segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Henry Chinaski

Não se esqueçam que o DVD do filme "Fazendo as Regras" já está a venda. Não deixe para amanhã para dar aquele força para o seu Viciado predileto! Abraços!


- Sabe, Vic, agora eu tenho um novo sistema. – Eu escutava João Mariano metralhando as baboseiras dele enquanto no carro tocava Yardbirds. As pessoas deviam ser proibidas de falar quando rola um rock and roll do bom. Principalmente um clássico. Mas o mundo não é perfeito. Está cheio de miséria, corrupção e gente que não sabe apreciar uma boa música.

- Um novo sistema, é? – Estávamos indo para o tal Bukowski. Antigamente esse lugar era um bar mais ou menos sujo que você podia encontrar poetas depressivos, artistas decadentes e mulheres pistoleiras. Parece que agora está tentando virar um lugar “in”. Para mim parece a Casa da Matriz através do espelho. É igual, só que tudo do lado errado. A escada é do lado errado, a pista de dança é do outro lado. E eu, muito em breve também estaria do lado errado. O lado de dentro.

- Pois é. Desde que eu virei um “trade” eu comecei a ver o mundo de uma forma diferente. – João Mariano é mais um dos milhares de brasileiros que começou a aplicar na bolsa. A nova meca da juventude. Todos atrás do Eldorado. Do dinheiro fácil. Aparentemente ele fez um belo dinheiro no mercado de opções no dia que a Petrobrás declarou que o Oriente Médio fica em Santos. Um lance de sorte que rendeu aos seus bolsos um pouco mais de R$30.000,00 e para o seu ego uma elevação equivalente há uns 30 andares.

- E qual é a sua tática? Trocar papéis da Petrobras por sexo? Dividendos por boquete? – Ah, esses garotos e seus brinquedos. Toda hora uma nova empolgação. É a nova banda, é o novo carro, é o novo mercado de ações. Tudo bem, eu só quero me divertir e esquecer que essa noite tem um lugar meia-boca para ir.

- Cara, a vida é como o mercado de ações. Você tem que aproveitar as chances que ela te dá para realizar o seu lucro na hora certa. É como as mulheres.

- Puta que pariu. Agora você virou a mistura de Mestre Yoda com Miriam Leitão.

- Pode ser, Vic. O lance é que está dando certo.

- Estão me diga logo esse seu novo sistema para pegar mulher pra caralho na noite.

- O lance é o seguinte. O que os investidores fazem no mercado de ações?

- Tocam punheta enquanto ficam gritando como loucos cheios de papel na mão?

- Compram na baixa e vendem na alta. É o que eu faço na “night”.

- Hum?

- É. Assim, você sabe aquela teoria de quando você está sozinho nenhuma mulher te dá mole?

- Claro. É a teoria clássica do homem solteiro número 27.

- Então. O que eu faço é pegar uma mulher logo no começo da noite. Uma bem baranga de preferência. E fico desfilando com ela pela festa. Daí uma outra mulher mais ou menos me dá mole, eu aproveito a oportunidade e chego nessa mulher e dispenso a baranga e fico nessa até conseguir uma mulher gata. Igual ao mercado. Compro na baixa, vendo na alta e realizo o lucro.

- Calma ai. Para o carro.

- O que foi Vic.

- Para o carro que eu vou descer.

- Que descer, Vic.

- Essa é uma das coisas mais idiotas que eu já ouvi em toda a minha vida.

- Estou te falando. Dá certo.

- Foda-se, JM. Eu não vou ficar andando com você por uma festa enquanto você caça todas as baranguetes do mundo achando que está brincando de mercado de ações. Eu tenho uma porra de uma reputação para preservar. Não é uma das melhores, mas é minha.

- Foda-se você e sua reputação. Se quiser você fica afastado de mim, mas quando você ver o meu sistema em ação vai querer repetir e eu vou te cobrar uma cerveja quando isso acontecer.

- E eu vou te cobrar um whisk quando a noite terminar e você estiver abraçado com a maior mocréia da cidade.

- Fechado.

