quinta-feira, 28 de junho de 2007

A culpa é sua

Às vezes o Lucas me pergunta: Cara, qual é daquele Blog? O que você espera com aquilo? – Eu e o gordo estamos juntos a tanto tempo, que acho que só eu entendo o que ele quer dizer com essa pergunta. E eu não vou perder o meu tempo e gastando a sua paciência explicando. Mesmo assim, a pergunta continua ecoando.....por que um cara com mais de trinta anos gasta o seu tempo escrevendo um blog quando deveria gastar o seu tempo ganhando dinheiro e virando gente?

Quando eu comecei a escrever, sinceramente, eu não saberia responder essa pergunta. Isso aqui aconteceu. Hoje, eu consigo responder mais ou menos essa pergunta. Hoje eu escrevo o blog porque pra mim é uma terapia, um hobby, uma motivação, um psicólogo, um tudo e, também, porque você lê isso aqui.

É a pura verdade. Quando eu comecei a escrever em um blog eu falei “foda-se”. É uma coisa nova e vamos lá. Hoje é um vício. Mas não é simplesmente um vício no seu sentido simplista, egocêntrico, individual e tudo mais – e olha que eu sei muito bem falar de vícios – é como uma simbiose.

O que eu acredito hoje é isso. É uma simbiose. Por que eu acho que não estaria por aqui se você, fiel leitor, não estivesse lendo as porcarias que eu escrevo.

Eu sei que existem escritores famosos que não gostam de dar o crédito para quem ler. Eu sei que existem escritores semi-famosos que fazem à mesma coisa. Dizem que escrevem porque gostam de escrever e acham que sua “fama” acontece porque são bons na escrita ou porque são feras no que escrevem.

Eu, felizmente, não tenho a mesma pretensão. E quando eu tiver, por favor, pare de me ler.

Eu sou feliz por ter a plena consciência que os meus conhecimentos na língua portuguesa são pífios, eu não cometo erros de português, cometo verdadeiros crimes. E mesmo assim, a cada texto meu têm 10 – 15 pessoas que estão sempre me elogiando e me incentivando. Fora os e-mails. É pouco? Talvez seja para alguns, mas você não sabe a dimensão que isso tem para mim. E, para mim é evidente, se hoje eu vejo um sonho realizado – que são textos meus, gotas da minha vida, virando filme – é por culpa sua é somente sua, fiel leitor.

Eu sempre me culpei por não terminar o livro, meu projeto pessoal maior. Acho foda que vira e mexe, sempre tem um leitor me cobrando o livro. Eu devo ser o único escritor que não termino o livro que todos querem ter. E não termino, por isso mesmo. Por excesso de preciosismo, por não querer entregar um trabalho que o cara que sempre me acompanhou diga: porra, só isso?

E por isso tudo, eu sei que devo – e essa é a palavra certa – eu DEVO algo para vocês, algum material. Aconteceu de ser um filme, antes do livro. Aconteceu de ser algo que eu, apaixonado por filmes, sempre sonhei. E isso aconteceu, não porque eu escrevo bem ou porque tenho idéia “maneiras”. Isso aconteceu, porque você, fiel leitor, sempre esteve aqui, me lendo, me dando publicidade, fazendo as coisas acontecerem.

Então, nada mais justo, que antes de colocar o primeiro vídeo que irá compor o DVD do “pequeno-grande-curta” que produzimos por que VOCÊ sempre me apoiou e sempre esteve aqui, o link pra cada blog que me acompanhou desde início, que sempre apareceu por aqui e deixou um comentário de apoio, de elogio, de tudo.

Se você, fiel leitor, não está aqui porque não tem um blog, nunca deixou um comentário ou deixou um comentário, mas nunca teve um blog, por favor, não fique triste. Se sinta representado pela lista a seguir. E se você, que tem um blog, que me linka e nunca mandou um e-mail avisando, também peço desculpas, mas mande logo a porra do e-mail para eu te incluir na minha lista. Se você ainda não sabe, o meu e-mail é viciadocarioca@gmail.com.

