quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Bobeira

É bobeira, eu admito. Esse post de cima fez eu perceber como o meu Word é eletista. Quando eu escrevo palavras como "Ipanema" ou "Cocapacabana" ele entende e não aciona o corretor automático. Mas foi só eu tascar um "Sepetiba" que o corretor entou logo em ação.

Será que a Microsoft esta tentando censurar Sepetiba? Será que o meu blog é o Sepetiba dos blogs?

Deixa pra lá. Como eu disse antes, bobeira. Bobeira...

Sem Sentido

Depois de beber algumas doses de whisk com o meu amigo Lucas, o gordo, fui no banheiro para dar uma aliviada. Foi quando eu escutei:

- Ei! – Não olhei. Concentrei-me para continuar mijando. Mas a voz era insistente.

- Estou falando com você. – eu já estava puto. Dei uma virada para encarar a bichona que estava tentando me cantar, mas não vi ninguém. E de repente:

- Deixa de ser mané. Eu estou aqui no espelho.

Segui até o espelho e lá dentro do espelho estava um garoto de 17 anos, com uma garrafa de whisk na mão e uma camisa do Iron.

- Blusa maneira. Eu tinha uma igual na sua idade. – Ele sorriu e respondeu:

- Eu sei. Quer um gole? - Entrei pelo espelho junto com o moleque. Ele me passou a garrafa e me deu boas vindas

- Bem vindo, ao estranho mundo de Jack Daniel’s !

- Pois é. Eu já conheço isso. Fui eu que batizei essa porra.

Fomos dar uma volta. Estava rolando uma espécie de festa no cenário do Mad Max. Muito pessoal de couro e umas loiras servindo bebida na boca das pessoas. Elas faziam uns lances com as pernas e os peitos que desafiavam a lógica e a gravidade. Seguimos até o Junk Box e o moleque me pergunta:

- Qual vai ser?

- Coloca Born to be Wild.

- Não estou falando da música. Isso eu já sei. Você é tão óbvio.

- Está falando de que, o fedelho?

- Do futuro. Qual vai ser do futuro.

Então dei uma bela olhada naquele moleque de 17 anos cheio de vida pela frente e de cagadas também. A vida dele é um livro aberto para mim. Podia preveni-lo de algumas tempestades, mas o que ia adiantar? Espirituoso e cabeça dura com certeza ele iria fazer as mesmas burradas. Eu só podia dizer uma coisa para ele:

- Se um dia você resolver vender a sua coleção de MAD, não faça. – Ele concordou. Talvez ele realmente não venda. Pedi para ele pegar uma garrafa de JD, colocar em uma caixa e enterrar nas plantas do playground do prédio dele.

- Pra que?

- Pro futuro. Faça isso e só beba daqui a uns 14 anos. Você verá que o whisk terá um gosto diferente.

- Que babaquice.

- Não deixe de fazer. É mais uma assunto interessante para você contar para uma ruiva em uma festa rock and roll. Talvez você até coma ela.
- Tipo quem? Tipo aquela ali.

- É tipo a Amanda.

- Eu nunca irei conseguir ficar com uma mulher daquele nipe.

- Claro que consegue. Vai lá falar com ela e diga que um coroa estava te perturbando sobre enterrar uma garrafa de whisk.

- Valeu tio.

- Valeu.

O garoto foi e eu fui para o banheiro. Passei pelo espelho. Lucas já devia estar meio puto com a minha demora.

- Tava tocando punheta?

- Não, seu gordo, dando uma cagada.

- Demorou tanto que acabou a bebida.

- Deixa comigo, acabei de lembrar que eu sei onde tem outra garrafa.

- Sério?

- Tem uma enterrada no play do meu prédio.

- Quem faria uma asneira dessas?

- Um moleque burro.

- Ele vai ficar puto quando for procurar a garrafa.

- Com certeza. Com certeza.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Freud explica?

Nas tardes frias de Londres, enquanto estava totalmente bicudo sobre os efeitos da cocaína, Sigmund Freud consultou vários pacientes. Durante todos esses anos a medicina tentou esconder esses incríveis relatos do maior expoente da psico-entorpecência.

