sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Transmissão de pensamento

Quando eu não escrevo bêbado, eu bebo depois de escrever. Isso é uma coisa que me motiva muito. Me motiva a beber, é claro. Por que a minha escrita está muito ligada a bebida, mas a minha bebida só está ligada a uma coisa: vontade diária.

De qualquer forma, hoje concluí a penúltima parte de “Arco 2” que estarei publicando semana que vem. Daí saí para beber. Quando retorno, encontro um comentário de um fiel e antigo leitor, Lobo Sinistro, comentando sobre um dos meus primeiros posts, no meu antigo blog, sobre análise da música “Daniel na Cova dos Leões” do Legião Urbana. E não é que na penúltima parte do “Arco 2” existe uma análise de uma outra música, um verdadeiro hino Rock and Roll?

Isso meu atingiu como um raio. Uns chamariam isso de coincidência. O Lobo poderia escolher qualquer dia e qualquer post para fazer esse comentário. Eu chamo isso de sintonia. De alguma forma ultra subliminar pensamos juntos, eu e vocês, fieis leitores, da mesma maneira. O que é muito legal, mas muito mais legal, mas muito mesmo, quando você pensa sobre isso bêbado.

Então, beba e pense nisso.


(Leia Lobo Sinistro)
(Leia a Análise de “Daniel na Cova dos Leões")

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Is Anybody Out There?

Dois meses sem porra nenhuma nova. O cara que era “genial”, que era “engraçado” ou a “meca da criatividade” se tornou o preguiçoso, o morto, o ninguém.

Mas foda-se, eu nunca liguei para isso. Admito que gosto de ver as estatística de visitas como qualquer outro blogueiro e pretenso escritor, mas realmente não é alguma coisa que regula a minha vida.

O guia da minha vida, o que sempre foi uma benção e uma maldição é que as coisas acontecem favoravelmente para mim quando escrevo e tudo fica parado quando eu não escrevo.

O que acontece é que uma coisa alimenta a outra e quando uma das duas para, é como uma privada quebrada de um posto de gasolina na estrada. A merda só vai atolando.

Para me livrar disso, eu confesso com toda a sinceridade do mundo, eu tenho que fazer um esforço sobre-humano. Tento tirar leite de pedra para escrever. Mas sem nada acontecendo, a criatividade vai embora.

Nesse ponto, isso sim me preocupa, a minha responsabilidade e compromisso com o meu fiel leitor. O filha da puta que me acompanha através de toda essa jornada ou aquele maluco que chega aqui pela primeira vez e me manda um e-mail que perdeu horas da sua vida lendo todo o blog.

É com esse cara que eu penso a cada palavra que eu teclo. Porque estamos conectados de certa forma, nós enxergamos o mundo de forma singular. Eu ofereço força a essa pessoa proporcionando algo: Ou identificação, ou entretenimento, ou algum tipo bizarro de escapismo. E ele me dá a confiança de continuar escrevendo sabendo que eu não estou gritando no vazio.

Mas esquecendo o blá, blá, blá, o que eu quero dizer que eu estou aqui. I’m back in black. Estou assumindo o compromisso que antes desse ano acabar, irei publicar todos os capítulos que eu deveria ter publicado nos meses anteriores e completar o arco 2 do ano I.

Além disso, o que devo confessar é que estou muito focado em terminar o meu romance. Estou no capítulo 15 e com toda a história desenhada em minha mente, mas como essas coisas criam vida durante a jornada, eu não posso prometer nada em breve.


Além disso, em Janeiro irei começar o arco 3 do ano I. Não achem que por conta da minha ausência que eu não tenho coisa para escrever. Apenas falta inspiração para colocar tudo nas letras corretas. É o que sempre disse, minha vida não é mais ou menos interessante do que qualquer um, a diferença é como as coisas são ditas.