Chegamos ao tal Bukowski. O bom e velho safado deve puxar o pé dos donos daquela bagaça toda santa noite. Conseguiram o impossível. Sujaram o nome de um cara que viveu na vadiagem fazendo um lugar limpinho com o seu nome. Espero que nunca façam o mesmo comigo. As vezes, quando eu estou sem idéias, eu invoco o velho para tomar uns vinhos comigo. Ele me dá alguns conselhos e eu pago o vinho, é claro. Eu podia sentir o velho andando do meu lado e susurrando no meu ouvido com aquele bafo de onça:

- Puxar o pé, eu vou puxar os bagos desses filhos da puta. Um lugar de bichas, Vic. Como fizeram isso comigo? Me transformaram em um lugar de bichas!

- Eu seu, Henry. Eu estou vendo.

- E o que você veio fazer em um lugar de bichas escrotas como essas, Vic? Esses caras usam camisas com dizeres e abrem as bochechas da bunda enquanto escutam música de computador.

- Estamos aqui para fazer o que sabemos fazer de melhor, velho. Vamos ficar bêbados.

- Eu não vou beber em um lugar de afrescalhados. Prefiro ter o saco arrancado a dentadas por uma puta velha. – E caiu fora me deixando na cova dos leões.

Eu e Mariano fomos até o bar. Ele pediu algum drink de vodka e eu preferi cair na cerveja para forrar o estômago como o velho Chinaski faria.

- Sua última chance. Vai querer atacar comigo? – Perguntou o JM. Eu dei de ombros e respondi.

- Eu sempre fui conservador. Vou manter as minhas economias na renda fixa. – Ele imbecilmente deu um “tiro” com os seus dedos querendo dizer “muito esperto” e partiu para o segundo andar da casa. Eu fiquei tomando a minha cerveja próximo a pista de dança. De certa forma, eu fazia uma pressão psicológica em mim mesmo para não sair sozinho naquela noite. Ainda estou saindo com a Marta e a cada dia ela tenta transformar o que temos em um relacionamento fixo. Por outro lado, como eu só estou saindo com ela o meu pequeno “evil vic” chega toda noite para mim e pede para que eu não durma sozinho. Mas sabe, essas boites não são meu tipo de lugar.

Virei a cerveja, pedi outra e fui fazer um reconhecimento do lugar. Como eu disse, parece a Casa da Matriz através do espelho. Sem personalidade. Fui até o segundo andar. O mais legal era a mesa de sinuca. Tinham uns caras jogando muito mal. Se tivesse rolando algum dinheiro até valeria a pena arriscar umas tacadas. Mas decidi sair logo dali. No canto da sala, JM estava participando de uma “oferta pública” de ações de segunda linha. Talvez de terceira. Nos outros quartos estavam recheados de uma turminha bem estranha. Na minha época de Casa da Matriz eu ia para boite e mandava uns tecos no banheiro enquanto a galera puxava um fumo na pista de dança. Esses malucos estavam fumando narguilé enquanto outros liam livros?!?!?! E tinha mais uma coisa para deixar o ambiente mais surreal. Parecia um conto meu, só quem sem as partes engraçadas. Vocês não vão acreditar, mas dentro desse quarto tinha um anão.

É. Um anão. Com toda a sua ausência de altura. Ele era negro e usava a camisa número nove da seleção. E, é claro, o pessoal chamava ele de Robinho.

Era essa era a hora exata de largar tudo, ligar para a Marta e voltar para a nossa vidinha de pseudo namoro com sexo animal. Quando você pensa que já viu de tudo, você se depara com um anão fumando narguilé. Maldita hora que eu fui parar de me drogar. Se eu tivesse drogado, poderia colocar a culpa na merda da parada. Não tinha jeito. Parti para o bar:

- Um Jack duplo, por favor.

Bukowski em algum lugar deveria estar rindo de mim. Ele tentou me avisar. Uma vez eu vi um filme de terror tailandês que tinha um traveco. Um traveco Tailandês. Nesse dia eu falei: pronto, já vi de tudo. Daí eu me deparo com um anão fumando narguilé.

Fui bebericando o meu Jack e a noite começou a melhorar. O estranho mundo de Jack Daniel’s. Uma mulher bem gata parou no bar e pediu uma cerveja. Parecia estar sozinha e dançava com o vento enquanto esperava a cerveja. Pegou a lata e deu uma olhada para mim e partiu. Talvez a sorte iria rir para mim. Dei um tempo e fui até a pista e a louca estava lá, dançando com mais duas amigas. Todas solteiras. Eu precisava cantar aquela mulher. Mas como eu disse, meu cérebro não funciona direito em boates.

