segunda-feira, 28 de maio de 2007

Novidades sobre o curta

Semana passada, tomei outro chope de graça com os Claudios para discutir o andamento do curta. Para quem não sabe, ou não lembra, fui procurado por eles com o interesse de produzir um antigo conto meu, o Walk of Life, num curta de aproximadamente 10 minutos.

Se esse filme vai ficar bom ou não, eu não sei. Mas só pelo número de chopes grátis e a massagem no ego que acontece todas as vezes que eles dizem que o texto é bom já está valendo todo o trabalho.

Desde o nosso primeiro chope, estamos trocando e-mails quase que diários. Acertamos o roteiro e outras coisas. O mais legal é dizer que além do Walk of Life, mais três ou quatro textos meus serão gravados ao mesmo tempo a fim de produzir alguns filminhos de 3 a 5 minutos. Então, em breve vocês não verão um filme de um conto meu, e sim 4 ou 5 filmes! E o melhor, alguns são textos totalmente inéditos para a criançada se divertir!

Ao mesmo tempo em que eu escrevo isso aqui, está acontecendo um teste de elenco já que as gravações acontecem nesse fim de semana! Isso mesmo, hoje eu já fico sabendo quem vai me interpretar. Tipo, o cara vai ser dar bem. Vai poder andar pelas ruas da cidade dizendo por ai que é o Vic e faturar umas mulheres as minhas custas. Só quero ver o naipe do sujeito.

Quando começamos a discutir sobre o roteiro através de e-mail, eu tive com o os Claudios a minha primeira briga. Os caras mudaram o nome do conto. De início fiquei meio puto. E a minha liberdade criativa? Claro que três segundos depois eu desci do salto e aceitei tudo. Até achei que o nome do filme bem legal: Fazendo as Regras. Para o nome de um conto, Walk of Life é legal, mas já para um filme, utilizar o nome em inglês já é um pouco pesado.

No chope da semana passada eles me passaram o “storyboard” do filme. Para quem não esta por dentro do jargão cinematográfico eu explico: Storyboard é o filme desenhado quadro a quadro para servir de bússola para o diretor na hora de filmar a bagaça.


Quando eu vi os desenhos, se é que podemos chamar isso de desenhos, eu fiquei com medo.

Muito medo.

Os desenhos são mais engraçados que o meu conto! Se a idéia deles em produzir o Fazendo as Regras é causar o riso nas pessoas, eles nem precisam se dar o trabalho de arrumar atores, equipamentos e locações. É só ficar publicando esses rabiscos toscos e conseguir boas risadas.

Pois é, estou entregando toda a minha criatividade na mão de pessoas que nunca fizeram o jardim de infância. Só me tranqüilizei quando cheguei em casa e acessei o site da produtora do Cláudio Lemos, a Presto Filmes. Gostaria que vocês também dessem um pulo por lá para dar uma conferida na qualidade dos filmes deles. Não estou discutindo o conteúdo, os temas, etc e sim a qualidade de filmagem, o som, a edição essas coisas. Recomendo o filme e o clipe de “Eu,você e seu Husky Siberiano”. Só dos caras produzirem um filme e ainda conseguirem uma banda para fazer a trilha sonora já achei simplesmente foda. Conseguir colocar uma bateria dentro de um ônibus então...

É isso ai. As novidades sobre o filme vão ficar no marcador “Fazendo as Regras”.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Festa Surpresa

Se eu fosse esperto deveria ter desconfiado quando me chamaram para essa festinha em Botafogo. Era Sábado, na semana do meu aniversário e no Bairro onde deixei o maior número de amigos.

Como eu sou muito burro eu não desconfiei.

Para mim, era mais uma reunião de amigos na casa de alguém, com algumas cervejas geladas, um papo honesto e um som bom num volume questionável. Coisas que gente velha e sem muita perspectiva de vida faz em um Sábado à noite.

Ainda bem que eu sou burro.

Juro que quando eu entrei na casa e as pessoas gritaram "Surpresa" eu olhei para traz. Venhamos e convenhamos eu me conheço há muito tempo para saber que a última pessoa da terra que merece uma festa surpresa sou eu.

Tá. Tem várias pessoas que não merecem uma festa surpresa na minha frente. Bush, o coreano maluco que comanda a Coréia e vários políticos brasileiros. Mesmo assim eu ainda devo estar no Top 100.

Nos dez primeiros minutos eu fiquei com um sorriso estampado na cara, aquele semblante de babaca e com vários "muito obrigado" na ponta da língua. Com onze minutos eu voltei a ser eu e notei uns três caras que eram surpresa estar em uma festa em minha homenagem. Com doze minutos percebi que não tinha nenhuma mulher solteira que eu poderia conseguir alguma coisa. Com treze reparei que iria passar o resto da noite me esquivando das ofertas de “um tapinha na erva pelos bons e velhos tempos”. Com quatorze eu vi que o número de cervejas na geladeira versus o número de beberrões iria causar a falta da primeira em no mínimo duas horas. Com quinze eu conclui que esse negócio de festa surpresa nem sempre é tão bom.

Eu nunca tive uma festa surpresa. Quer dizer, uma vez eu cheguei em casa umas duas horas da manhã e encontrei na porta do meu prédio uma ex-namorada querendo fazer um "Vale a Pena Ver de Novo". Mas tirando isso, eu nunca tive uma festa surpresa.

Fiquei feliz por cinco minutos, por ver que estavam todos lá. A mesma razão da minha tristeza. Estavam todos lá. Dos mais chatos aos mais legais.