- Martha, sua vagabunda, mova esse rabo gordo e vá atender a porta!

- Papai! Como você pode falar assim com a mamãe? Você não percebe que vai ferir o Superego dela? – Freud dá uma tapa na bunda de sua esposa e responde a sua filha:

- Fica calma, Anna. Sua mãe não lembrará de nada. Normalmente a mantenho sob hipnose para que obedeça aos meus desejos mais obscuros. – na porta surge Josef Breuer velho amigo do psicanalista. Breuer cumprimenta Martha dando dois apertões em seus peitos.

- Fom! Fom! – Martha dá um sorriso e sai da sala, enquanto Anna recrimina os atos de Breuer:

- Tio Josef, isso é simplesmente repugnante!

- Desculpe minha querida, mas hoje é quarta-feira e sempre permito que meu Id me controle as quartas. Quer sentar aqui no colinho do titio Breuer? – Fredu interrompeu o amigo:

- Anna, minha filha, vai brincar de Banco Semiótico com suas amiguinhas e deixe-me conversar com o meu bom amigo Breuer. – Anna saiu da sala, e Freud continuou – Bem, meu amigo, o que posso fazer por você?

- Sabe, Freud, eu acho que estou tendo algumas alucinações e... – Freud interrompeu o amigo.

- Calma. Tu acha que é assim. Chega apertando os peitinhos da minha mulher, mandando a minha filha sentar no seu colo e vai cuspindo os seus problemas para cima de mim? Tá maluco? Tá doidão? Pode deitar no divã e ir abaixando as calças.

- Que porra é essa Freud?

- Pois é, agora eu tenho uma nova regra. Só atendo pacientes no divã e com roupas intimas. Assim não corro o risco de alguém puxar um revólver no meio da sessão, me render, me estuprar e depois mijar em cima de mim.

- Porra, e quem ia se doido de fazer uma coisa dessas?

- Todos os meus pacientes, cacete! Se eles não fossem doidos não me procurariam!

- Eu não vou tirar coisa nenhuma.

- É ruim de não. Pode ir baixando as calcinhas. E tem mais. Abre a carteira e pode puxar 200 mangos.

- 200? Mas você sempre cobrou 100! Que inflação é essa?

- Nenhuma. Eu continuo cobrando 100. Os outros 100 você tem que rasgar na minha frente pra provar que é maluco de verdade. Eu sou Freud, porra! Os mais picões dos picões da psicanálise! Eu só atendo maluco de verdade, que rasga dinheiro e tudo mais!

- Mas é fácil você ser o maioral da psicanálise, você inventou essa idiotice. Se eu quiser eu sou o melhor jogador de escobola do mundo!

- Que porra é essa de escobola?

- Sei lá, um jogo que eu inventei agora e eu sou o grande campeão!

- Eu heim, que papo de maluco. Tá certo, você me convenceu. Pode rasgar só 50.

- Eu não vou rasgar uma nota de 50!

- Ou rasga 50 ou come a sua própria merda!

- Tá bom, eu vou rasgar 50. Posso contar qual é o meu problema agora?

- Manda, biduzão.

- Eu estou tendo sonhos muito estranhos. Sonho que estou no futuro.

- E?

- E as pessoas são estranhas, não falam mais olhando nos olhos e sim por meios eletrônicos. Eu sonho que no futuro elas falam através de um aparelho portátil chamado celular e mandam cartas eletrônicas chamadas de e-mails.

- Putz, que babaquice. É evidente que você quer comer a sua mãe.

- Não vejo como isso tem haver com a minha mãe.

- Mas você admite que quer comer a sua própria mãe!

- Eu não disse isso!

- Mas também não negou!

- Bem...

- A há!

- Como assim “A há”!

- Esse “bem...”, entregou tudo. Isso é clássico! Ato Falho!

- Isso não é um Ato Fálico.

- A há!

- Que foi?

- Você disse Ato Fálico!

- Eu não disse nada!

- Disse sim!

- E isso também quer dizer que eu quero comer a minha mãe?

