Trunfo com 99 blogs famosos e mais o meu. Simplesmente genial..

Devo dizer que fiquei com o ego bem massageado sendo lembrado e colocado em um deck cheio de cartas de nipes infinitamente superiores a minha. Tudo bem que a minha carta não é nenhum coringa, mas como dizia o meu avô, é melhor ser um dois de paus a ser uma carta fora do baralho.

Porra nenhuma. Meu avô nunca falou isso. A coisa mais inteligente que o meu avô já falou foi “Esse Zagallo é um filho da puta!” depois do vice-campeonato de 1998. De qualquer forma, ele era apenas um velho enrugado e além de um filme, agora eu sou uma carta.




Pois é, quando os professores da faculdade falavam que um comunicador deveria ser multimídia eu duvido que eles estivessem se referindo a isso.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Teaser Trailer

Vocês devem estar se perguntando em que pé está o filme. Na verdade, eu sei que vocês estão cagando e andando para isso, mas eu estava me perguntando como estava a produção e decidi dar uma ligada para o Cláudio, o magro e não o gordo, na semana passada.

Liguei não apenas por eu ser um cara ansioso. Mas eu estava me sentido meio puta. Os caras aparecem, pagam chope, pegam meu texto, usam e abusam dele e depois nem telefonam. Ora bolas, apesar de tudo eu sou um escritor de família.

Depois de uns dois dedos de prosa descobri que eu sou pé quente. Boa parte da equipe da Presto conseguiu arrumar alguns trampos maneiros nesse tempo. Depois descobri que eu sou pé frio, já que por causa desses trampos, algumas pequenas histórias que estavam programadas para serem filmadas e saírem no DVD, não vão mais acontecer.

Mesmo assim, os Claudios, o gordo e o magro, estão trabalhando para que o DVD fique bem legal. O magro me contou sobre o making of do filme e a edição do Harvest of Sorrow, além, é claro, da edição do próprio Fazendo as Regras.

Para não deixar a galera na expectativa por tanto tempo, ele fez esse Teaser Trailer para diminuir – ou aumentar – a curiosidade de todos nós quanto a nossa grande pequena produção.

Aguardem que em breve eu trarei outras novidades que estarão sempre sob o marcador “Fazendo as Regras”.





segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Dichavando

- Poooooooorrrrrrrraaaaaaa, é o Vic! Quem é alcoólatra sempre aparece! É esse mundo louco! A terra gira, mas não sai do lugar!

- Grande Dopa! Queria ser inteligente para poder responder alguma coisa a altura. – Pois é, encontrei o Dopa esse fim de semana. Em todos os aniversários do Lucas acaba acontecendo alguma coisa. Ou eu reencontro alguém, ou alguma coisa louca acontece, ou uma freira abre a porta e manda todo mundo tomar no cú. De qualquer forma, é sempre muito mais interessante do que a Superinteressante. Como nesse Sábado, quando eu reencontrei o Dopado, ou para os íntimos, o Dopa.

Vocês devem ficar um pouco pirados por eu ter o apelido de Viciado Carioca. Ou Viciado. Ou, por mais íntimos, Vic. Talvez vocês conheçam o Dopa pelas baladas do Rio de Janeiro. Ele também é conhecido como Tarja Preta, Mufa, Lomba, Malucão, Cheech, Chong, Cheech & Chong, Hemp, Hempa, Bicho Grilo, Grilo, Bicho, Marley, Macoy, Fumaça, Cabeça, Cabeção, Cabeçudo e Leozinho. Esse último, somente em uma festa de família, quando ele coloca gel no cabelo e penteia escrotamente para o lado.

Como eu estava dizendo, vocês devem ficar um pouco pirados com o meu apelido de Viciado Carioca achando que eu era o grande drogado da minha velha turma. Devo confessar que eu era apenas, digamos, um terceiro lugar. Uma espécie de Rubinho dos drogados. O segundo lugar ficava com o tosco Thor, o Deus do Trovão. A cada noite o malandro conseguia dar mais marteladas em um papel de 10 do que qualquer mortal que já andou por essas terras. Ele era magrinho, loiro e cabeludo e daí o apelido. O primeiro lugar, com certeza, era do Dopa. O Schumacher das drogas. O homem que cheira cachaça quando não tem dinheiro para se drogar (ele me ensinou esse macete). O homem que arrumou uma namorada que fingia ter cólicas monstruosas, que precisava tomar injeção para dor na farmácia, só para roubar os remédios tarjas pretas. Ele se dizia o homem que inventou o chá de fita cassete.

- Puuuuuuuutaaaaa que pariu, Viiiiiiiiiiic! O Cosmo sempre conspira para a união! Esse é o momento histórico desde que o Napoleão arrepiou aquela galera na Europa ou desde que as Torres caíram! Vic, Viquinho Cabeçudinho! Porra, como vai essa força? – Estava claro que ele estava bem feliz em me ver. Eu preferia reencontra uma ex-namorada, já que as chances de fazer sexo iriam ser infinitamente maiores do que com ele. Apesar de eu ter quase certeza que se eu falasse que tinha um papel puro no bolso, o Dopa me pagaria um boquete só para dar uma cafungada.

- Pois é, Dopa. Um momento realmente histórico, apesar do seu grande hiato de comparação.

- Haaaaaaa! Esse é o velho Vic! Com sua inteligência aguçada e suas tiradas loucas! Haaaaaa! Me diz ai, Vic! Tu anda sumidaço! Me falaram que agora você é o maníaco da internet! Escreve pra comer as garotinhas! Esse é o grande lance, não é? Ficar conectado com o mundo! Viajando nas teclas! Viciado Carioca! Viciado Mundial!

- Eu não sei o que te falaram, Dopa. Mas é tudo verdade. Mas eu tenho certeza que nego não contou tudo só para me diminuir. – Vamos lá, não é todo dia que existe alguém tentando fazer eco no vácuo.

- Te diminuir? Nunca! A galera sempre te assombra, velho! Tu é o cara. Tu é o artista. Tu é o messias da galera! Tu é o cara!

- Que isso, Dopa! Se você continuar falando assim, a festa inteira vai querer me dar. E eu só quero comer aquela morena ali. Quem é ela?

-A Luciana? A Lucy? Lucyyyyy in the skyyyyy with diamondssssss. Lucy, venha aqui. Lucy gril. Lucy Friend. Louca Lucy. Crazy Lucy!!!! Lucy, minha amiga, você conhece o Vic? – Eu estava assustado pela garota. Pensei que aquele cabo eleitoral poderia ajudar, mas comecei achar que o tiro iria sair pela culatra.