O vídeo abaixo não é um presente para você, fiel leitor, e sim uma pequena lembrança. O presente mesmo vem mais tarde com o DVD com todos os vídeos e o “pequeno-grande-curta” que você fez acontecer. Porque eu sei que ninguém ia me procurar para fazer um filme, se você não estivesse aqui me lendo.

Obrigado por me fazer uma pessoa mais feliz.

Cliquem em cada link abaixo antes de ver o vídeo.

(E, por favor, façam as suas críticas, porque vocês são o maior termômetro para saber se estamos no caminho certo.)

2Jaguara

Alexandre - o Tabajara

Alguem para dividir

B.rando

Badtrip

Bigode

Carpe Diem -Sempre

Catexias de Dani Dias

Cerveja, Direito e Futebol

ChamberLaws2

Clube Anti-Social

Cocadaboa

Crônicas Atípicas

De Drogas

Durmir Pelado

Eh o fim

Elektra STCK

Faz Sentido

Filhote

Fracassados

Inimigo do Inimigo

Leo Cutouts

Lobo Sinistro

Macaco Gordo

Malvados

Marcus Pessoa

Meu Veneno

Milkshake com Batatas

Neguinho é foda!

No meu canto

O Blogue do Janio

O Escriba

O teorema da Vida

Profanagem

Promiscuo em beaga

Quando Babilônia pegou fogo, faltou água

Quest Log

Relações Públicas; Mentiras Privadas

Sabe o que acho?

Sacanitas

Sapo Manco

Salve nosso Planeta!

Sedentário e Hiperativo

Senso Comum

Sophia Sol

Spy Inc

Terra de Gigantes

The Nanax Blog

Vida Bizarra

Vivendo no Rio



AGORA CLIQUE AQUI PARA VER O VÍDEO.

terça-feira, 26 de junho de 2007

O que está acontecendo?

Fiquei algum tempo sem escrever. Pra variar. Estava me dedicando um pouco as filmagens. Revendo roteiros, visitando o escritório da Presto Filmes para acompanhar a edição e essas coisas de uma vida hollyudiana.

Devo dizer que a coisa está ficando bem legal. Como eu disse antes, eu estava com medo do que poderia sair disso. Reviver e tornar público alguns fatos da sua vida é como um Caixa de Pandora, você nunca sabe o que pode sair disso.

As coisas já andaram bastante. O filme já está todo gravado e agora vem a parte mais chata, demorada e difícil que é a edição. Como todo mundo esta trabalhando de graça para que tudo aconteça, algumas coisas acabam atrapalhando o andamento do filme como, por exemplo, os trabalhos reais das pessoas. Já estou sabendo que muitos vão trabalhar no Pan no mês que vem, então isso vai atrasar ainda mais o andamento da carruagem.

Mas não fiquem tristes, ainda tem muita coisa acontecendo em paralelo. Como aqueles outros mini-curtas que eu comentei na última vez que eu estive por aqui. Alguns já foram gravados e os Cláudios correram para editar e finalizar um deles. Isso mesmo! Essa semana, mais precisamente na quinta-feira, podem aparecer por aqui que vocês já poderão conferir um pequeno filme de um texto já publicado no blog. (Nesse novo, para ser mais preciso!).

Enquanto quinta-feira não chega, vou matar a curiosidade da galera e publico as fotos dos protagonistas do Fazendo as Regras.

Eu sei que eu estou enchendo o saco com esse negócio de filme e acabo nunca voltando para o meu dia-a-dia habitual aqui do Blog. Peço a compreensão de vocês, pois realmente estou muito envolvido com o filme. Não só na questão de tempo, mas principalmente emocionalmente. De qualquer forma, na semana que vem devo estar mais tranqüilo e aos poucos vamos acertando os ponteiros.






sexta-feira, 8 de junho de 2007

Viciado.....Fluminense?

- Como assim o Viciado Carioca não é carioca? – E quando você acha que já escutou de tudo nessa vida, sempre aparece um palerma com uma caixa de surpresa em baixo do braço.