- Não! Isso quer dizer que você tem complexo de pênis pequeno!

- Eu não tenho pênis pequeno, pode perguntar para...

- A sua mãe?

- Olha Freud, eu estou cansado dessa baboseira. Toda semana eu venho aqui e toda semana você diz que eu quero comer a minha mãe. Você comeu a sua por acaso?

- Na verdade hipnotizei Martha para que ela se comportasse como a minha mãe.

- E ai?

- Não aconteceu nada. A filha da puta me colocou de castigo e eu passei dois dias dentro do meu quarto até o efeito da hipnose acabar.

- E daí você não tentou mais?

- Tentei mais uma vez?

- Conseguiu?

- Bem, quando ela virou a minha mãe ficou me mandando fazer o dever de casa. Encheu tanto o saco que fui até o espelho e me hipnotizei para acreditar que era meu pai.

- E ai você comeu ela?

- Sim. Fiz exatamente o que meu pai fazia com a minha mãe. Enchi os córneos e comi Martha na porrada.

- Oh...

- Bem, seu tempo acabou meu bom amigo. Boa sorte na sua tentativa de comer a sua mãe.

- Mas eu não quero comer a minha mãe!!!

- É uma pena, você não sabe o que está perdendo....

- Freud, seu filho da puta. Você comeu a minha mãe? Como eu não vi?

- Foi naquele dia que você foi campeão de Escobola.

- Ora seu....

- Parta, meu bom amigo. Depois eu te mando um e-mail com as fotos da sua mãe.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Ler é a maior viagem!

Estávamos lá não necessariamente pelo Carnaval. Isso ficava claro nas estampas de caveiras, de garrafas de whisk e de coisas em chamas em nossas camisas pretas. Mas o certo é que estávamos lá mais ou menos com o mesmo objetivo de todo mundo: ficar bêbado, dar algumas risadas e, com um pouco de sorte, conseguir um belo par de pernas.

Lucas, o gordo, é que tinha dado a idéia de irmos a esse bloco em Laranjeiras. Eu preferia muito bem ficar quieto, tomar algumas latinhas e me preparar para a viagem do dia seguinte. Mas é difícil dizer não para o meu amigo obeso quando ele quer alguma coisa. E é muito mais difícil ficar em casa em uma sexta-feira.

Conosco estava Assis. Empunhando uma garrafa do bom e velho Jack, ele dispara contra mim:

- Quer dizer que agora você é perseguido pela polícia? O que vai fazer quando quiser falar de drogas? - Eu roubo a garrafa de sua mão, dou um belo gole e o Estranho mundo de Jack Daniel’s me dá uma bela idéia:

- Vou continuar falando, mas agora vou trocar qualquer termo que remeta a drogas por escritores. Assim, eles poderão acusar-me de apologia à literatura mundial. Ele recuperou a garrafa:

- Você está bêbado! – Ele estava certo, ninguém agüenta um bloco sóbrio. Eu rebati:

- Sim. Genialmente bêbado.

Ao nosso lado o cara pegava uma magricela vesga. Parece que não existe um padrão ISO para blocos carnavalescos. Do outro lado existe uma rapaziada gritando alguns sambas. Lucas puxou uma nota de dez e trouxe algumas geladas para nós. Vamos misturar e tentar convencer nossos fígados que ainda temos 17 anos. O meu deve ter uns 100, mas eu não estou ligando. Dou mais uma talagada no meu bom amigo Jack. Coloco a garrafa entre as minhas pernas e pego uma Skol e começo a fazer o discurso de abertura:

- Existem algumas coisas imutáveis no nosso mundo. O céu vai continuar lá em cima, o chão aqui em baixo e mais o que? Alguém sabe? – Eles me encaravam curiosos – Bem, a outra coisa é que nosso amigo Assis não vai voltar para casa sozinho. – ele não gostou muito do meu comentário. Assis fica puto quando a gente fala que ele vai Assisar durante a noite. (Assisar é o verbo que a galera usa quando alguém vai pegar uma mulher). Mesmo sendo o cara mais novo da turma e nem muito bonito, o rapaz tem um talento especial. Talvez ele seja o primeiro X-men com um poder realmente útil. Ele mudou de assunto:

- Lá vêm vocês com esse papinho. Olha só, eu vi uma rapaziada lendo um bom Machado de Assis naquela pracinha. Por que a gente não chega lá e dá uma lidinha? – Lucas, um grande viciado em literatura, logo concordou. Eu me recusei:

- Vão lá vocês galera. Já não leio há algum tempo e prefiro continuar iletrado. Fiquem a vontade que eu vou ficar conversando com o meu bom e velho Jack. - E lá foram eles para a sala de leitura. Com certeza Lucas tinha algum livro de Bolso. Provavelmente um Kerouac. Tanto faz.

Fiquei ali observando as pessoas. Uma bela loira chegou perto do homem do isopor e pediu para ele trocar a cerveja dela que estava quente por uma gelada. Que coisa mais maluca, eu pensei. O que aquela doida fez? Comprou cerveja barata no supermercado e ficava trocando? Caramba, a situação financeira da galera não está muito boa mesmo. Pessoal já está mendigando cerveja. Na minha época, quando estávamos quebrados comprávamos uma garrafa de vodka e misturávamos com refrigerante ou com um suco qualquer. Essa nova geração...

Fiquei paquerando uma linda ruiva branquinha. Estava vestida nesse novo visual “rebeldes”, o que ficava difícil precisar a idade. Pensei em ir lá e falar alguma besteira sobre a sua saia, mas eu estava sem muita locomoção com a garrafa de Jack entre os pés, a latinha de cerveja na mão e o Marlboro na boca. Ela estava junto com uma japonesinha vestida da mesma forma. No auge da minha fantasia sexual, uma morena me interrompeu.

- Me empresta o isqueiro? – Era uma mulata. Não era muito bonita, mas tinha um belo corpo. Um par de coxas que podia me quebrar. Ela olhou em direção as “meninas rebeldes” e depois olhou para mim, como se estivesse me repreendendo. Eu dei de ombros e falei:

- Qual é? Não é todo dia que a gente vê dois fetiches juntos.

- Vocês homens... só pensam nisso....

- Nada. Também pensamos em ficar bêbados. – peguei a garrafa e ofereci um gole. Ela aceitou.

- Eu sou Vic.

- Eu sou Tânia. Você está sozinho aí?

- Alguns amigos meus estão lendo Veríssimo ali na praça.

- Você não é chegado em literatura?

- Isso é uma longa história....

- Bem, se quiser podemos te fazer companhia até eles voltarem.

- Você está com quem? – Ela assoviou e uma loirinha baixinha se aproximou. Isso estava ficando bom. A loirinha era daquele estilo baixinha gostosa. Chegou pulando:

- Oi!

- Opa! Eu sou Vic. – E a morena respondeu pela baixinha:

- Essa daqui é a Fê, a minha namorada. – e as duas se abraçaram. Eu quase engasguei com o gole de cerveja. Dei uma risadinha e falei para Tânia:

- Parece que essa é a noite dos fetiches. – E ela respondeu de pronto:

- Não os meus.

Não sei se os caras virão de longe que eu conversava com duas garotas e decidiram fazer uma leitura dinâmica, ou simplesmente só deram uma lidinha rápida no primeiro capítulo, sei que eles logo apareceram para nos fazer companhia. Fui logo me apressando para retirar qualquer vontade escusa de Assis em cima do meu novo casal lésbico de amigas.

- Esses aqui são Assis e Lucas e essas aqui são as minhas novas amigas lésbicas Tânia e Fê. – sinceramente, não sei se isso foi muito inteligente. Assis, como qualquer homem, ao ouvir a palavra “lésbica” ficou mais excitado do que nunca. Tânia, claramente o macho da relação, deixou evidente as suas intenções:

- Parece que nosso amigo Vic estava com problemas de matar essa garrafa de Jack e viemos aqui reforçar o time dele. Algum problema? – Sei lá, acho que eu nunca falei em um tom tão macho quanto a Tânia. Achei foda. Gosto de amigas com personalidade forte.