Mas estou chateado de voltar a escrever justamente em um texto cheio de desculpas escondidas e de agressão para auto-proteção como esse. O que eu realmente gostaria de escrever poderia estar apenas nesse último parágrafo;

Muito obrigado por se manter firme durante todo esse tempo de ausência. Pode ficar tranqüilo que a história será concluída. Tenha certeza, que você fiel leitor, está sempre comigo em todas as minhas tranqueiras, e ora porra, estamos em Dezembro, então, Feliz Natal e Feliz Ano Novo.

Segunda estaremos de volta com a parte 6 do ano I – Arco 2.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Cry, Cry, Empty Gril

Ela estava freqüentando o mesmo bar que eu fazia uns dois meses. Não por mim, óbvio. Ela é aquele tipo de mulher que não se apega a caras tipo o meu ou a tipo nenhum. Enquanto eu ficava no balcão bebericando uma cerveja, ela estava na mesa do fundo. Sozinha. Vazia.

Fumava alguma marca de filtro branco que eu não conseguia decifrar. Deveria ser barata. Toda vez que o garçom vinha trocar a sua cerveja, ela disparava três dedos de prosa. Estava dando mole para o garçom, qualquer um podia dizer isso. Nunca sairia com ele, qualquer um também podia dizer isso. Menos o garçom que nutre uma esperança de levá-la a algum motel barato.

Vira e mexe tinha algum homem em sua mesa. Um DJ fracassado, um advogado em começo de carreira ou um analista de sistemas cansado. Enquanto eu volto para a minha cama sozinho, ela garantia a sua carona. Não sei dizer a que preço. Não sei dizer se aqueles caras simplesmente a levavam para casa ou tinha algo mais. Aqueles olhos não diziam muita coisa. Eram vazios como as suas noites.

Certamente não é bonita, mas não chega a ser feia. Vendo ela dando mole até para o garçom, qualquer garota diria que ela é horrível. O cabelo não ajuda muito. De farmácia e alisado. Até que tem umas belas coxas, mas usa calças e saias longas. Um amigo meu descreveria como MMM. “Mulher mais ou menos”. Acho que ele tem razão. O foda é que as MMM tendem a “uma boa mulher” em uma terça chuvosa ou no dia que você ultrapassa as suas duas cervejas para cinco. Se eu estivesse bebendo com o velho Jimmy – do Matanza – ele diria que ela fica a cada drink mais bonita. Mas a cada noite, ela me parece mais vazia.

E começa uma situação bizarra. Ela nunca me olha. Nunca mesmo. Comecei olhando discretamente, mas a vazia nunca me notava. E isso me deixava puto. Na minha cabeça seria como o Steve Buscemi não respondendo os olhares da Angelina Jolie. Eu sabia que podia mais do que a vazia e naquele nosso mircrouniversso ela deveria me dar mole. Mas não dava. Comecei a olhar direto, mas isso também não ajudou. Eu era o homem invisível. Reparei que ela nunca levava o seu próprio isqueiro e comecei a manter meu Marlboro e meu isqueiro em cima do balcão. Ela virá aqui pedir emprestado, eu dizia a mim mesmo. Nada. Ela atravessava todo o bar e queimava seu cigarro barato com o isqueiro preso a correntinha no início do balcão. Aquilo começou a virar uma disputa pessoal. Não era possível.

E o desfile de amigos malucos continuava. Tinha um mulato, que saía da casa da namorada e todas as noites parava no bar para beber duas Antárticas. Era um coadjuvante fixo em nosso pequeno seriado. Ele levou a vazia para casa uma noite. No dia seguinte, o mulato estava no bar, mas a Vazia não. O garçom, acho que até por ciúmes, começou a interrogá-lo. E, no final da segunda cerveja, o mulato confessou que trocou alguns beijos com a Vazia, mas na hora final ele “o deixou com o pau na mão”. Qual é dessa mulher?, ele perguntava. Mas acho que ninguém do bar tinha a resposta.