- Calma, Vic. Deixa eu te explicar. – Mesmo com toda essa friaca que está fazendo no Rio, O Cláudio gordo estava suando. Ele gesticulava para cima e para baixo enquanto eu tentava focar em algum outro lugar. Furioso.

Como eu contei a vocês no outro post, eles fizeram uma seleção de elenco na semana passada para o “Fazendo as Regras” e aparentemente o ator escolhido para fazer o meu papel, não é carioca.

- Vic, presta atenção, o cara é um ótimo ator, tem o físico certo e, principalmente, está cheio de vontade de ser o Viciado Carioca. – O Cláudio magro tentava me acalmar, mas aquilo não entrava na minha cabeça.

- O Viciado Carioca não é Carioca. No mínimo é careta também. Beleza, vamos ver o filme do Careta Paulista. Olha que coisa mais sem graça.

- Porra, Vic! Não precisa fazer um escândalo sobre isso.

- Cara, pelo que sei metade dos meus amigos querem ser o Viciado Carioca. Tirando o Assis que pega mulher pra cacete e o Lucas que é feliz dentro do mundo gordo dele, o resto até pagaria para ser eu por 20 minutos. Escolham o Décio. Ele é carioca e até onde eu sei, ainda é Viciado! – Eu nem sabia o que estava falando. Na verdade, o magro tinha até razão nas suas palavras.

- Nós não vamos escolher uma pessoa que não é ator só porque ele é Carioca. – Disse o Magro de forma definitiva. Eu ainda argumentava:

- Mas o Viciado Carioca não é Carioca. Isso é como dizer que o Rei Momo não é gordo!

- Mas o Rei Momo não precisa mais ser gordo. Basta ele ser alegre. – Corrigiu o gordo. Eu respondi:

- Olha, Cláudio, você entendeu o que eu quero dizer! – Então ele veio com o fato definitivo:

- Eu entendi, você é que ainda não entendeu. O cara é ator e fez o teste muito bem. Quantos atores você vê interpretando nordestinos na televisão e não são nordestinos? Essa é a base de ser ator, interpretar algo que você não é! – Maldito gordo. Ele tinha razão nisso. Além do mais, os atores estudam técnicas sinistras para neutralizar sotaques. No final, até que não poderia ser tão ruim...

- Ele pelo menos é Fluminense? – perguntei. É claro que o Magro respondeu de maneira idiota essa minha pergunta:

- O que importa o time dele?

- Eu estou cagando se ele é tricolor, Flamengo ou Botafogo!

- Ah, sim. – ele riu por conta de sua própria idiotice – desculpa, ainda estou nervoso pela discussão. Ele é de alguma cidade do interior do Estado. Não me lembro agora qual... Mas fica tranqüilo. Quando você conhecer ele, vai aprovar. – Bem, realmente não tinha mais nada para ser dito sobre aquilo. Vamos passar então para pauta sacanear os produtores:

- O que vocês têm mais a me dizer? Quem vai interpretar a Dani é um moreno, forte, alto e de peruca?

- Nada. Arrumamos uma mulher bem gata para ser a Dani. Provavelmente melhor do que a própria Dani. – Disse o Cláudio gordo dando uma baforada em seu cigarro. O que me fez lembrar de outro ponto:

- Foi bom você me falar isso, porque tem uma coisa que está me preocupando.

- O que é? – ele perguntou.

- Sabe nos filmes quando eles dizem que aquilo é uma história fictícia e que nenhum daqueles personagens são reais, blá blá blá?

- Sim. – respondeu.

- Não é o caso. E o Luiz ainda é bem puto comigo por conta desse fato.

- Que isso, cara. – Eu continuei:

- Pois é. Sabe aqueles irmãos que são beques de buceta da irmã mais nova? Esse é o Luiz.

- Mas e daí? Você acha que ele vai querer pegar nós todos de porrada quando descobrir sobre o filme? – O gordo perguntou.

- Bem....não achava...mas agora que você falou.....

- Esse filme esta ficando cada vez mais complicado do que quando estava no papel. – disse o magro. Aproveitei para externar a minha real preocupação:

- Ele pode nos processar?