- Sem nenhum problema – Lucas respondeu com um sorriso – portanto que depois você compareça com algumas geladas. Tânia concordou e ainda acrescentou:

- Quem sabe depois do whisk vocês não me acompanham na Divina Comédia? – Assis na mesma hora concordou e o grande gordo já estava radiante. Ela deu um gole, passou a garrafa para mim e perguntou:

- Qual é, Vic? Abre o jogo! Você tem cara de rato de biblioteca! Nem uma lidinha?

- Como eu te falei, eu já fui muito fã de Conan Doyle, mas hoje estou paradão.

- Conan Doyle?

- Elementar minha cara Tânia.

- Engraçado, eu achei você mais com cara de Rowan Robinson.

- Até já curtir, mas o meu negócio era John Fante.

- Nossa! Prefiro ficar no meu Carl Sagan que estou bem.

- Com certeza.

- Mas como você conseguiu parar com Baudelaire?

- Usei um pouco de Descartes.

- Descartes?

- Pois é. Só Freud explica. – Tânia ficou tão entretida com o nosso papo que só notou que Assis estava em cima de sua namorada quando voltou com a cerveja. Pensei que iria ter algum tipo de problema, mas no final pareceu que aquele cinto de arco-íris que ela usava não era tão colorido assim. E logo que o gordo deu uma escapadinha para dar uma mijada, os três foram até a praça para um Kafka rápido e não voltaram mais.

- Pois é, gordo, acho que rolou uma Assisada.

- Como ele conseguiu isso?

- Sei lá. A Tânia me pareceu tão bêbada. Daqui há uns dez anos ela vai poder falar que no carnaval de 2007 ela ficou tão bêbada que até homem ela pegou.

- Mundinho doido esse.

- Por que você não parte comigo e o resto da galera para Lumiar amanha?

- Porra, eu tenho que abrir a locadora amanhã. Malditos viciados em filmes. Aproveitam esses dias para alugar umas 10 porcarias e não sair de casa nem pelo cacete. – A família de Lucas tem uma dessas locadoras poeirinhas em Botafogo. Mas a verdade é que o Gordo não viajou para fazer exatamente a mesma coisas que seus clientes viciados em filme. Ficamos em Laranjeiras madrugada adentro olhando as gostosas, discutindo livros e filmes. De certa maneira, aquilo me deu um bom sinal para o carnaval que ainda estava por vir.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

O Poder invisível

Quem disse que o poder está com eles? Porra nenhuma, o poder está conosco. Se eles perdem tempo olhando o que nós conversamos isso no mínimo quer dizer que o que falamos incomoda, faz eco, é ouvido. Então, por que ficar calado? Não fique parado. Não fique calado.

Nós somos o exército invisível. Com o poder nas teclas. Não vamos ficar calados. Quando eu comecei o blog do Viciado Carioca, eu tinha dois acessos diários e se você tem alguma coisa por aí, você também não pode ficar calado. Vamos abrir esse debate com todo mundo. Escreva o que você acha sobre censura e liberdade de expressão no seu blog. Se você não tem um blog, abra esse debate na comunidade que você freqüenta no Orkut, ou na sua lista de e-mail ou na porra do bar que você freqüenta.

Não pense que você não é visto. Estamos sendo vigiados, monitorados e pior, censurados. Será que teremos que ser selados, registrados, carimbados, avaliados, rotulados se quisermos voar? Ontem a Cicarelli tirou o YouTube do ar porque ela resolveu trepar em público e ficou puta que isso veio a público. Hoje eles tiraram do ar o blog de um drogado que falava da sua vida. Amanha ele podem achar ruim alguém falar mal de um time de futebol, ou de um programa de TV ou do do Governo.

Se você acha que o homem tem o direito à liberdade de opinião e expressão. este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras, como está determinado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, não cruze os braços. Vamos dividir as nossas opiniões. A galera indignada me mandou e-mail:

Bigode http://bigodecomprido.blogspot.com/:

Caralho!!!!!!