- Não....prazer....?

- Fica calma, Lucy. Eu sou Vic e estou sóbrio.

- Haaaaaa! Vic sóbrio! Vic é um dos caras mais loucos que eu já conheci! – Eu arregalei os olhos e fiz cara de assustado:

- Dopa, eu não tenho certeza se isso é um elogio..... – Ela riu. Se eu conseguisse usar a loucura do Dopa ao meu favor, talvez aquilo desse certo. Ou eu ia ficar queimado pelo resto da noite.

- Vic deixa de ser humilde. Lembra daquele incenso louco na casa do Tijolo? Nunca vi um cara tão rápido no pensamento. Tão sagaz. Esse é o Vic. O Billy the Kid das sinapses. – Ela ria com o Dopa falando como metralhadora e eu fazendo as caretas de assustado.

- Eu lembro do Tijolo, mas realmente não sei do que você vai falar.

- Claro que sabe, Vic! Nós fumávamos direto na casa do Tijolo. Ele ficava sozinho em casa a tarde e os cabeçudos iam todos para lá fumar. Depois ele acendia um incenso pra dichavar o cheiro e a galera saía fora antes da mãe louca dele chegar.

- É a pura verdade, mas eu ainda não sei onde a história vai chegar. – Eu abri os braços e tentei fazer olhos puros. Eu realmente estava em uma Montanha Russa. Apenas sendo levado e a cada segundo um loop diferente.

- Um dia, a mãe do Tijolo chega mais cedo. A galera viu da janela e apagou a baga rapidão – nesse momento a lembrança caiu na minha cabeça como um raio e eu comecei a abrir um sorriso. Como um louco poderia lembrar daquilo e eu não? – o Tijolo acendeu um incenso para sumir com o cheiro do bagulho, mas a mãe dele já estava em cima e aquilo não ia dar muito certo. – A morena me encarava com olhos perguntando “e depois” e eu verbalizei balançando a cabeça:

- É verdade. A pura verdade.

- A coroa invade o quarto cheia de atitude, mete o dedo na cara de geral e fala “eu sei”. Galera meio que se congela, não fala nada e ela continua com aquele dedo ameaçador e falando “eu sei, não tenta me enganar que eu sei”. E naquele minuto que a galera estava congelada, toda se denunciando, uns malucos já pensando em colocar o flagrante pra fora, Vic manda “O que a senhora sabe?”. Galera petrificada, tipo estátua! Vic com o olhar ameaçador pra cima da coroa e a velha emenda: “Eu sei que são vocês, seus safados, que estão comendo o requeijão todo aqui de casa!”. – Nisso Lucy solta uma gargalhada. E o Dopa continua:

- E sabe o que esse filho da puta faz? Responde pra coroa: “Eu que como o requeijão todo porque eu moro sozinho e não tenho esses luxos em casa! A senhora me desculpe, amanhã eu vou comprar uns três copos de requeijão e colocar aqui!”. E a galera respira aliviada e a coroa dá um suspiro, chega até o Vic e fala: “Meu filho, você pode comer o requeijão, você só tem que lembrar que você está em comunidade e que outros podem querer comer o requeijão também!”. E a galera começa a zoar o Vic por ele ser “O comedor de requeijão”. – E eu complemento:

- Pois é, a galera ficava louca e detonava a geladeira do Tijolo. Ninguém nunca ia imaginar que a mãe dele iria ficar bolada com o desfalque na geladeira e não com a marola.

- O Vic é genial! Lucy, você tá entregue a um cara fantástico! – E o Dopa me abraçou, beijou a minha cabeça e saiu fora. A Lucy ficou me olhando e eu dei de ombros. E ela falou:

- Eu nem sei o que dizer. – E eu respondi:

- Nem eu. – E cheguei até ela e dei um beijo. E cheguei à conclusão que eu gosto mais dos aniversários do Lucas do que os meus próprios aniversários.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Os Duendes de Marte

Felipe estava dirigindo sozinho na madrugada pela estrada deserta e empoeirada a caminho de Visconde de Mauá. Não gostava de nada daquela situação. Odiava enfiar o carro naquela terra, odiava dirigir a noite e ainda por cima no escuro. Mas não tinha muita alternativa. Havia uma coisa que ele odiava mais do que tudo isso: perder a oportunidade de experimentar a Fumaça Louca de Maromba.

A primeira vez que ouviu falar da erva poderosa ainda foi no 2º grau. Diziam que era do outro mundo. Um amigo de um amigo que era tido como “o maior cabeçudo” da galera teve um teto-preto depois de uns dois cigarros da famosa Fumaça Louca de Maromba. Dizem que o cara ficou um tão pancado que jurava que um caveirão comeu um pedaço do seu cérebro.

Quando chegou a faculdade a mesma história. A Fumaça Louca de Maromba era a melhor erva de 8 entre 10 maconheiros universitários. Ninguém nunca conseguia trazer nem um pouco dela para o Rio, pois a fissura de fumar era tão grande que nenhum maluco conseguia guardar um pouco. Devido a uma série de contra-tempos, todas as viagens que Felipe agendou, furaram e ele nunca conseguiu experimentar o capim famoso.

Hoje ele pretendia quebrar essa sina. Uns amigos do trabalho alugaram uma casa em Mauá com intuito de queimar toda Fumaça Louca que conseguissem agüentar. E Felipe teria conseguido realizar seu sonho se não fosse abduzido no meio da estrada.

Tinha ficado intrigado com aquela luz que o acompanhava pela estrada escura. Por um momento, achou que era o efeito dos ares da Fumaça Louca de Maromba. Só percebeu que estava participando de uma clássica abdução quando já estava dentro da nave espacial. E quando viu os Duendes de Marte por cima de seu carro e batendo no vidro só conseguiu pensar em uma coisa:

- Filhos da Puta! Tanta hora boa para ser abduzido e esses desgraçados escolhem logo agora! - Mas não tinha jeito. O lance era aproveitar o momento e tirar tudo de bom que só uma abdução pode trazer.

- Salve, salve Terráqueo! Nós somos os Duendes de Marte! – Felipe ficou realmente encafifado como os pequenos homens verdes e de olhos largos sabiam falar português e porque eles falavam como o Pedro Bial. Decidiu não contrariar e responder na mesma língua:

- Salva, salve integrantes dessa nave louca que é....que é... essa nave louca! – Os Duendes se entreolharam curiosos pois nunca tinham visto um terráqueo reagir tão bem a uma abdução. Geralmente eles ficam paralisados como idiotas ou choram como crianças. Concluíram que Felipe era o terráqueo mais corajoso que conheceram. Ou o mais idiota. Não sabiam que ele estava mesmo é com o pensamento na Fumaça Louca de Maromba e queria acabar logo com aquela babaquice de abdução e voltar para a estrada o mais rápido possível.