- Creio que sim. – respondeu o gordo. Ficamos em silêncio. Ele deu um boa golada na cerveja e outra baforada no cigarro e disse: - Agora é muito tarde para desistir. Vamos continuar e vê que bicho vai dar. – Eu sorri e disse:

- Isso! Vamos ligar o foda-se!

- Cara, quando você comeu a irmã dele você já assinou uma declaração de guerra. Quando ele descobrir que você escreveu um filme sobre isso, vai ser sua sentença de morte. – O magro disse com um tom um tanto quanto cavernoso.

- Na verdade ele já sabe que eu escrevi sobre aquilo no blog e fiquei sabendo que ele ficou realmente muito puto. Até acho que foi ele que fez uma queixa sobre o meu antigo blog no Ministério Público. Eu nem sei o que ele pode fazer quando descobrir sobre o filme. Eu acho que vou realmente trocar de lugar com esse Viciado não-carioca. Vou deixá-lo a mercê do Luiz e vou fugir para o interior do Estado.

Isso foi mo meio da semana passada. No fim de semana rolaram as gravações de algumas cenas. Eu tive que aparecer. O encontro entre o Vic real e o Vic fictício. Quando cheguei eles estavam gravando uma cena. Sentei no fundo da sala e fiquei observando. Eles ainda não sabiam quem eu era. Percebi logo quem era Vic e quem era Luiz.

Uma sensação muito estranha. Os caras ali revivendo uma cena da minha vida. Nesse momento eu percebi o tamanho da coisa. Pelo menos em caráter pessoal. Muito louco. Quando a cena acabou e as apresentações foram feitas, os dois vieram falar comigo.

- Então, você é o Vic? – o Vic me perguntou. É claro que respondi a coisa mais óbvia:

- Não, você é o Vic.

- Podes crer. Dei uma olhada no seu blog. É bem legal.

- Obrigado.

Luiz também veio falar comigo. Ele é mais assustador que o Luiz de verdade. Olhei para um lado e para o outro em busca da Dani. Se eu me dei bem com a de verdade, talvez eu pudesse marcar alguns pontos com a de mentirinha. Mas ela não estava. Naquele dia eles só iam gravar as cenas com os dois homens. Peguei um pouco de água. Demorei em me refazer. Escutar o Luiz de mentira gritando para o Vic de mentira se ele tinha ou não comido a irmã era surreal. Todos os sentimentos que passei naquela época afloraram. Minha mão, tremia. Alcancei um cigarro e comecei a fumar. Eu sentia orgulho misturado com outras coisas que realmente eu não sei descrever.

Só ao longo das gravações é que eu fui aceitando a coisa. Um filme de um texto meu. É incrível. Fora que a produção era boa. Achei que ia encontrar um cara com uma câmera na mão, outro com um microfone e os dois atores. Coisa nenhuma. Tinha gente para todo lado. Diretor de elenco, de objetos, operador de câmera e uma claquete. Todo mundo trabalhando sem ganhar um centavo se quer. O dinheiro que eles colocaram foram para o aluguel dos equipamentos de luz, som e imagem.

Fiquei observando o Vic. Apesar de não ser carioca é um ótimo Vic. Sua risadinha irônica, sua cara de deboche, linguagem corporal, etc. Eu vou ficar repetindo palavras como “estranho”, “incrível”, “assustador”. Mas nós, pessoas normais, nunca esperamos nos ver sendo interpretados por alguém. Antes de eu ir embora, ele me disse que estava se amarrando em ser o Vic e eu disse a ele que ser realmente o Vic não era tão legal assim, mas que ele estava fazendo um ótimo trabalho em fazer eu parecer um cara bem legal.

Fiquei mais seguro de ter ido até as gravações e ver o trabalho de perto. Apesar de ver a qualidade dos outros trabalhos da Presto, eu tinha que sentir a atmosfera. Muito bom. Uma salada de emoções que eu nunca pensei que iria viver. Estou na expectativa de ver o resultado final. E quando pintar novidades, eu estarei aqui para contá-las.