Decidi procurar o JM. Poderíamos tentar um ataque em dupla ou ainda, eu poderia mandar ele sozinho chegar em uma amiga dela. Depois que ele tomasse um toco eu teria um argumento engraçado para chegar nela. Poderia mandar “sua amiga fez bem....” e começar contar as histórias engraçadas do meu amigo Trader.

Encontrei JM na parte de trás da casa aumentando o seu colesterol. Eu não queria incomodar os dois elefantinhos, mas eu precisava de um “side back”.

- Ei, JM.

- JM? – Ela perguntou para ele. Ele deu de ombros e falou:

- Meus amigos me chama assim porque eu pareço o Jim Morrison!

- Nossa, eu a-m-o o Jim Morrison! – Ela falou. Ele sorriu e veio até mim com sua cara de bolacha e seu cabelo mexicano e nada parecido com o Jim.

- O que você quer? – Ele me perguntou. Eu abri os braços e falei:

- Jim Morrison?

- Fala baixo. Eu disse a ela que meu nome era Rafael. Sabe como é. Se daqui há uns meses eu esbarrar com essa mulher, eu posso falar que o meu nome é João e ela me confundiu. Daí você vem com esse “JM” que não é nada parecido com Rafael e eu tive que me sair com essa.

- Cara, vou falar sério com você. Você é doente. Você precisa de tratamento psicológico profissional contínuo.

- Tá, cara. Mas o que você quer? – E ai o diabinho começou a funcionar.

- Cara, eu tenho que dar o braço a torcer. O seu sistema está funcionando. Umas garotas que estavam na fila lá fora com a gente, você percebeu?

- Não.

- Nem eu. Elas viram a gente juntos e tal. Agora eu estava no bar e comecei a falar com uma delas e ela mandou: é uma pena que seu amigo esteja acompanhado porque a minha amiga adorou ele.

- Sério?

- Cara, preste atenção. Um bom investidor sabe a hora de comprar e de vender. Acho que está na hora de você vender. O mercado está subindo. Feche os olhos. Você não está sentindo as ondas de Eliot? Vem uma série de Fibonacci e a gente não pode perder.

- Você entende as besteiras que você está falando?

- Claro que não. Só dispensa a baranga. – Ele foi em direção dela, mas ela chegou antes ao nosso encontro.

- Você não vai apresentar o seu amigo?

- Ah, sim. Esse é o Vic.

- Vic? Isso é nome ou apelido? – Ela me perguntou.

- Apelido. Meu nome na verdade é Chinaski. – JM olhou para mim e eu estiquei as sobrancelhas. Se ele que estava pegando não iria dizer o nome verdadeiro, porque eu iria me arriscar?

- O que?

- Chinaski. É meu sobrenome. É como me chamam.

- Isso é russo?

- É alemão. Meu avô era um poeta descendente de alemães. Uma longa história.

- Prazer Chinaski. Eu sou Fátima.

- Ok. Eu tenho que ir.

Fui até o bar e peguei outro JD. Eu iria precisar de JD para trabalhar o JM para chegar nas AG. (amigas da gostosa). Fui até a pista e elas estavam lá. Ninguém chegava em ninguém naquela porcaria. Aqueles caras só queriam fumar com o anão e ficar escutando Blur no último volume.

Voltei para o bar e fiquei esperando o JM. Nesse tempo, a mulher voltou e pediu mais uma cerveja. Eu dei uma bela olhada e era bem bonita. Uma beleza diferente. A cara parecia um pouco grande se você olhasse de primeira, mas reparando bem, era tudo bem encaixado. Um rosto bonito e um sorriso divertido. Ah, foda-se o JM eu iria trabalhar sozinho.

- Não dá para negar, é uma bela idéia.

- Oi?

- A idéia desses caras de colocar o nome de uma boate o de um poeta underground.

- Eu amo Bukowski.

- Devo confessar que eu também prefiro o autor do que o lugar.

- Que isso. Eu amo esse lugar também.

- EU na conhecia. Tô gostando.

- Cara, esse DJ de hoje nem é o meu predileto. Você tem que vê o da quinta.

- Ele toca o que?

- Só rock and roll do foda. Quando eu não estou muito cansada na quinta eu sempre tento cair para cá.

- Ah, sim. Você trabalha com o que?

- Trabalho no marketing da TIM. E você?

- Trabalho com comunicação interna.

- Comunicação também?

- É. Esses caras me pagam para eu conversar com as mulheres gatas da boite.