Alguns dias ela realmente não aparecia. Outros, ela chegava ao fim da noite, bebia duas cervejas sozinha e saía. Outros, ela já chegava com um cara. Em tantos outros, ela sentava sozinha e os seus “amigos” iam aparecendo. E, em alguns, ela chegava cedo, falava muito no celular e acabava indo embora. Em todos eles, aquele mesmo olhar que não dizia nada, aquela velha rotina de dar mole para o garçom, e aquelas cervejas sem significado. Vazia.

Um dia, cheguei ao bar pelo outro lado da rua. Tinha ido ao posto comprar alguns maços de cigarro de reserva. Passei por outro bar, quando a vi. Tipicamente sentada na mesa com algum cara frustrado. Então percebi que em todas as noites que ela não estava no meu bar, estava em outro. Todas as noites que ela escapava do nosso seriado, ela estava fazendo alguma participação especial em outro seriado. Pensei em invadir aquele bar, mas deixei pra lá. Naquele dia notei que eu não estava no “nosso” seriado. Eu era o coadjuvante no seriado dela. Empty Woman. Que qualquer dia o SBT irá comprar e traduzi-lo para algum nome bizarro do tipo: “Uma mulher de bar em bar”. Tanto faz.

Continuei bebendo a minha cerveja no balcão e ela continuou o seu rodízio bizarro de amizades. Um taxista em fim de noite, um bancário em acessão, um jornalista que trabalhava como gerente financeiro numa microempresa. Quase nenhum deles voltava ao bar, e quando retornavam, nenhum dizia em todas as letras que tinham chegado ao finalmente na mulher que parecia ser a mais fácil que qualquer buteco já viu. Ela começou a ser aquele enigma irritante. Um “o que é o que é” chato, que você já sabe a resposta mas não lembra e tem que pedir para te dizerem a resposta. Ela é a piada sem graça que o locutor da rádio AM sempre conta mas você não resiste até escutar o final.

Foi em uma segunda-feira que ela pediu para sentar ao meu lado. Eu estava queimando o segundo cigarro decidindo o filme que eu veria quando chegasse em casa. O bar estava vazio e eu era o único cliente quando ela invadiu com o seu perfume adocicado. Olhou tudo, e finalmente virou para mim apontando para o banquinho ao meu lado e perguntou:

- Você se importa se eu sentar aqui?

Apenas consenti com a cabeça. Ela pediu a sua Skol defult e eu continuava na minha Brahma. Ela sacou um de seus filtros brancos de dentro da bolsa e perguntou se podia usar meu isqueiro.

- Claro. – E acendi outro, sem mesmo estar com vontade. Ficamos trocando algumas tragadas em silêncio e então ela soltou a armadilha:

- Desculpa, mas hoje eu não queria ficar sozinha.

- É?

- Estou muito carente. Tomei um fora. – Fiquei surpreso pela obviedade. Eu nem deveria fingir que sou um escritor se não conhecesse essa. A primeira vez que usei essa foi na Oitava Série. Sempre funcionava, principalmente usada por mulheres. Uma mulher dizer em todas as letras que está carente e você não finalizar é como você ser um Jedi e não conseguir matar um Storm Trooper. Impossível. Ela usava uma tática retrô. Era quase uma cantada anos 80. Eu quase ri na sua cara, mas sou curioso por natureza e ia levar aquilo até o fim.

- Você tomou um fora? – Disse utilizando todas as técnicas de interpretação que eu aprendi vendo filmes do Ben Affleck. E a desgraçada como se estivesse escrevendo um roteiro de um filme que só a Band tem coragem de passar me responde:

- Pois é. Eu me sinto feia. Você me acha feia? – Porra, essa é a hora que ela vai avaliar onde a noite vai chegar. Se eu der uma resposta espiritual do tipo “Não existe isso de bonito ou feio” ou “Se você se achar feia todo mundo vai te achar feia” ela já vai saber que eu não estou pra jogo, mas se eu der uma resposta acalorada como eu dei, ela vai saber que tudo está correndo segundo o seu plano:

- Você feia? Você só pode estar de sacanagem.... – E ela riu. Por alguns segundos. E daí, ela me mostrou que se eu tive aulas de interpretação com Ben Affleck, ela teve Thomas Jane. E começou um choro fake:

- É porque... porque.. ele não gosta de mim.... – E se jogou no meu peito. Pois é. Idiota assim. Em menos de 2 minutos nos já éramos tão amigos que ela já estava chorando no meu ombro. Aquilo era mais óbvio do que o roteiro de Trapalhões. Vamos lá, baby. Eu realmente quero saber como isso acaba, apesar de já ter visto esse filme mais de mil vezes e não acaba no motel.

Fiz carinho em sua cabeça vazia. Meu cabelo prendia as vezes na chapinha. Eu me olhava através de um espelho na parede e fazia caretas para mim mesmo do tipo: se esse é o episódio de final de temporada, esse seriado é uma merda.

- É tão feio ver uma mulher tão linda chorando. – Se eu sou o Ben Affleck com certeza Lucas, o gordo, seria Matt Damon e nós teríamos um Oscar por roteiro. Pois é, esse mundo é bizarro. Alfred Hitchcock não ganhou um Oscar mas Ben Affleck tem. E eu estava com aquela mulher nos meus braços e a única coisa óbvia que pude fazer foi emendar um beijo.

Se eu dissesse que o beijo foi vazio eu seria tão óbvio como aquela noite. O beijo foi louco. Aquela língua balançando dentro da minha boca procurando alguma emoção que não existia e na minha cabeça rodando aquele bicho japonês do Gênio Maluco perguntando “O que está acontecendo?”. Passei a minha mão pelas as suas costas e ela evidentemente reagiu com emoção. Um filme da Sexta Sexy é muito mais erótico.

- Eu não esperava isso. – Ela até tentou emitir alguma emoção dando um olhar de cima para baixo como um cão mendigando comida. Eu continuei com aquele Balet escroto e só pensava no filme do Hitchcock lá em casa.

- Acho que essa pode ser uma daquelas noites loucas, vamos sair daqui baby? – Ela concordou e eu pensei que não era nenhum Neil Armstrong e que a qualquer momento iria conhecer um lugar onde muitos homens já estiveram.

Saímos do bar e ela olhou para um lado e para o outro e perguntou:

- Onde você estacionou? – E nessa hora o Ben Affleck foi embora e deixou o lugar para o bom e velho Vic.

- Em você, baby... – Ela me olhou curiosa, e foi a primeira vez que vi emoções naqueles olhos.

- Você está a pé? – Eu ri e respondi.

- Engraçado, eu iria perguntar o mesmo para você.

- Você só pode estar de sacanagem. – bem, essa era uma frase que eu ouvia o tempo todo.

- Algum problema, meu amor? Você está carente e eu estou... estou.... realmente atraído por você. – Eu disse com toda sinceridade que duas Brahmas permite. Ela queria dar de ombros, mas se segurou. Ela era boa em sua personagem. Nos abraçamos e seguimos pelas ruas do Rio.

Andamos alguns quarteirões e eu finalmente disse:

- Acho melhor pegarmos um táxi. – Ela concordou e paramos. Ali perto tem um motel daqueles que eu posso pagar. Não pestanejei. Quando entramos no carro soltei:

- O senhor conhece o Te Adoro? – Romântico, não? O taxista logo concordou e ela não disse nada. Agarrei mais uma vez a vazia, quando notei que não tínhamos nem trocado nomes. De qualquer jeito o taxímetro estava rodando e eu pensado que no final das contas aquela seria uma segunda-feira das boas. Quando chegamos na final da 28 boulevard ela disse.

- O senhor pode me deixar na praça. – Eu não disse nada. Táxi parou eu paguei e soltamos.

- Eu moro ali. – Ela apontou para algum lugar que eu realmente não me importei.

- É assim?

- Assim, o que?

- Pensei que estávamos tendo uma boa noite.