Não dá pra não ficar puto com uma coisa dessas. Parece que vivemos na Bélgica ou na Disneylandia, onde a polícia não tem muito o que fazer além de interferir na vida de pessoas que utilizam a internet. Colhões para coibir o tráfico ou coisa que o valha a senhora delegada não tem, mas é bem fácil bater na porta de alguém que apenas utiliza a rede como forma de expressão e terapia para acusá-lo de apologia ao uso de drogas.

E se o conteúdo do viciado carioca fosse esse, ainda havia justificativas, mas o que vejo no site são apenas contos baseados na realidade que a juventude brasileira conhece: conversamos sobre e utilizamso drogas, bebemos, etc. O que você fazia no site era apenas falar abertamente sobre o que nós vemos todos os dias por aí.

Parece que a polícia está aí mais uma vez pra nos envergonhar e o Ministério Público, formado teoricamente por pessoas ilustradas, dá respaldo aos reacionários que têm a vaga idéia de poderem refrear o avanço da internet. Censuram hoje, amanhã mudamos de domínio. Uma vez na net, nuca mais tem fim. E eles não precebem isso e continuam a gastar tempo a perseguir quem não tem nada a ver com o problema das drogas.

Vic -> Pois é, as vezes eu acho que eles gostam de bater sempre na mesma tecla errada. Eu acredito sim em um certo controle do Estado nos meios de comunicação. Sempre achei que liberdade é sinônimo de libertinagem, mas, é claro, que esse "controle" deve ser de maneira inteligente. Sinceramente, acho mais nocivo menininhas de 5 anos dançando na boquinha da garrafa no programa do Raul Gil do que um drogado chorando suas mágoas em blog.


T.F Recife-PE:

"Grande VC

Cara oq eu puder fazer para ajuda-lo farei, sou adicto, limpo a algumas 24 hs e faço parte de NA a mais de um ano, servindo atualmente como secretario de meu grupo base.
Poderia pareçer estranho um cara do NA lendo teu blog mas como voce proprio falou, nao havia em momento algum apologia as drogas e ao uso, muito pelo contrario, seu blog, tirando seus comentarios hilarios e cronicas iradas, era ou é, um diario muito importante pros adictos na ativa.

Qualquer coisa estou aqui, e pode usar meu nome se quiser."

Vic -> Obrigado pela força. Não sei se você concorda comigo, mas o Governo só fará uma campanha efetiva anti-drogas quando usar caras como eu e você que já estiveram do outro lado e sabem exatamente o que seduz e o que mata nessa vida bandida. Força aí irmão e saiba que estou aqui no que você precisar.

Ricky:

"Sacanagem o que tão fazendo contigo. Duvido que alguém tenha sido influenciado com seu blog, talvez até o contrario.

Querendo ou não a censura voltou ao Brasil, é uma palhaçada, duvido que as pessoas que o censuraram tenham lido o blog por inteiro. Acho que essa atitude infantil dos engravatados se deu pelo nome do blog. Talvez se o nome fosse Ex-Viciado Carioca, não teria pegado nada.

Acho mais facil as pessoas se influenciarem pelas drogas mais pelas notícias da TV do que pela uma conversa(blog). Vivi num condominio de classe média a vida inteira, alguns amigos usavam drogas, mas nunca me senti influenciado por eles, pelo contrário, eles sempre conversavam dizendo que não seria uma boa para nós(os mais novos) usarem drogas. Nunca tivemos vontade de entrar nessa. Acho que uma boa conversa vale mais, abre mais a cabeça das pessoas, sana algumas curiosidades, mais do que fingir que não existe, mais do que deixar de discutir. E eles tão tirando o direito das pessoas discutirem sobre as drogas, com pessoas que eles não conhecem e que podem se abrir normalmente."

