segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Contos Eróticos

Fui conhecer essa mulher, sem muita expectativa e nenhum truque no bolso. Conhecida de uma conhecida que queria me conhecer. Essas coisas de gente desesperada, solteira e que já passou dos trinta. Tenho medo desse tipo de pessoa. Na verdade, tenho medo de qualquer um que já passou dos trinta, ainda é solteiro e não tem nenhuma desculpa convincente para esse fato. Se eu conheço uma mulher e ela fala que namorou uns 10 anos e depois não deu certo, tudo bem. Isso é uma bela desculpa. Agora se eu conheço uma mulher e ela fala que estava se dedicando a sua carreira ou não encontrou ninguém, meu alerta acende na hora. Estou diante de alguma maluca cheia de manias. Ou possessiva, ou carente, ou os dois.

- Oi, eu sou Marta. A Rita sempre fala muito bem de você. – Estávamos em um bar. Ela não era muito bonita, mas tinha seu charme. Eu estava meio sem graça, sendo um pouco a atração da noite. Afinal, ela era que queria me conhecer.

- Prazer, Marta. Eu sou Vic e creio que a Rita é uma mentirosa, porque não tem muita coisa boa para falar de mim. – Ela riu e eu procurei logo o garçom para pedir um chope. E agora? O que eu deveria fazer? Dá um autógrafo? Colocar meu pau em cima da mesa e perguntar se ela gostou? Odeio esses encontros arranjados. Nunca sei como agir.

Eu sou preconceituoso. Admito. Eu também não tenho nenhuma desculpa convincente para estar solteiro depois dos trinta. Isso é fato. Eu podia falar que estava cheirando enquanto estava na idade de conhecer alguém legal. É a pura verdade. Porque apesar de eu ter arrumado umas mulheres aqui e ali nenhuma maluca iria colar em um cara com nariz de farinha. Mas agora que estou limpo há mais de um ano, eu quero enterrar esse passado. Imagina chegar numa mulher e falar que é um ex-viciado em cocaína. É melhor falar que tem herpes, ou coisa parecida.

- Então você é amigo de trabalho da Rita? – Tudo bem, Marta, vamos nos esforçar para tirar alguma água daqui.

- É. Ela é gente boa e uma das poucas que entende as minhas piadas. – Sério, Marta? Eu não consigo imaginar uma criança de três anos chamada Marta. Aposto que essa mulher já nasceu com uns 28. A mãe dessa mulher deve ter muito mal gosto. Espero que já esteja morta.

- Ela falou que você é engraçado. O que é bom, porque eu adoro homens engraçados. – Ok, meu bem. Eu conto as piadas e você paga o chope e assim todo mundo saí feliz, que tal?

Existe um fato assustador de você ficar solteiro e envelhecendo. A cada dia você adquire uma nova mania que você não vai querer abrir mão depois de casado. Eu, por exemplo, passo umas três ou quatro horas no computador escrevendo. Posso até reduzir esse tempo para duas horas. Mas imaginem, eu chego do trabalho, tomo um banho, janto com a minha esposa e vou para o computador e só saio de lá meia-noite. Como um relacionamento desses pode dar certo? Ai, vocês vão dizer: porra, larga a escrita e vai dar atenção a sua mulher! Eu respondo: Mas eu não sou muito bonito, o que me faz ganhar as mulheres é a criatividade. Se eu parar de escrever, que é uma coisa que me diferencia dos outros machos provavelmente em uns dois anos ela vai dar para um cara mais bonito ou mais interessante do que eu. Final da história: eu vou ser um feio, desinteressante e corno. Esse negócio de relacionamento é muito complicado.

- Ela me disse que você escreve. Eu acho isso o máximo! Eu queria ser escritora! – A Rita é uma das poucas do meu trabalho que eu mostrei alguns contos meus. Ela adorou e me chamou para fumar um baseado com ela. Tinha que ver a cara de decepção da mulher quando eu falei que agora eu era careta.

- É. Eu bato umas teclas aqui e ali. – Eu já sabia qual era a próxima pergunta dela, só não sabia ainda a resposta que ia dar.

- Você escreve sobre o que? – Foi nessa hora que eu resolvi aloprar. Só tinha uma jeito de deixar aquela noite interessante.

- Eu escrevo contos eróticos.

Outra coisa me complica na hora de eu arrumar uma mulher para um relacionamento mais sério. O Sexo. Eu não sou nenhum Don Juan, mas eu tive a minha parcela de mulheres. Umas beijavam bem, outras eram lindas, outras tinham ótimo papo, outras transavam como loucas, outras possuíam a garganta mais profunda. Eu não sou nenhum Dr. Frankenstein tentando juntar tudo isso em uma mulher, mas gostaria que ela tivesse pelo menos três de várias qualidades que eu posso imaginar. Eu não quero me juntar com uma ninfomaníaca que não consegue abrir a boca a não ser para pagar boquete (bem, não por mais de 6 meses!). Também não vou ficar com nenhuma mocréia só porque ela sabe discursar sobre Feuerbach como ninguém.

- Agora eu fiquei curiosa. Fale-me sobre os seus contos. – Sabia! Essas balzaquianas adoram uma sacanagem. Ficam excitadas com o sexo verbal.

- Sobre eles? Eu tenho mais de 100 contos eróticos escritos! – Mais uma vez eu ganhando tempo.