- Podemos começar logos os testes? O que vai ser? Vão pedir para eu transar com uma Marciana? Vão enfiar agulhas no meu corpo? Por favor, nada de sondas anais! - Um dos Duendes ouviu atentamente o terráqueo e se aproximou:

- Você parece muito calmo para uma abdução. Estou olhando os seus batimentos cardíacos e estão mais baixos do que dos paredões do último BBB. Essa é a sua primeira vez?

- Sim.

- Então de onde você tira tamanha tranqüilidade?

- É porque eu comprei recentemente todos os DVD’s do Arquivo X em uma bela promoção. Estou bem descolado com esses lances de abdução. – Explicou Felipe ao Duende Bial.

- Não sabemos o que é Arquivo X. A nossa nave só sintoniza a Rede Globo. De qualquer forma devo explicá-lo que evoluímos bastante na área da abdução desde a década de cinqüenta.

- Não diga?

- Pois é. Já fizemos todos os tipos de testes físicos loucos. Você nem imagina o que um duende de Marte pode fazer com uma sonda na mão e uma idéia na cabeça. Não me leve a mal, se tivéssemos tantos ratos em Marte como vocês têm na Terra, não precisaríamos incomodá-los.

- Não esquenta. Mas podemos ir logo com isso? Estou meio atrasado...qual é o motivo da abdução?

- Como eu estava explicando, estamos na fase de testes psicológicos, comportamentais e de pesquisa de mercado. Outro dia mesmo abduzimos um sujeito para testar um barbeador laser muito mais macio.

- Sei, sei... olha eu não estou interessado em comprar nenhuma porcaria marciana e estou realmente com pressa. Poderíamos corta a ladainha e ir logo aos finalmente?

- Por favor, siga até aquela porta. – Felipe andou pela nave até uma de suas portas de metal e chegou até uma sala. Não parecia nada de outro planeta e sim uma simples sala de espera de um consultório. Um sofá nada confortável, Revistas Veja de 1995 e uma planta de plástico. Do lado oposto do sofá, um balcão onde supostamente deveria ter uma secretária meia-boca lixando as unhas.

- E? – Perguntou para o duende. O homenzinho verde o encarou com aqueles gigantescos olhos e respondeu:

- Nada. Somente aguarde ser chamado. – E bateu a porta. Felipe deu uma outra olhada no ambiente e pensou o tamanho daquela babaquice. Resolveu esperar. Sentou e começou a folhear uma revista antiga:

O ator e comediante Lírio Mário da Costa, ou Costinha morreu...

Ficou impressionado como o tempo passava rápido. Achava que não fazia muito tempo que o Costinha fazia o maior sucesso na Escolinha do Professor Raimundo. Daquela matéria em diante ele leu a revista inteira.

E nada aconteceu.

Levantou-se e foi examinar o balcão. Não tinha nada ali. Sem telefone, agendas ou fax. Não tinha arquivo, fichas ou uma lixa de unha sobre o balcão. Absolutamente nada. E não existia nenhuma porta além daquela que ele havia entrado. Deu de ombros e deitou no sofá esperando a próxima instrução do Duende Bial.

E nada aconteceu.

Levantou depois de uma hora de tédio e começou a folhear outra Veja.

Eduardo Brandão de Azeredo assume o governo de Minas Gerais
Brasil Mário Covas assume o governo de São Paulo
Marcello Nunes de Alencar assume o governo do Rio de Janeiro

Lembrou de Marcello Alencar e como era tosco ser governado por um alcoólatra. Lembrava de algumas declarações do Governador totalmente mamado. Aquilo que era época boa. Daquela matéria em diante ele leu a revista inteira.

E nada aconteceu.

Resolveu tirar um cochilo no meio do chão do consultório. Acordou nove horas depois. No mesmo lugar. Nada de mais. Começou a ficar intrigado com aquela situação. Foi até a porta e bateu:

- Ei? Acho que me esqueceram aqui. – Nenhuma resposta. Começou a esmurrar a porta e nada. Gritou até ficar sem voz e acabou desmaiando sem forças. Acordou algumas horas depois encarando o lustre no teto. Levantou-se e começou a andar para um lado e para o outro. Pensava que tipo de teste era aquele. Seria um teste de paciência? Um teste de observação? Ou seria um teste de inteligência? Começou a vasculhar por toda a sala. Tirou a planta de plástico do lugar, olhou por de baixo das almofadas do sofá, dentro das revistas.

E nada aconteceu.

Tinha que ser um teste de inteligência. Lembrava que o marciano disse alguma coisa sobre ratos e aquilo deveria ser uma espécie de labirinto de ratos para humanos. Começou a achar que a resposta estava nas revistas. Por que revistas de 1995? Havia algo ali.

O juiz de futebol Jorge Emiliano dos Santos, o Margarida, morreu....
Os dez livros mais vendidos da semana...
Entrevista com Romário....

E nada aconteceu.

No final do segundo dia já estava pirando. Se masturbou em cima da planta de plástico e começou a rir. Cantava antigas músicas do Cartola e corria nu em círculos pela sala. Gritava o obituário da revista Veja:

Morte do compositor, cantor e humorista Ivan Curi
Morte do ator Paulo Gracindo

E nada aconteceu.

Durante todo o quarto dia, rasgou a revista Veja e começou a escrever uma mensagem para os próximos que entrariam naquela sala. Escreveu sobre a Fumaça Louca de Maromba e sua decepção de jamais ter experimentado. Escreveu como amava sua ex-namorada Neiva e se desculpou por não ser mais atencioso. Reservou um espaço para mandar a merda seu chefe e todos aqueles que odiava. E Bem no cantinho, fez um pequeno poema sobre seu amor pelo Botafogo.

E nada aconteceu.

Foi mais ou menos no meio do quinto dia que resolveu se matar. Havia passado a madrugada do dia anterior e a manhã daquele dia implorando por alguma intervenção divina que lhe tirasse daquela situação. Como não obteve resposta, decidiu rasgar sua camisa e com aqueles trapos fazer uma forca. Amarrou-a no lustre e subiu no balcão. Fechou os olhos e decidiu dar a última chance para qualquer um salvá-lo daquela situação enervante.