Vic-> Puta que pariu é exatamente o que penso. Vi isso a minha vida inteira. Sempre que existe uma discursão aberta, a curiosidade morre e só "cai nessa vida" quem está destinado a ela. Por todo os meus dias como viciado convivi com vários "caretas" que sempre conversaram com os "malucos" e nunca foram evitados por isso. Mas é justamente o contrário que todos os pais fazem. Falam que a droga é uma droga, quando deveriam falar justamente o contrário: que ela é muito boa e por isso que vicia e te faz escravo dela. Falam que você deve correr de um usuário como o diabo corre da cruz, quando deveriam falar que um viciado é um cara comum, que mora no se condomínio e que, normalmente, é um amigo seu. Quando você dá a opção para o ser humano entender, pensar e escolher, geralmente ele vai fazer a opção certa. Pelo menos, é o que eu vi e é o que eu acho que eu faria se tivesse tido essa oportunidade. De qualquer forma, valeu aí pelo e-mail.

T.M:

"Caro vic,

Foda-se esse estado de merda. Que merda de politica anti-drogas é essa que permite que num estado como o de SP, seja vetado milhões para as universidades públicas e as nossas crianças não têm acesso à educação?

Sem educação não se faz uma sociedade, muito menos uma livre do tráfico."

Vic -> Pois é. Isso parece óbvio, mas me parece que não existe muito interesse da castra maior de educar a galera aqui de baixo. O problema é que as pessoas aqui de baixo estão perdendo o rumo ou a paciência. Estão esmagando a classe média contra uma classe pobre e miserável que sem educação ou oportunidade encontra no tráfico, nas drogas, no roubo todos os recursos que o Estado não dá. Há uns dois anos atiraram contra o Palácio Guanabara. Mais ou menos na mesma época, colocaram o cara do Rappa em uma cadeira de rodas. Alguns meses depois atiraram em uma menina no metrô. Há uma semana pegaram uma criança e arrastaram na rua. O Pessoal deveria realmente está preocupado comigo? Com você? Com Orkut e coisa e tal? Como eu perguntei antes, quem é o inimigo? e o pior, o que será amanhã?

Thiago:

"Velho,

Quem ta vigiando os barracos da população favelada que é obrigada a dormir debaixo do fogo-cruzado de traficantes? Quem ta vigiando essas milícias, que é evidente que a polícia sabe quem comanda, e que tem piorado (ainda mais) a vida da população da periferia do Rio?!

Quem tem vigiado como armas de uso exclusivo do exército norte-americano, israelense ou russo chegam nos morros? Quem?! Ninguém!

Porque enquanto pobre estiver morrendo ninguém liga. Daí a polícia finge que faz seu trabalho vigiando blogs acessados pela classe média achando que vai ajudar a proteger nossas crianças dos perigos das drogas."

Vic -> É difícil entender mesmo. Uma violência absurda em todos os modos: física e moral. A impressão que me dá é que o Estado está tão desgovernado e assustado como nós e não sabe o que fazer. Não acredito que ações como fizeram comigo são de pura maldade e sim de puro falto de rumo. É claro que eles se importam com toda essa violência, eles só não sabem mais como controlar algo que foi criado por anos e anos de negligência. O que importa é que não vamos ficar calados ou nos deixar calar.

Dividi aqui - mantendo o anonimato dos leitores - algumas das dezenas de opiniões que chegaram para mim através de e-mail, mas não deixem de ler todos os comentários no post abaixo. Na boa galera, vamos tentar debater isso mais um pouco para que outros blogs não sumam como o meu. Isso é muito triste. Algumas pessoas me mandaram e-mail falando que é muito triste "que todo meu trabalho lá desapareceu". Na boa, o que mais me assustou não foi perder tudo o que eu disse, mas a possiblilidade de não poder falar mais. Isso é bizarro. É assustador. E se deixarmos isso passar em branco, amanhã eles irão criar outros motivos para deterem qualquer coisa que julgarem amoral. Não fiquem calados. Não fiquem parados.

Falei, e volto a repetir: vamos abrir esse debate com todo mundo. Escreva o que você acha sobre censura e liberdade de expressão no seu blog. Se você não tem um blog, abra esse debate na comunidade que você freqüenta no Orkut, ou na sua lista de e-mail ou na porra do bar que você freqüenta.

Nós somos o exército no submundo. Nós somos o poder invisível. Trabalho de formiga. Acredite, se estamos sendo vigiados é porque estamos sendo ouvidos. Então grite.