Volto a dizer, nunca fizeram uma festa surpresa para mim. Lembro-me que durante toda a minha vida escolar eu contribuí com várias festas surpresas. Eu achava muito legal quando a pessoa era pega realmente de surpresa. Você conseguia ver a felicidade não só nos olhos dela, mas você conseguia quase sentir a alegria na pele da sortuda. Eu olhava esses “escolhidos” até com um ar de inveja e pensava que talvez eu não fosse uma pessoa tão legal para merecer uma. Isso tudo era o meu pensamento até Sábado.

Existe certa pressão quando você é o surpreso numa festa dessas. As pessoas te solicitam mais nas rodinhas esperando que você fale alguma coisa interessante. Mas você não consegue porque não se preparou para aquilo. Elas não entendem, mas você foi pego de surpresa. A coisa piora quando você tem um blog quase famoso (porque muitos pensam que eu sou um blogueiro famoso, mas quando você fala com um blogueiro realmente famoso e fala sobre o blog do Viciado Carioca a resposta deles é “de quem?”). A maioria das pessoas fala “como vai o blog” e isso na língua de quem sabe ler significa: eu sei que você escreve na internet mas nunca tive muito saco de conferir. Eles não querem realmente saber como vai o seu blog, eles só querem ser educadas ou puxar algum papo. Na maioria das vezes a minha resposta é a mesma: “Que blog? Cara, eu escrevi por uma semana em 2005 e o pessoal fica me zoando sobre isso até hoje. Olhe para mim, eu tenho cara de alguém que tem um blog?” E isso basta para eles acreditarem que eu não tenho um blog e fazerem o fato de eu escrever ou não na internet uma piada. Patético. O mesmo cara que me abraça e deseja a minha felicidade.

Beleza. Fiquei tomando umas cervejas com Lucas, o gordo. Lá pela quinta latinha descobri que ele foi o maestro de toda aquela bagunça. Perguntei a ele se aquilo era uma forma de me agradecer por incluí-lo nos curtas que estarão incluídos no curta que os Claudios estão produzindo. Ele me mandou a merda. Mas eu sei que o Gordo tá todo bobo porque vamos filmar algumas das nossas memoráveis conversas.

De resto eu não consegui concluir se esse negócio de ficar velho é muito chato ou quando você fica velho começa achar tudo muito chato, mas lá pelo meio da festa me deu uma vontade de ir embora. Sei lá, acho que está rolando mais papo de trabalho do que papo sem sentindo entre a velha turma e isso é muito ruim. Eu olho para o lado, olho para o outro e realmente não me sinto mais “parte do grupo” por mais que eles achem que eu seja. Também não estou com saco de procurar por ai e encontrar outras pessoas que achem o trabalho apenas um mal necessário como eu. Isso é culpa dessas bestas de RH, da revista Você S/A e do filho da puta do Jack Welch. Eles tentam te convencer que você deve agüentar muita pica para conseguir ganhar dinheiro no trabalho, que você pode até achar prazer nesse processo e que no final de tudo você vai estar por cima. Em suma, tentam te transformar em uma puta. Só que uma prostituta muito mais enfadonha e com menos dignidade. Por que, convenhamos, seria muito mais divertido tomar umas cervejas ouvindo o dia-a-dia de trabalho de uma puta a ouvir qualquer papinho sobre como o novo projeto será implantado.

Eu sei que quando acabou a cerveja e o pessoal começou a se fazer vaquinha para comprar mais eu agradeci pelos peixes e me mandei. Rolou o movimento “fica Vic” mas foi em vão. Peguei meu ônibus e voltei para a boa e velha Vila Isabel no meio da madruga. A caminho de casa encontrei um boteco e não resisti. Parei para tomar uma cerva e antes de eu terminar a garrafa já estava no meio de um empolgante papo sobre o Campeonato Brasileiro com alguns coroas. Percebi que os Botafoguenses acreditam realmente que podem conquistar o caneco. Vou voltar lá essa semana e conferir se a opinião deles mudou depois da eliminação da Copa do Brasil pela banderinha de pernas grossas.

É, talvez eu tenha encontrado uma turma para alguns papos sem sentido.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Dois anos

Pelo menos era para ser dois anos de blog, caso Ministério Público não pedisse a retirada do anterior do ar por achar que eu sou nocivo para a sociedade.

Como da outra vez, estava preparando um grande post para homenagear todos as pessoas que de uma forma ou de outra me apóiam, me incentivam, me ajudam, me aconselham e, às vezes, até me xingam. A grande maioria já está linkada ai do lado (e quem não estiver é só mandar um e-mail), mas eu gosto de colocar em destaque em um post para enfatizar o meu sentimento de gratidão.

Quando estava rodando os comentários aqui no blog, os blogs, os fotologs e os orkut dos amigos leitores para escrever aquele post bacana, me deparei com uma notícia que me chocou. Marisa Lobo, atriz, produtora e freqüentadora dessa bagaça faleceu em São Paulo devido a um acidente.

Troquei alguns e-mails com Marisa. Ela pretendia produzir alguns textos meus de forma teatral. Era uma mulher inteligente e amava o que fazia. E isso até me traz um pouco de conforto porque mesmo que ela não tenha conquistado o respeito e o sucesso que merecia estava fazendo o que gostava.

Então, homenageando a Marisa nesse post, quero não só homenagear todos os leitores, mas também, talvez, a coisa mais importante da vida: faça o que você gosta independente de dinheiro, família, críticas ou do Ministério Público. A vida é sua e o tempo é sempre curto. Não desperdice.

Marisa, se você já era uma estrela aqui, com certeza terá muita luz ai. E que sua família encontre logo o conforto e a compreensão nesse momento.



O Blog da Marisa Lobo: http://narcose.zip.net/

Em sua página no Orkut, vocês podem ver alguns dos seus vídeos e conhecer o seu trabalho.