E nada aconteceu.

Contou até dez.

1

2

3

Nada.

4

5

6

Absolutamente nada.

7

8

9

Ameaçou:

- Eu vou me matar de verdade! – E nada aconteceu.

10

E começou a se jogar. Foi nessa hora que uma freira abriu a porta, e o mandou tomar no cu. Tentou voltar com os pés no balcão, mas já era tarde. Morreu em menos de cinco minutos.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Contos Eróticos

Fui conhecer essa mulher, sem muita expectativa e nenhum truque no bolso. Conhecida de uma conhecida que queria me conhecer. Essas coisas de gente desesperada, solteira e que já passou dos trinta. Tenho medo desse tipo de pessoa. Na verdade, tenho medo de qualquer um que já passou dos trinta, ainda é solteiro e não tem nenhuma desculpa convincente para esse fato. Se eu conheço uma mulher e ela fala que namorou uns 10 anos e depois não deu certo, tudo bem. Isso é uma bela desculpa. Agora se eu conheço uma mulher e ela fala que estava se dedicando a sua carreira ou não encontrou ninguém, meu alerta acende na hora. Estou diante de alguma maluca cheia de manias. Ou possessiva, ou carente, ou os dois.

- Oi, eu sou Marta. A Rita sempre fala muito bem de você. – Estávamos em um bar. Ela não era muito bonita, mas tinha seu charme. Eu estava meio sem graça, sendo um pouco a atração da noite. Afinal, ela era que queria me conhecer.

- Prazer, Marta. Eu sou Vic e creio que a Rita é uma mentirosa, porque não tem muita coisa boa para falar de mim. – Ela riu e eu procurei logo o garçom para pedir um chope. E agora? O que eu deveria fazer? Dá um autógrafo? Colocar meu pau em cima da mesa e perguntar se ela gostou? Odeio esses encontros arranjados. Nunca sei como agir.

Eu sou preconceituoso. Admito. Eu também não tenho nenhuma desculpa convincente para estar solteiro depois dos trinta. Isso é fato. Eu podia falar que estava cheirando enquanto estava na idade de conhecer alguém legal. É a pura verdade. Porque apesar de eu ter arrumado umas mulheres aqui e ali nenhuma maluca iria colar em um cara com nariz de farinha. Mas agora que estou limpo há mais de um ano, eu quero enterrar esse passado. Imagina chegar numa mulher e falar que é um ex-viciado em cocaína. É melhor falar que tem herpes, ou coisa parecida.

- Então você é amigo de trabalho da Rita? – Tudo bem, Marta, vamos nos esforçar para tirar alguma água daqui.

- É. Ela é gente boa e uma das poucas que entende as minhas piadas. – Sério, Marta? Eu não consigo imaginar uma criança de três anos chamada Marta. Aposto que essa mulher já nasceu com uns 28. A mãe dessa mulher deve ter muito mal gosto. Espero que já esteja morta.

- Ela falou que você é engraçado. O que é bom, porque eu adoro homens engraçados. – Ok, meu bem. Eu conto as piadas e você paga o chope e assim todo mundo saí feliz, que tal?

Existe um fato assustador de você ficar solteiro e envelhecendo. A cada dia você adquire uma nova mania que você não vai querer abrir mão depois de casado. Eu, por exemplo, passo umas três ou quatro horas no computador escrevendo. Posso até reduzir esse tempo para duas horas. Mas imaginem, eu chego do trabalho, tomo um banho, janto com a minha esposa e vou para o computador e só saio de lá meia-noite. Como um relacionamento desses pode dar certo? Ai, vocês vão dizer: porra, larga a escrita e vai dar atenção a sua mulher! Eu respondo: Mas eu não sou muito bonito, o que me faz ganhar as mulheres é a criatividade. Se eu parar de escrever, que é uma coisa que me diferencia dos outros machos provavelmente em uns dois anos ela vai dar para um cara mais bonito ou mais interessante do que eu. Final da história: eu vou ser um feio, desinteressante e corno. Esse negócio de relacionamento é muito complicado.

- Ela me disse que você escreve. Eu acho isso o máximo! Eu queria ser escritora! – A Rita é uma das poucas do meu trabalho que eu mostrei alguns contos meus. Ela adorou e me chamou para fumar um baseado com ela. Tinha que ver a cara de decepção da mulher quando eu falei que agora eu era careta.

- É. Eu bato umas teclas aqui e ali. – Eu já sabia qual era a próxima pergunta dela, só não sabia ainda a resposta que ia dar.

- Você escreve sobre o que? – Foi nessa hora que eu resolvi aloprar. Só tinha uma jeito de deixar aquela noite interessante.

- Eu escrevo contos eróticos.

Outra coisa me complica na hora de eu arrumar uma mulher para um relacionamento mais sério. O Sexo. Eu não sou nenhum Don Juan, mas eu tive a minha parcela de mulheres. Umas beijavam bem, outras eram lindas, outras tinham ótimo papo, outras transavam como loucas, outras possuíam a garganta mais profunda. Eu não sou nenhum Dr. Frankenstein tentando juntar tudo isso em uma mulher, mas gostaria que ela tivesse pelo menos três de várias qualidades que eu posso imaginar. Eu não quero me juntar com uma ninfomaníaca que não consegue abrir a boca a não ser para pagar boquete (bem, não por mais de 6 meses!). Também não vou ficar com nenhuma mocréia só porque ela sabe discursar sobre Feuerbach como ninguém.

- Agora eu fiquei curiosa. Fale-me sobre os seus contos. – Sabia! Essas balzaquianas adoram uma sacanagem. Ficam excitadas com o sexo verbal.

- Sobre eles? Eu tenho mais de 100 contos eróticos escritos! – Mais uma vez eu ganhando tempo.

- Me diga um que te marcou. – Eu iria falar um engraçado, pra depois passar para toscaria. Não era um plano perfeito, mas pelo menos eu tinha algum. Se ela ficasse puta, eu ainda podia cair fora, dar um pulo no Empório em Ipanema e tentar arrumar alguém.

- Bem, tinha esse de uma mulher que ela ia na casa dos amigos para se masturbar com a escova de dentes deles. – Eu estudava a reação dela. Não é que a desgraçada sem perceber, passava a sua mão para cima e para baixo na tulipa? Ela estava masturbando o copo de chope! Devia estar desesperada.

- Nossa! E como acaba?

- Ela casa com um amigo que tinha uma escova elétrica. – E fiz uma cara de babaca. Ela riu como uma louca:

- Perfeito! Você é demais. Fala outro! – Isso. Fisgou a isca.