Obrigado pelo apoio de todos e vejo vocês depois do Carnaval.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Pai,afasta de mim esse cálice

Como a maioria já sabe, não posso mais escrever no Viciado Carioca, meu antigo Blog. Durante um ano fui investigado pelo Ministério Público e a Delegacia de Repressão aos Crimes na Internet que solicitaram a retirada do antigo blog do ar até que a averiguação fosse terminada.

É claro que fiquei muito irritado com isso. Pensei que vivia em uma sociedade que ainda considerava valores como democracia e liberdade de expressão. Mas é claro que eu estava errado. Se a nossa sociedade não dá valor nem a vida, como considerar assuntos mais complexos?

Querem me calar. Mas eu continuarei por aqui por algum tempo. Proibiram-me de escrever no Viciado Carioca, mas não proibiram o Viciado Carioca de escrever. Ou de pensar. Eles não podem fazer isso comigo. Ou com você. Querem me calar, mas eu vou continuar vomitando as minhas asneiras por algum tempo. Querem te calar, mas eu sei que você não vai deixar. Querem nos calar, mas nós vamos ficar quietos?

Acusam-me de fazer apologia as drogas. Como assim? Eu era drogado e contava o meu dia! Quer dizer que se eu for boxeador e fizer um blog, eu estou fazendo apologia à violência? Ou vocês querem me convencer de quando eu escrevi o conto de um cachorro que comia maconha eu induzi vários totós há uma vida doentia? E quando eu sugeri que meu pai ganhou um boquete de uma coroa sem dente eu estava fazendo apologia a que? De usuário eu virei o inimigo número 1. E olha que nem usuário eu sou mais....

É muita insanidade! Acredito sim que a liberdade de expressão tem seus limites. Tanto que nunca conduzi o meu blog na direção da vulgaridade, da indecência, da irresponsabilidade. Eu não seria louco de falar que uma merda que me fudeu por 10 anos deveria ser experimentada por alguém. Aquela porra era um blog literário. Claro que todos os meus contos têm drogas como tema. Assim como várias músicas do O Rappa, do Marcelo D2, do Planet Hamp, Charlie Brown, etc.... mas não é porque você escreve sobre um assassino que você está induzindo as pessoas a matarem uns aos outros. Será que isso é tão difícil de entender? Quem é o inimigo?

Além disso, tomei várias precauções como colocar um aviso que o Blog era literário, que era recomendado para maiores de 18 anos e me dava o trabalho de moderar os comentários.

Nada disso foi suficiente. Eles não querem saber disso. Eles querem me calar. Eles não querem saber como as drogas entram no Brasil ou como vigiar as fronteiras. Eles querem te calar. Eles não querem saber de educar o povo, de socializar aqueles que estão marginalizados, de cuidar da saúde do viciado. Eles querem nos calar.

Mas eu vou contar um segredinho: ELES NÃO VÃO CONSEGUIR.

É tão estúpido, que em um dos meus maiores textos anti-drogas eu falei mais ou menos sobre isso que está acontecendo. Quanto mais nós (sociedade) calarmos as nossas crianças, não explicarmos para elas o que realmente acontece quando se fuma um baseado ou se dá um tapa de no pó, mais vontade eles vão ter de subir a favela. Não se calem. Se você é pai ou mãe, não se cale. Não conte mentira para os seus filhos.

Procurei várias palavras para expressar toda a minha frustração, mas nenhuma delas serviu como as palavras do Gabriel Pensador na música Abalando:

“Não eu não consegui acreditar nisso
Mas não vâmo esquecer e nem permanecer omissos num caso que diz respeito ao direito de um cidadão
De carregar no peito a sua liberdade de expressão
Liberdade de expressão aqui? Ha
Não existe
Eu fiz "Hoje eu tô feliz" e fiquei triste
Pois já não posso mais nem sair em paz
Os fdp confundem artistas com marginais
Mas eu não sou um marginal
Isso é um grande erro
Sou apenas um artista como todo brasileiro
E o meu erro foi dizer o que não devia
Acreditei que existia o quê: Democracia...”


Não fiquem calados. Digam não a censura. Pensem, ou deixem de existir.