- E estamos. Eu só não quero estragar tudo com sexo sem razão para amanhã você cagar para mim. Seu beijo é realmente gostoso. – Pois é, eu realmente estava falando com um robô. Ela já tinha todas as desculpas programadas, todas as respostas feitas. Era um computador e eu sabia que por mais genial que eu tentasse ser, não conseguira vence-la. Investi no contra-ataque:

- Você está certa, eu nem sei seu nome.

- Bruna.

- Legal.

- E o seu?

- Me chame de Vic.

- Vic?

- Vic.

- Legal.

- Você está bem? Não vai cortar os pulsos ou algo assim? – Tentei a última piada.

- Você me deixou bem.

- Ok.

E nos beijamos mais uma vez. Nem sei porque. Voltei puto para casa. Tenho quase certeza que estraguei uma bela noite no bar por conta de alguns beijos, um táxi e uma noite sem emoção. Um coadjuvante de uma série sem sentido. Um Jimmy Olsen, um Robin, um Vic no “Uma mulher de bar em bar”.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Ele & Ela

Revirando algumas coisas antigas, eu ri com esse post aqui. Espero que vocês também riam de novo. Enquanto isso, estou trabalhando em um projeto que ainda não posso dizer nada, mas acredito que vai agradar todo mundo por aqui. Ainda esse mês, mais dois capítulos do ano 1.

Ela se achava importante. Ele achava que tinha o pau grande. Ela achava que Paulo Coelho era o máximo. Ele achava que o Charles Bronson era o cara mais macho que já andou na face da terra. Ela achava que as pessoas deveriam ser solidárias. Ele achou dinheiro no chão.

Ela queria entender o mundo. Ele queria cagar vermelho toda vez que tomava suco de groselha. Ela queria psicografar Chico Xavier. Ele queria mijar no barril do Chaves. Ela queria ser presidente. Ele queria estar presente em uma suruba.

Ela usou maconha. Ele usou a tampa de uma caneta para limpar o ouvido. Ela usou a música para se expressar. Ele usou o pau dele numa melancia. Ela usou um lenço branco. Ele era usado.

Só tinham uma coisa em comum: os dois ouviram Legião Urbana e acharam Eduardo e Mônica a música mais merda do mundo. E por isso que não se beijaram naquela festa.

Ela voltou para casa falando mal do Renato Russo. Ele voltou para casa e tocou punheta.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Qualquer semelhança....

Estava olhando os filmes que vão estrear no cinema e me deparei com esse:




Achei bem parecido com um filme muito mais legal que é esse aqui:




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quinta-feira, 26 de junho de 2008

Enquanto o Ronaldinho comia os travecos...

Eu não acredito em bloqueio criativo. Mas até ai, foda-se. Eu também não acredito que existem Judeus no espaço, mas quando eles invadirem essa merda e tornar o Juca Chaves o nosso líder, eu vou ter que calar a minha boca e cantar aquelas musiquetas babacas ao som de um banjo farrola. Mas fiquei um tempão sem escrever e isso é uma coisa que me incomoda.

Escrever para mim é a combustão para todas as outras coisas da vida. Quando fico sem escrever, as coisas vão piorando e só notei que precisava me forçar e escrever qualquer merda quando eu parei de ter sonhos eróticos. Isso é uma pena, porque uma das melhores coisas da vida, e isso eu posso dizer com a maior sinceridade, é acordar de pau duro.

Mas deixem o meu pau pra lá, porque afinal, depois de uns dois meses vocês não estão aqui para ler um texto enorme sobre a minha piroca. E não ter sonhos eróticos não é tão ruim assim, foda mesmo é você sair para comer umas putas, acabar com três travecos e depois ir ao Fantástico explicar que você não fez nada demais além de beijar na boca de um homem vestido de Spice Girl.