- Tem esse outro que eu estou escrevendo. É sobre um cara, trinta e poucos anos, ainda solteiro. As mulheres o acham interessante e vez ou outra uma aparece querendo conhecê-lo. – Bem, ela não era muito bonita, mas eu também não sou e já faz um tempinho que eu não coloco o pequeno Vic para trabalhar.

- Hum... E aí?

- E daí que sempre rola um papo legal, eles tomam chope, papo vai, papo vem, vão para cama. – Solto um sorriso e ela responde de volta. Inclina o corpo para ouvir melhor. Essa mulher deve estar a mais tempo sem sexo do que o pequeno Vic.


- E?

- O cara se transforma. Usa a língua de maneiras que as mulheres não imaginam, acelera e reduz a velocidade do sexo deixando elas loucas. Trata como cachorra e depois fica delicado. As mulheres vão ficando malucas até...

Mas a verdade é que eu estou escrevendo sobre isso, mas não estou muito preocupado em arrumar um relacionamento sério. Não mesmo. Eu sei que mais dias ou menos dias eu vou acabar achando alguma maluca que vai saber ligar os botões certos. E aposto que vai ser quando eu menos esperar. Enquanto isso, vou buscando essa maluca por aí. No trabalho, no emprego ou nesses encontros malucos. Afinal, viver não é isso?

- Até que? – Eu aproximo o meu rosto e falo com um tom mais baixo, meio sacana.

- Ele saca esse tubo gigantesco de KY e começa a passar nelas. Nessa hora, todas ficam irritadas, param a relação e vão embora.

- Por quê?

- Sabe como é, sexo anal não é uma coisa muito difundida entre as mulheres ainda.

- Sério? Eu não acho....

- Não diga? Que máximo! Acho que finalmente eu encontrei o final do meu conto!

- Ah, seu sacana! – E antes que ela pudesse falar mais uma coisa, eu a peguei pela nuca e a beijei. Não nos entendemos de início, mas ao longo da noite o negócio foi se acertando. Levou menos tempo do que eu pensava para pedirmos a conta e chegamos mais rápido do que eu achava naquela cama de motel. Tudo bem, não rolou KY, mas também eu não sou nenhum escritor de contos eróticos. De qualquer maneira, consegui escrever um final feliz para o pequeno Vic. Afinal, viver não é isso?


segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Búzios: Uma história que conta tudo, mas não diz nada

Está publicado no blog Chamberlaws o texto "Búzios: Uma história que conta tudo, mas não diz nada". Postado originalmente em Dez de Maio de 2005, esse pequeno relato de um fim de semana na endinherada cidade da Região dos Lagos é um dos mais lembrados pelos leitores mais antigos.

Curiosidades:

1 - Esse texto ainda é da época que o meu nariz comandava algumas decisões da minha vida.

2 - Alguns dias que eu retornei desse churrasco, escrevi o conto "Amigo estou aqui" que foi publicado esse ano aqui no Blog. Nesse conto, eu faço uma singela homenagem ao Seu Leopoldo original.

3 - killer Klowns from Outer Space continua um clássico dos filmes B.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Sutilezas

O bar na sexta-feira sempre está mais animado. Geralmente na sexta o pessoal está com disposição para beber, o que já não acontece no Sábado onde muitos acreditam que é uma obrigação. A diferença é sutil, nem todos percebem, mas eu consigo perceber isso até no cheiro.

Lucas, meu amigo gordo, marcou de tomar umas geladas comigo. Parti direto do trabalho. Gravata afrouxada, barba por fazer e calça social. Se existe uma coisa que eu odeio no meu trabalho é o diabo da calça social. Ela é uma espécie de Miss Universo das calças. Ela é mais leve que um jeans, mais bonita que um jeans mas não é uma boa calça. Assim como a Miss Brasil, Universo ou qualquer outra Miss. É bonita, educada e coisa e tal, mas parece que falta alguma coisa para ser uma mulher de verdade. A diferença é sutil, nem todos concordam, mas eu não trocaria uma mulher de bar, com risos altos e gostosos e um cigarro no canto da boca por uma Miss.

Então eu estava solitário nesse bar, tomando chope no balcão e matando tempo para o Lucas chegar. Ele estava esperando dar umas nove horas para fechar a locadora. Na calçada uma grande mesa. Universitários, eu chutei. Mas tinham um ou dois sujeitos com sotaque. Tinham umas mulheres no canto conversando e os homens estavam em pé, rindo bastante. Pedi um sanduíche de pernil com abacaxi. Um dos meus prediletos em botecos. Existe uma coisa no sanduíche de pernil com abacaxi desses pés sujos que me atrai. Eu não sei dizer o que é. Já fiz várias vezes o mesmo sanduíche, com os mesmo ingredientes em casa e não rolou. O caseiro fica gostoso, mas o do bar tem um gostinho de mal feito. A diferença é sutil, uns atribuem a chapa engordurada, dizem que o abacaxi absorve aquela gordura o que em casa não acontece. Eu acredito que seja verdade.

Comi meu sanduíche observando o papo das meninas. Falavam de cabelo. Sabiam tudo do assunto. Como o cabelo se comporta no vento, na chuva, no calor, no frio, em ambientes fechados e toda essa porcaria. Não sei por que, mas comecei a reparar nessa loira nariguda. Eu nunca fui fã das narigudas, mas aquela tinha uma beleza peculiar. Uma diferença sutil, que um sujeito que estava em pé notou muito antes de mim, e isso explicava porque os dois estavam namorando. Desisti da loira e comecei a oferecer os meus olhares a uma baixinha.

Pedi outro chope e decidi dá uma reparada na rapaziada para ver se alguém estava com a baixinha. Em pé os homens falavam de futebol. Sabiam tudo do assunto. Como o Joel deveria escalar o Flamengo, o que o Botafogo deveria fazer para se manter na liderança e a invencibilidade quase sobrenatural do Vasco nos jogos em casa. Eu tinha acertado, tinham dois paulistas naquele grupo. Um era Palmeirense e o outro São Paulino. Eles usavam calças sociais e o resto do grupo jeans. Uma diferença sutil.

A baixinha se desgarrou do rebanho e veio em minha direção. Fiquei estático. Não tinha notado ela me olhando. Ela passou por mim, trocamos olhares e ela seguiu até o banheiro. Fiquei na dúvida se olhar dela era me dando condição ou se era um olhar de “por que esse psicopata está me encarando”. Parece que não, mas a diferença do olhar de uma mulher é sutil. Bem sutil e muitos não entendem muito bem o que quer dizer. Eu faço parte desse nada seleto grupo.