- Hahaha. E já conversou com quantas hoje?

- Só com uma. Só tem uma gata. Qual é o seu nome?

- Olha cara, eu realmente não estou a fim de....

- Calma... estamos só conversando.

- Laura. E o seu?

- Chinaski.

- hehehehe. Você é bem engraçado.

- Só estava te testando para vê se você já tinha lido Misto-Quente.

- Eu acho que é um dos melhores livros dele. Esse e Hollywood.

- Eu também adoro Hollywood. Vic.

- O que?

- Vic? O pessoal me chama de Vic.

- HÁ! Eu tinha entendido “dick”!

- Calma. Eu não sou tão direto. Nem tinha me apresentado, como iria apresentar o meu amiguinho antes de mim. – Nisso o JM chegou por trás do ombro dela.

- Tá certo, Vic. Eu tenho que voltar para a pista.

- A gente se esbarra.


JM olhou para mim e bateu nas minhas costas.

- Muito bem, Vic. Tô vendo que você quer ser um dos grandes investidores.

- Pois é. Era dela que eu estava falando. Parece que a amiga dela estava a fim de você.

- Que bom isso. Eu nunca operei com “Inside information”. Tô sentindo que hoje eu vou arrebentar.

- É isso aí, rapaz. Parte com tudo.

- Como assim, parte com tudo? Quem é a garota?

- É a amiga dela.

- E você não vai me apresentar?

- Ah cara, você já está bem velhinho para essas coisas. O mercado não está para cordeiros. Vai lá, procurar a mulher. Coloca um stop para caso as coisas não funcionem. Você sabe. O velho truque...

E partiu. JM não é um cara que desiste fácil. Se fosse assim, já teria desistido da nossa amizade. Eu sabia que ele iria atazanar a mulher por alguns minutos. Fiquei marcando o tempo e Laura saiu da pista com a outra amiga. Vieram até o bar e na minha direção:

- Você ainda está aí? – Ela me perguntou.

- Pois é....

- Você veio sozinho.

- Não. Com um amigo, mas ele foi dar idéia em alguém lá dentro.

- Ih, deve ser na Carla.

- Vamos ver.

Fomos juntos até a pista e estava os dois lá.

- É aquele.

- O Próprio. Ele tem chance?

- Não sei. A Carla não é de ficar com qualquer um. Ele trabalha com você?

- O JM? Ele é um vagabundo. Vive do dinheiro que os outros dão pra ele. Sabe como é. Ele compra uma porcaria barata aqui, vende mais caro ali. Essas coisas.

- Duvido então que a Carla fique com ele.

- Deixa os dois. Vamos tomar uma cerveja?

- Por que não? – E me deu aquele sorriso divertido outra vez. Fomos até o bar juntos e a amiga da Laura foi até o banheiro. Isso foi o meu primeiro alerta de que eu podia mover os meus soldados. Nenhuma mulher vai ao banheiro deixando a amiga. Principalmente em uma boate. Falei mais algumas besteiras olhando nos olhos dela e ela sorria com os olhos de volta. Achei o momento mais propício e avancei. E finalizei. Um beijo bom. Mas tinha um pequeno problema. Era pequeno mais incomodava muito. Um bafinho.

Se alguém me falasse isso, eu saberia muito bem o que é. Mas não sei explicar direito. Não chega a ser um bafão que você sente quando está conversando. É quase um gosto que você só sente quando beija. É um bafinho. Deve ser o inicio de um bafão. Sei lá. Não foi a primeira vez que eu senti isso e gostaria muito que fosse a última.

Bem, não tinha muito o que fazer. Eu não iria vender a Laura na alta, porque para mim isso não é realizar o lucro. Continuei com ela durante a noite. JM acabou tomando um toco da Carla e sumiu. Eu fiquei dançando na pista e depois de um tempo, em um canto com a Laura. Não tinha bala para vender e mesmo se tivesse, como pedir para uma mulher chupar uma bala porque ela está com bafo? Tirando isso, o papo rolou fácil e quando fomos ver, a noite já estava acabando. Trocamos telefones e ela partiu com as amigas e eu fui encontrar JM atracado com a Fátima na sala do narguilé. Só faltava o anão para formar uma família feliz.

- Chinaski! – A gorda deu um grito.

- Vamos embora! – Eu devolvi no mesmo tom.

