quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Sem Sentido

Depois de beber algumas doses de whisk com o meu amigo Lucas, o gordo, fui no banheiro para dar uma aliviada. Foi quando eu escutei:

- Ei! – Não olhei. Concentrei-me para continuar mijando. Mas a voz era insistente.

- Estou falando com você. – eu já estava puto. Dei uma virada para encarar a bichona que estava tentando me cantar, mas não vi ninguém. E de repente:

- Deixa de ser mané. Eu estou aqui no espelho.

Segui até o espelho e lá dentro do espelho estava um garoto de 17 anos, com uma garrafa de whisk na mão e uma camisa do Iron.

- Blusa maneira. Eu tinha uma igual na sua idade. – Ele sorriu e respondeu:

- Eu sei. Quer um gole? - Entrei pelo espelho junto com o moleque. Ele me passou a garrafa e me deu boas vindas

- Bem vindo, ao estranho mundo de Jack Daniel’s !

- Pois é. Eu já conheço isso. Fui eu que batizei essa porra.

Fomos dar uma volta. Estava rolando uma espécie de festa no cenário do Mad Max. Muito pessoal de couro e umas loiras servindo bebida na boca das pessoas. Elas faziam uns lances com as pernas e os peitos que desafiavam a lógica e a gravidade. Seguimos até o Junk Box e o moleque me pergunta:

- Qual vai ser?

- Coloca Born to be Wild.

- Não estou falando da música. Isso eu já sei. Você é tão óbvio.

- Está falando de que, o fedelho?

- Do futuro. Qual vai ser do futuro.

Então dei uma bela olhada naquele moleque de 17 anos cheio de vida pela frente e de cagadas também. A vida dele é um livro aberto para mim. Podia preveni-lo de algumas tempestades, mas o que ia adiantar? Espirituoso e cabeça dura com certeza ele iria fazer as mesmas burradas. Eu só podia dizer uma coisa para ele:

- Se um dia você resolver vender a sua coleção de MAD, não faça. – Ele concordou. Talvez ele realmente não venda. Pedi para ele pegar uma garrafa de JD, colocar em uma caixa e enterrar nas plantas do playground do prédio dele.

- Pra que?

- Pro futuro. Faça isso e só beba daqui a uns 14 anos. Você verá que o whisk terá um gosto diferente.

- Que babaquice.

- Não deixe de fazer. É mais uma assunto interessante para você contar para uma ruiva em uma festa rock and roll. Talvez você até coma ela.
- Tipo quem? Tipo aquela ali.

- É tipo a Amanda.

- Eu nunca irei conseguir ficar com uma mulher daquele nipe.

- Claro que consegue. Vai lá falar com ela e diga que um coroa estava te perturbando sobre enterrar uma garrafa de whisk.

- Valeu tio.

- Valeu.

O garoto foi e eu fui para o banheiro. Passei pelo espelho. Lucas já devia estar meio puto com a minha demora.

- Tava tocando punheta?

- Não, seu gordo, dando uma cagada.

- Demorou tanto que acabou a bebida.

- Deixa comigo, acabei de lembrar que eu sei onde tem outra garrafa.

- Sério?

- Tem uma enterrada no play do meu prédio.

- Quem faria uma asneira dessas?

- Um moleque burro.

- Ele vai ficar puto quando for procurar a garrafa.

- Com certeza. Com certeza.

6 comentários:

  1. porra vic! o conto do freud foi foda! muito bom mesmo! o do carnaval foi animal e esse também!

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  2. Quero o meu capacitador de fluxo...

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  3. esse me lembrou um livro do Fernando Sabino (Menino no Espelho)
    como dizem: o menino é pai do homem

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  4. caracaaaaaa


    muito bom

    muitooooo bommmmm essse post

    cara ta de parabens...

    hauahuahuah


    ^^

    fuizzzzzzz

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  5. Excelente como sempre!

    Parabéns!

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