Decidi eu mesmo dar uma mijada. Já estava no quarto chope e nada de Lucas. Fui até o banheiro e fiquei vigiando se a minha calça social não ia fazer nenhuma gracinha. Sei lá, desejar a paz mundial ou qualquer coisa estúpida parecida. Fiz tudo muito rápido porque não queria perder a volta da baixinha. Encostei no balcão e fiquei na marcação. Tentava mostrar tranqüilidade e desinteresse enquanto aguardava. Essa diferença sutil na hora de chegar numa mulher pode ser vital.

Ela saiu do banheiro e eu ainda não tinha decidido se chegava ou não. Nem tive tempo para decidir. Ela veio ao meu encontro e perguntou se a gente não se conhecia, eu respondi que possivelmente sim porque não esquecia facilmente um sorriso bonito. Ela agradeceu e perguntou de onde era. Eu respondi que não sabia e quis saber onde ela morava, o que ela fazia. Ela respondeu que morava na Tijuca mas que estudava ali em Botafogo. Eu disse que provavelmente a gente se conhecia de alguma festinha maluca da vida. Ela concordou e começou a olhar para as amigas. Eu convidei para tomar um chope comigo e ela disse que não dava. Eu insisti dizendo que não era nada de mais só para descobrirmos onde já tínhamos nos esbarrados e ela falou que provavelmente na próxima vez e disse para eu tomar mais cuidado quando eu fosse ao banheiro. Eu não entendi nada e ela se foi. Tomei mais um chope e o gordo chegou. Paguei a conta e seguimos para um outro bar. Antes de ir, mandei um tchau para ela e ela me respondeu com outro e riu junto com as amigas. Lucas me perguntou o que aconteceu e eu contei tudo que tinha rolado. Como estava ali paquerando a baixinha, como ela tinha sido simpática, como ela tinha ido embora e como ela tinha falado para eu tomar cuidado quando fosse ao banheiro. Lucas de uma boa olhada em mim e me mostrou a diferença sutil entre um homem interessante e um completo idiota: os pingos de mijo marcando a calça.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Vale a pena ler de novo

Com aquela história de ter o blog censurado pelo Ministério Público, muitos posts foram perdidos, apagados da história virtual. Muitos leitores pedem que eu republique alguns textos, mas sinceramente eu nunca tinha pensado num formato legal para isso.

Em paralelo, o pessoal do blog Chamberlaws me convidou para escrever alguns textos para eles. E-mail vai, E-mail vem, combinamos então utlizar esse espaço para republicar alguns textos antigos.

O primeiro texto que eu selecionei foi do Chope Corporativo já que tinha haver com o meu último post.

O próximo com certeza será do Churrasco em Búzios que eu acho que é um dos mais lembrados pelos leitores. Mas eu aviso por aqui.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Ai, se eles me pegam agora





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Para ser bem sincero, não é o meu tipo de lugar. Primeiro que não é um bar, apesar de enganar bem pelo visual e pelo chope bem gelado e bem tirado. Depois, por ficar no coração do Jardim Botânico, ou seja, lugar de pessoal com bufunfa. De qualquer forma, aceitei ir nessa pizzaria chique para alegar o pessoal do trabalho.

Já escrevi uma vez sobre isso. Chope corporativo não é muito meu forte. Eles são tão óbvios. Era aniversário de fulaninha que trabalha no financeiro. Tudo bem, vamos lá fazer uma média, aumentar a minha rede de relacionamentos e essas coisas que a revista Você S/A recomenda o tempo todo.

Assim como existem pessoas que gostam de cachorros, pessoas que gostam de gatos e solteironas que possuem os dois e mais um papagaio, existem as pessoas que gostam de pizza, pessoas que gostam de sanduíche e gordos inveterados que comem tudo e ainda rebatem uma feijoada. Bem, eu sou uma pessoa de cachorros e sanduíches, apesar de saber que não dá certo misturar os dois. O gosto é bom porém um sanduíche de cachorro pode ter muito pêlo.

Fato é que não me empolguei muito com a pizza e parti pro chope. Isso também não é muito recomendado pela revista Você S/A. Dizem que você deve ser comportar bem nesse tipo de evento. Eu prefiro ser autêntico. Ô garçom, desce mais um aqui pro seu camarada. E vamos lá. Em menos de uma hora, eu já era o cara mais falante da mesa. E pode descer mais um, meu amigo.

O papinho estava monótono. Mais uma vez aquele velho assunto de trabalho. E eles estavam ferrenhos. Tentei puxar assuntos mais interessantes, como o vídeo no You Tube ensinando a fazer sexo anal, mas não rendeu muito. Eles estavam empolgados em falar de trabalho. Nisso, me retrai e comecei a saborear uma bebedeira solitária.

Eu não sei quando deu essa vontade de mijar. Se fosse arriscar um palpite, diria que foi alguma coisa entre sétimo e o nono chope. Com certeza eu teria ido no quinto se soubesse o quanto longe era o banheiro.

Cheguei ao banheiro e me surpreendi. Lugar estranho. Rolava uma parte que era com céu aberto, umas cadeiras, uma mesa e um cinzeiro. Fiquei imaginando que tipo de sujeito estranho se senta ali para fumar um cigarro e ficar manjando as rolas. Se ainda fosse no banheiro feminino, eu entenderia. Mulher gosta de fofocar no banheiro e tudo mais. Que se foda. Segui pro mictório e comecei.

Não demorou muito e um malandro parou no mictório do meu lado. Isso é irritante. O banheiro todo vazio e o desgraçado para logo no vizinho. Devia ter um banheiro separados só pros manjas. Aposto que deve ter sido idéia desse desgraçado o lance das cadeiras no banheiro. Não pude me conter. Tive que dá uma sacada pra ver a cara do sujeito e quando viro me deparo com Chico Buarque.

Pois é, não era um malandro e sim o malandro. Odeio decepcionar os fãs de uma boa MPB, mas Chico Buarque é manja rola. Brincadeira, não vou sacanear assim o Chico. Certamente deve ter sido um deslize. Mas eu fiquei postado, sem raciocínio, com o meu caro amigo na mão. E Chico Buarque ali, ao meu lado, com seu cálice desejado por muitas mulheres no mundo todo. E foi nesse momento que eu comecei a me perguntar se eu deveria ter a minha primeira experiência homossexual.