E fomos. Mas o JM ainda decidiu levar a gorda em casa. Um porre. Eu, no banco de traz, chamando ele de Jim Morrison, aquela gorda me chamando de Chinaski e eu chamando ela de Fátima. A pessoa que poderia ter 1000 apelidos era a única que era tratada pelo nome. Coisas da vida. Depois que deixamos a gorda, pulei para o banco da frente e antes de chegar na esquina JM começou a me socar.

- Você é um filho da puta, Vic. A mulher não queria nada comigo.

- Desculpa, cara.

- Eu tomei um toco monumental daquela mulher.

- Pois é, a Bovespa fechou em baixa.

- Por sua culpa. Perdi a confiança e acabei fechando a noite com a Fátima. A Carla nunca disse que estava a fim de mim.

- Não cara, era só especulação. Eu pensei que um Trader experiente como você não fosse cair nos boatos do mercado.

- Você é um filho da puta, Vic.

- Me chame de Chinaski.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Compre já!


Diretamente do polêmico Blog do Viciado Carioca, a Presto Filmes apresenta três curtas baseados e apertados em fatos verídicos e surreais.

Depois de muito sacrifício, trabalho, chopes e diversão o DVD “Fazendo as Regras” (saiba mais sobre como esse filme foi feito) ficou pronto! Posso dizer que eu e os produtores Claudio Lemos e Claudio Simões estamos muito satisfeitos com o produto final e esperamos que você divirta-se com essa ousada empreitada.



O filme “Fazendo as Regras” é baseado em uma história minha chamada “Walk of Life” publicada originalmente em 6 de Junho de 2006 no meu antigo blog que foi censurado pelo Ministério Público.

O DVD, além do Fazendo as Regras, traz também bônus e extras.

No Bônus você poderá conferir os filmes “Jim Morrison” que foi lançado no You Tube e o inédito “Harvest of Sorrow” que foi gravado e feito nos mesmos moldes do “Jim Morrison”. O Conto “Harvest of Sorrow” foi o primeiro publicado no antigo Blog.

Na parte de Extras além do Trailer que foi lançado no You Tube, existe uma galeria de fotos da filmagem e um divertidíssimo Making Of.

E para homenagear você, fiel leitor, que desde 2005 colabora com o meu blog, sempre incentivado, divulgado, criticando e apoiando, tenho uma bela novidade: quem vai decidir o preço do DVD é você!

Nada de enquetes, votação, consulta ao público ou qualquer coisa do tipo. Cada um vai decidir quanto vale o DVD e vai pagar exatamente o preço que julgar justo. Não entendeu? Vou explicar:

Minha idéia sempre foi fazer um filme legal e presentear com um “produto” legal você, que me acompanha há anos aguardando o meu livro que eu nunca tenho vergonha na cara de terminar. Não espero ficar rico com a venda dos DVD. Espero apenas que o filme se pague e, quem sabe, gere alguma verba para uma possível continuação.

Então, no final desse post tem um botão de doação do Pag Seguro. Quem quiser comprar o DVD entra ali e determina o preço que quer pagar pelo DVD. O Pag Seguro aceita todas as formas de pagamento. Faça o seu cadastro no Pag Seguro:
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Quem quiser receber mais de um DVD para dar de presente de natal, de aniversário, dia da avó etc, me mande um e-mail que a gente combina uma coisa legal.

É isso ai. Obrigado pelo apoio! Agora, vamos as compras?




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terça-feira, 6 de novembro de 2007

Detran

Há anos que eu não pego em um carro. Salvo raras exceções quando o meu irmão me empresta seu “carango” para eu tirar uma “chinfra” com alguma “pequena”. (É fogo, para o meu irmão emprestar o carro ele me obriga a falar como ele falava na época de adolescente dele, eu me sinto quase um Erasmo Carlos pedindo dinheiro emprestado ao Roberto Carlos).

Então, revirando a papelada notei que a minha carteira de motorista estava vencida. Fiquei por um tempo me perguntando se valia realmente a pena gastar o equivalente a uma boa noite de cachaça só para renovar essa bagaça. Como sou um otimista e sempre acho que vou conseguir comprar um carro em um futuro próximo, mesmo sem nenhum planejamento para tal, fui renovar a minha carteira de motorista.