- Me diga um que te marcou. – Eu iria falar um engraçado, pra depois passar para toscaria. Não era um plano perfeito, mas pelo menos eu tinha algum. Se ela ficasse puta, eu ainda podia cair fora, dar um pulo no Empório em Ipanema e tentar arrumar alguém.

- Bem, tinha esse de uma mulher que ela ia na casa dos amigos para se masturbar com a escova de dentes deles. – Eu estudava a reação dela. Não é que a desgraçada sem perceber, passava a sua mão para cima e para baixo na tulipa? Ela estava masturbando o copo de chope! Devia estar desesperada.

- Nossa! E como acaba?

- Ela casa com um amigo que tinha uma escova elétrica. – E fiz uma cara de babaca. Ela riu como uma louca:

- Perfeito! Você é demais. Fala outro! – Isso. Fisgou a isca.

- Tem esse outro que eu estou escrevendo. É sobre um cara, trinta e poucos anos, ainda solteiro. As mulheres o acham interessante e vez ou outra uma aparece querendo conhecê-lo. – Bem, ela não era muito bonita, mas eu também não sou e já faz um tempinho que eu não coloco o pequeno Vic para trabalhar.

- Hum... E aí?

- E daí que sempre rola um papo legal, eles tomam chope, papo vai, papo vem, vão para cama. – Solto um sorriso e ela responde de volta. Inclina o corpo para ouvir melhor. Essa mulher deve estar a mais tempo sem sexo do que o pequeno Vic.


- E?

- O cara se transforma. Usa a língua de maneiras que as mulheres não imaginam, acelera e reduz a velocidade do sexo deixando elas loucas. Trata como cachorra e depois fica delicado. As mulheres vão ficando malucas até...

Mas a verdade é que eu estou escrevendo sobre isso, mas não estou muito preocupado em arrumar um relacionamento sério. Não mesmo. Eu sei que mais dias ou menos dias eu vou acabar achando alguma maluca que vai saber ligar os botões certos. E aposto que vai ser quando eu menos esperar. Enquanto isso, vou buscando essa maluca por aí. No trabalho, no emprego ou nesses encontros malucos. Afinal, viver não é isso?

- Até que? – Eu aproximo o meu rosto e falo com um tom mais baixo, meio sacana.

- Ele saca esse tubo gigantesco de KY e começa a passar nelas. Nessa hora, todas ficam irritadas, param a relação e vão embora.

- Por quê?

- Sabe como é, sexo anal não é uma coisa muito difundida entre as mulheres ainda.

- Sério? Eu não acho....

- Não diga? Que máximo! Acho que finalmente eu encontrei o final do meu conto!

- Ah, seu sacana! – E antes que ela pudesse falar mais uma coisa, eu a peguei pela nuca e a beijei. Não nos entendemos de início, mas ao longo da noite o negócio foi se acertando. Levou menos tempo do que eu pensava para pedirmos a conta e chegamos mais rápido do que eu achava naquela cama de motel. Tudo bem, não rolou KY, mas também eu não sou nenhum escritor de contos eróticos. De qualquer maneira, consegui escrever um final feliz para o pequeno Vic. Afinal, viver não é isso?


23 comentários:

  1. bom quando as coisas fluem desse jeito... sai barato...rs

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  2. atirou bateu é gol! duvido q ela nao tenha lido o blog antes de ir te dar! hahahaha Abrçs!

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  3. Após tantos episódios trágicos, finalmente um com final feliz!!!

    Valeu Vic!!

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  4. o pior peso que se pode carregar é esse: o da falta!
    hehehehe
    tudo termina bem quando acaba bem!

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  5. ...se isso der certo você vai ter que providenciar esses contos.

    Campeão!!

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  6. muito bom! hehehe!
    parabéns pela criatividade!

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  7. Não sei porque mais, toda vez que leio algo seu, só me lembro da banda velhas virgens..

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. Lia o antigo blog ainda, e queria saber se nao tem como ter acesso aos antiigos contos...
    tem?
    muuito obrigada

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  10. HAHAHAHAHAHAHAHA!
    VC ME FAZ PASSAR VERGONHA NO ESCRITORIO COM AS GARGALHADAS Q SOLTO!

    CONTOS EROTICOS!
    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

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  11. Aposto que rolou um "fio-terra"...

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  12. Já entrou em campo com a vantagem do empate foi so administrar o resultado.

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  13. Essas mulheres desse perfil tabmem me assustam... e no geral na maioria das vezes estao mais na 'seca' do que nós homens de 30
    Gostei do texto... Me lembrou um pouco um conto do Dalton Trevisan.
    Keep Drinking!

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  14. Pequeno Vic feliz... um ótimo conto no blog...
    Muito boa!

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  15. Boa... sempre é bom um golzinho pós barzinho... Até rimou! hehe

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  16. Kicking the bucket! Na boa, também sempre me dei melhor quando chutei o balde desse jeito. A gente aprende a dizer o que elas querem ouvir e nem sabem e, caso algo dê errado, estávamos cagando mesmo!

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  17. hehehehe!
    Cara, a moral é a seguinte: a gente ouve tanta lorota nessa vida que, chega uma hora, que decide acreditar em algumas...
    sorte e saúde pra todos - sobretudo pro pequeno Vic.

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  18. Ahahaha. Vir aqui é diversão garantida. Pelo menos pra mim, que não sou a trintona comida pelo Vic, escritor de contos eróticos. Acho que pra ela não seria tão divertido assim... ahahaha

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  19. Fazia um tempão que não passava por aqui.....e continua loko demais!!!!
    Abraço

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  20. Kkkkkkkk oshi é doido.

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