Eu sou um beberrão. Um alcoólatra. Um perdido. Bebi em vários tipos de bares e mijei nos mais diferentes tipos de banheiro. Devo conhecer, por baixo, mais de duzentos banheiros diferentes no Estado do Rio de Janeiro. Posso confessar, às vezes acontece de você ver uma rola uma vez ou outra sem querer. Tu entras no banheiro e às vezes tem um filho da puta quase na pia e com a mangueira na mão. Infelizmente acontece. Fora isso, tinha o banho da educação física no colégio. Uma porrada de homem tomando banho em um vestiário minúsculo. Acontecia de você acabar vendo uma banana ou outra. Teve também a vez que eu fui me alistar. O sargento fechou a sala e mandou mais de 40 malucos baixarem as calças juntos. Você acaba vendo, mesmo sem querer.

Mas naquele banheiro, eu com meu guri na mão e Chico ao meu lado com seu zepelim prateado pra fora foi a primeira vez que eu tive vontade de dar uma manjada. Não era uma rola qualquer, era uma rola que havia sido exilada durante o regime militar. E se a ditadura ficou com tanto medo daquela pica que a isolou na Europa, devia ser uma senhora rola. Por outro lado, olhar para um mastro assim, de forma consciente é uma experiência homossexual. Sem sombra de dúvidas. Macho que é macho não anda por ai manjando picas em banheiro, por mais genial que a pica seja.

Então, estava eu lá com o meu profeta embriagado na mão e Chico com seu poeta delirante ao lado. Eu falava comigo mesmo sobre aquela vontade de manjar o Chico: “Vai passar! Vai passar!”. Se fosse Caetano, eu dispensava na mesma hora. Se fosse Gil, eu esconderia para ele não me palmear. Chico era tentador. Rezava para que o Pai afastasse de mim aquela vontade.

Mas era Chico Buarque. Na época da faculdade, você nem podia ir a certas festinhas se não soubesse pelo menos umas dez músicas do Chico de cor. Quantas maconheiras eu não comi citando Chico Buarque? Quantas vezes eu não cantei bêbado, junto com tudo que é nego torto, “Apesar de você”? Eu devia aquela manjada ao Chico.

Pois é, não resisti. Coloquei o meu prefeito de joelhos e fui olhar o bispo de olhos vermelhos do Chico. E digo mais, manjei daquela vez como se fosse à última. E espero que seja. Comecei com uma olhadela um pouco tímida, mas depois parti para aquela secada de respeito. Ora bolas, se eu tivesse escrito “A Opera do Malandro” eu também iria querer que os outros me manjassem na rua. Na verdade, iria mostrar a minha rola paratodos, dar uma, duas, três piruetas e ainda ia exigir que todo mundo gritasse “Bravo! Bravo!”.

Estava eu segurando o Vic e Chico segurando o Buarque. Posso definir aquela nossa situação com o nome de uma música do Chico: Trocando em miúdos. Nada de especial. Confesso que é uma rola cansada. E não poderia ser diferente. Marieta colou nela como se fosse tatuagem durante anos. Fora os quebretes que Chico deve ter dado por ai em suas andanças pelo mundo quando estava na flor da idade. Em fim, eu sei que não existem pecados ao sul do Equador e não me arrependo pela manjada, mas confesso que não repetiria a dose.

Finalmente dei aquela balançada e saí. Senti que Chico ficou um pouco arisco com aquela manjada. Ele veio até a pia logo depois de mim. Pensei em perguntar se ele era fã de Toquinho, sabe como é, para quebrar o gelo. Mas desisti. E quando fomos disputar o papel toalha foi que rolou o momento “Olhos nos olhos”. E que olhos! Realmente um homem com aquele talento musical e com aqueles olhos verdes, não poderia ter uma grande tropicália. Seria injusto com os meros mortais. Chico foi simpático, me mandou um sorriso. Eu ri de volta e não consegui falar muito coisa além de:

- Roubei todos os seus discos do meu pai.

- Ele deve ter ficado chateado.

- Mas valeu a pena.

- Obrigado.

E partiu. A banda passou e eu fiquei. Sentei na cadeira dos manjas rolas e fumei um cigarro. Não foi uma atitude inteligente, mas não é todo dia que você manja o Chico Buarque e devo confessar uma coisa a vocês. São desses pequenos, minúsculos, efêmeros momentos que a vida é feita. Tenham certeza disso.

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quarta-feira, 11 de julho de 2007

O homem e sua libido

Dizem que um homem pode conseguir todas as bundas por aí, mas nunca encontrará nelas a felicidade de um verdadeiro amor. Como eu já desisti de encontrar a felicidade, partir atrás de uns traseiros nesse churrasco abonado na Barra da Tijuca.

Assis, meu amigo pegador, foi quem descolou esse lance universitário. Fiz pinta de intelectual de meia idade ao me misturar com aquelas pessoas que eram íntimos de Marx, apreciavam um bom Chico, não dispensavam um bom carteado, mas o que gostam mesmo é de uma clássica bebedeira.

Sempre que estou com universitários e jogos de carta, eu me dou bem. Geralmente são pessoas com boa informação e bastante tempo disponível, ou seja, intelectuais ou vagabundos em potencial. Porém, eles nunca conseguem se sair muito bem em nenhuma das duas coisas. Eu, pelo menos, me dediquei de corpo e alma na arte da vagabundagem.

Eu estava tomando um uísque barato e levando numa boa todas aquelas rodadas de sueca. Muita gente não saca, mas o lance de qualquer carteado é saber contar e fazer muito bem o macete de acelerar ou reduzir a velocidade do jogo. No caso da Sueca é só saber contar até dez e dá umas bagunçadas na rodada do destrunfe. Coisa de criança.

Mas vocês não estão aqui para ter aulas de sueca e muito menos eu estava a fim de perder o meu tempo com jogo, desde o momento que aquela loirinha de óculos quadrados entrou na rodinha de carteado. Fiquei nervoso. Mandei para o Assis o velho olhar de homem no cio - sacam aquela apertada no olho safada? – e ele deu carta branca para ir em frente. Não que eu fosse me importar se ela estava acompanhada com a segunda dose daquela droga de uísque na cabeça, mas é sempre bom ter um apoio.

Decidi acabar de forma rápida o jogo e partir para as loiras. A Skol gelada e a dos óculos engraçados. Chamei pra perto do isopor, onde eu poderia controlar o nosso nível alcoólico e ainda olhar algum outro plano B caso tomasse um toco. Realmente não estou melhor da minha fase de pegador e as minhas frases geniais não estão saindo tão bem quanto há um tempo atrás. Talvez a velhice esteja me alcançando ou estou sendo ultrapassado por essa nova geração do “cala boca e beija logo”. Logo eu, que sempre tive o timming certo para finalizar uma pegação. Mas parece que o GAP entre o papo furado e o beijo vem diminuindo com o tempo.