Dei uma olhada no site e me surpreendi que eu teria que fazer uma prova teórica. Como assim, prova teórica? Que tipo de coisas iriam perguntar nessa prova? Onde colocar a lata de cerveja na hora de atender o celular enquanto você está dirigindo? Quais são as dicas para não sujar o estofamento durante um submarino? Sei lá. Há muito tempo eu não faço uma prova. Nem durante a minha faculdade eu fazia provas. No máximo trabalhos que davam um trabalho desgraçado para assinar o nome em uma coisa que algum imbecil copiou de um livro. Bem, como não sou de me desesperar, fui procurar alguns macetes para a prova teórica do Detran.

Desisti no segundo seguinte. Dei uma olhada no Simulado da tal prova e vi como era ridículo o tal teste. Até o meu sobrinho, viciado em Playstation, conseguira tirar nota máxima naquela porcaria. O exame médico eu nem vou comentar porque não podemos chamar aquilo de exame e nem o outro que se sujeita a fazer aquilo de médico.

Decidi marcar o exame na parte da manhã. Grande erro. A pior coisa que pode te acontecer é você ficar de ainda cedo em uma fila cheia de velhos catarrentos para fazer um exame que você não acredita. Mentira, a pior coisa que pode te acontecer é ser preso por um crime que você não cometeu e ainda ser currado na cadeia por seis brutamontes. Mas acreditem, é bem ruim ficar numa fila dessas.

- Eu dirijo desde 1942 e agora esses moleques querem me ensinar a dirigir. Esse Governo sempre arruma um jeito de tirar dinheiro da gente. – rosnou um.

- Isso é um absurdo. Ainda fazem a gente esperar na chuva e em pé. – resmungava outro.

- Eu quero fazer xixi! – grunhia um terceiro. E eu me recriminava por não ter escolhido o turno da tarde e ir fazer a prova bêbado. Seria engraçado passar em uma prova de direção totalmente embriagado.

- E aquele exame médico. Uma fortuna por uma bobeira. É com esse dinheiro que o Governo financia seus mensalões e as amantes de senadores. – O velho me olhou tentando buscar algum apoio. Eu sorri e soltei:

- Pois é, por isso que eu tenho saudades do Governo Médici. Aquilo sim era país. – O velho quase enfartou. Partiu em minha direção de um jeito que eu realmente pensei que ele iria me enfiar a porrada. Colocou o dedo da minha cara e disse:

- Você não brinca com isso moleque, você não sabe o que está dizendo. – Olhei para o coroa de cima a baixo, me afastei e falei:

- Claro que sei, vovô. E tenho certeza se o Garrastazu ainda estivesse vivo e no comando nós não teríamos que agüentar muitas coisas, como por exemplo, imbecis tentando montar uma revolução na porta do Detran.

- Garrastazu uma ova ele era o Carrasco Azul! Aquele homem não tinha compaixão e mandou matar e torturar como se fosse algo comum. Perdi um amigo que “sumiu” na época. Anos depois descobrimos que foi torturado até a morte. É isso que você quer de volta?

- Olha vovô, fico triste com o seu amigo comuna comedor de criancinhas, mas não se pode fazer um omelete sem quebrar os ovos. Acho até que é um preço justo pelo Milagre Brasileiro. Médici fez muita coisa boa como a ponte Rio-Niterói e Itaipu. – O velho ficou vermelho e eu comecei a ficar realmente preocupado com um possível enfarte. As pessoas são tão bobas, acreditam em qualquer besteira que você fala com convicção.

- Seu moleque abusado, eu não preciso ficar aqui ouvindo as suas asneiras.

- E nem ninguém precisa ficar ouvindo as suas. Volta pro seu canto e fica quieto antes que estipule o AI5 nessa fila! – E o velho foi embora crente que eu era algum discípulo de Diogo Mainardi ou algo parecido. Ainda me deu uma encarada quando entramos na sala e eu preferi dar as costas e silva para ele e encerrar a conversa.

Acho que o instrutor do Detran ainda estava explicando como se fazia a prova quando eu terminei a minha. Fiz em tempo recorde. O velho do xixi ainda nem tinha retornado do banheiro. Melhor para mim. Levantei e o instrutor soltou um “já?” eu respondi de pronto “Eu sou rápido e eficiente. Tudo culpa do meu treinamento militar” disse eu virando para o coroa e dando uma piscadela. Ele apenas fez um cara feia, balançou a cabeça e voltou para a sua prova.

Saí revigorado. Ganhei o dia. Quando voltei para a casa até peguei na locadora do Lucas uma cópia de “A Queda”.