Antigamente, eu me garantia muito bem com a técnica dos quatros tempos. Primeiro eu entrava no papo de onde ela morava, passava rapidamente para o papo do que ela fazia da vida e quando ela estava se empolgando com o papinho de emprego/estudo eu chagava no terceiro tempo apontando o cara mais aviadado da festa e perguntava: “não vai me dizer que você veio com aquele cara?”. Ela sempre ria e dizia que não e entravamos no quarto tempo com a clássica frase “então você veio aqui pra conhecer um homem de verdade”.

Putz, tenta fazer isso hoje em dia. O que reina é a técnica do ½ tempo. Essas drogas de micaretas. Acabaram com toda arte do romantismo das cantadas pré-programadas.

De qualquer forma, acho que a loira percebeu que eu estava um pouco nervoso. E entrou numa verve errada de querer ser a minha “guia espiritual”.

- Você me parece um pouco vacilante nas suas palavras, Vic.

- É. Eu fico um pouco assim perto de alguém mais inteligente do que eu. – Esse é a velha escapatória: quando não souber o que dizer, elogie. Quando souber, elogie mais ainda.

- Que isso. Você não precisa se diminuir assim.

- Eu não estou me diminuindo. É verdade; O que é bom. Hoje você conversa com essas meninas por aí e é só “blá, blá, blá”.....

- Nada. Você está se sinto menor, só porque não desenvolveu a sua inteligência emocional assim como eu.

- Pois é, eu bem que reparei que você – eu estava pronto pra encaixar mais alguma babaquice quando parei – O que você disse?

- Inteligência emocional, saca? Você tem que tentar estar em harmonia com o ambiente e com as coisas para poder tirar o melhor de qualquer situação.

- Ah sim....

- Por exemplo, esse churrasco. É uma avalanche de sentimentos exacerbados. Uns estão muito felizes, outros estão muito triste e a maioria esta realmente muito frustrada com suas vidas e seus sonhos. Você tem que estar acima disso tudo. Mais equilibrado do que o ambiente.

- E como você faz isso? Lendo as áureas das pessoas? – falei de forma sarcástica e para a minha surpresa:

- Sim. Com a pratica você começa a perceber. – bem, já estava na hora de começar a encaixar as piadas já que a pegação estava indo para cucuia.

- E o que eu tenho que fumar para isso?

- Você só será um bom observador da alma se for um bom observador do corpo.

- Eu adoraria observar p seu corpo mais de perto.

- O homem e sua libido. Quando você aprender a controlar todas as suas emoções, você se tornará uma pessoa melhor.

- E poderei tirar o melhor de qualquer situação?

- Exatamente. – loira maluca. Certamente o Assis sabia em que furada eu estava me metendo e mandou eu ir em frente de sacanagem.

- E como você esta tirando o melhor dessa situação?

- É tão óbvio. Eu estou lhe transformando em uma pessoa melhor. E depois que eu conseguir, você também terá o poder de transmutar as pessoas.

- Você só pode estar de sacanagem....

- Nada. Imaginei que você, por ser mais velho do que a maioria aqui, teria uma mente mais aberta. Você é aquilo que você dá para o mundo.

- Uma vez eu li que eu era aquilo que eu comia.

- É verdade também.

- Então, hoje eu sei o que eu não serei.

- O que?

- Você.

Peguei mais uma lata e parti para o outro lado do churrasco. Estava em busca do Assis. Não precisava um cara pegador como ele me sabotar dessa maneira. Me fez lembrar a porra do Ano Novo quando fiquei metendo uns papos de astrologia pra pegar uma hippie.

- E ai, Assis?

- Tá no papo?

- Tu só pode estar de sacanagem. Você me manda a presidenta da Sociedade Alternativa. Eu queria pegar uma mulher e não virar um hari krishna.

- Não, Vic, você entendeu tudo errado. Você a dispensou?

- Claro. Daqui a pouco a mulher estava lendo a minha mão.

- Putz, tu não sacou a da mulher. Se você continuar dando trela, ela sempre acaba te pegando. Você não precisa fazer nada.

- O que?

- É. Sei lá. Ela é maluca assim mesmo. Mas é uma maluca gostosa, o que é uma coisa muito boa. Ela é gente boa. E o melhor, tem um piercing na língua. Você nunca recebeu um beijo igual. – putz, fiquei bolado. Piercing na língua é uma das melhoras invenções desse mundo desde o Jack Daniel’s.

- Você está de sacanagem. Conversei com ela um tempão e não vi nada.

- Tô falando a verdade, Vic.

- Agora eu já fudi com tudo.

- Nada. Volta lá e continua com o papo.

- E o que eu vou fazer? Levar uma tabua de ouija para me desculpar?

- Sei lá o que você vai fazer. Fala que caiu de um disco voador, que viu nas cartas de Tarot que estava na hora de vocês tomarem outra juntos, qualquer coisa.

- Puta que pariu.

Fiz a minha viagem astral até o outro lado do churrasco mas não encontrei a maluca. Deve ter desencarnado ou algo parecido, porque dei uma bela procurada e não encontrei mais. Voltei para o que eu sabia fazer bem, a mesa de carteado. Peguei outro uísque para dar uma amaciada no estômago e tentei não me importar.

Mas não conseguia. Fiquei em desequilíbrio com o ambiente. Essas coisas de quem é burro emocionalmente. Não conseguia me concentrar em nenhuma outra mulher ou outro papo. Na minha mente eu só pensava na porra do piercing na língua. Comecei a perder nas cartas, mas nem isso me empolgava. No final, só me restou a bebedeira.

Só vi a maluca quando já havia escurecido. Tinha reaparecido na festa com um outro doido. A história que o pessoal estava contando é que eles tinham saído para comprar cigarro e demoraram umas três horas. Aquele era um cara que sabia tirar o melhor de qualquer situação. Uma ou duas cervejas depois, eu e Assis fomos embora. Fui até ela para me despedir. Talvez arriscar um telefone. Mas quando eu cheguei pra falar, o maluco chegou junto. Mandei uma careta e ela me mandou outra. E juro a vocês que foi a primeira vez que eu fiquei excitado só de ver um pedacinho minúsculo de metal. Pois é, o homem e sua libido.