Agora que eu estou por aqui, e eu espero que vocês estejam aí, prometo tentar acertar alguns pontos em aberto. O primeiro é o final do post de extras, aquele que comemorava um ano dessa nova bagaça vermelha. O outro é publicar o capítulo de Maio e Junho do Ano I. Eu sei que já deve ter gente cortando os pulsos, pois já achavam que nunca saberiam o final da história. Podem guardar as navalhas, porque o Vic está de volta. Provavelmente o de Maio e Junho só venham em Julho, mas podem ficar tranqüilos que tudo seguirá o grande caminho torto escrito pelo todo Poderoso. Ele mesmo, o Menestrel do Brasil, do Mundo, do Universo e muito e muito além do espaço e tempo jamais imaginado por George Lucas, Amém.

O interessante nesse lance de bloqueio criativo, que eu não acredito mas é tão real quanto o cabaço perdido da Sandy, é que essa não foi a primeira vez que isso acontece. Lembro-me muito bem que uma vez, há mais de um ano, eu tinha todo um texto na minha cabeça sobre como era bom dirigir bêbado e no mesmo momento que eu batia as teclas aqui em casa, uns adolescentes bêbados bateram com o carro na Lagoa e todos foram para o outro lado mais cedo do que deveria. E daí eu fiquei pensando nas conseqüências que um imbecil como eu pode causar escrevendo sobre algo que eu realmente curto fazer, mas é tão perigoso quanto transar sem camisinha com uma menina que tem o apelido de Dani Boquete. Cheguei a conclusão que não eram muitas as conseqüências, mas mesmo assim resolvi não escrever. E na ocasião eu não escrevi por uns dois meses eu acho.

Eu já disse por aqui que nunca fui o papa das drogas. Não quero o posto de Marcelo D2 do pó. Digo e não canso de repetir que se drogar é uma merda. Que maconha faz o seu pau cair e a cocaína pode fazer o cú de alguém explodir e voar merda em cima de todos aqueles caras doidos de ácido ali no canto. É claro que os meus leitores que estão trincados não conseguem absorver porra nenhuma e só voltam aqui porque acham maior viagem um blog vermelho. Os que fumam uma erva, acham o máximo o que eu escrevo, mas não lembram de porra nenhuma no outro dia. Mas droga, eu não faço apologia ao foda-se e vice-versa.

Eu gostaria de poder fazer apologia de dirigir bêbado sem nenhuma conseqüência muito grave. E no final desse meu segundo grande bloqueio criativo, coisa que eu não acredito mas é tão real quanto a amizade bonita e fraterna entre Didi e Dedé, eu posso falar sem muitas conseqüências sobre como ERA bom dirigir bêbado. Pois é, agora com a lei de tolerância zero nenhuma alma humana brasileira vai conduzir um veículo quando estiver alcoolizado, pois essa porra aqui é uma espécie de França sulamericana e teremos guardas preparados, educados e equipados para fiscalizar essa merda toda. Eles ainda estão cagando e andando com os moleques malabaristas de sinal, com os assaltantes, estupradores, seqüestradores e o Álvaro Lins, mas tenta colocar uma geladeira da Skol no seu Uno Mille para você ver o que vai te acontecer, seu miliante.

Se eu pudesse escrever sobre esse meu fetiche, a primeira coisa que eu alertaria o leitor é que eu não gosto muito de correr. Sóbrio, minha velocidade máxima raramente chega a 100. Quando bebo e dirijo eu vou descendo sistematicamente em 10km/h a minha velocidade média, podendo chegar ao limite de 60Km/h o que é bem razoável.

Outra coisa, eu dirijo raramente, somente quando pego o carro do meu irmão emprestado, e quando o faço, é claro que eu não entro em orgias etílicas loucas. Bebo o padrão. O alegre sem ser chato.

Mas o que é tão fascinante assim em dirigir alcoolizado? Bem, se eu pudesse responder isso sem querer estimular ninguém a fazer o mesmo, eu diria que é o momento mais legal de se ouvir música. O carro do meu irmão não é nenhuma caixa de som ambulante como a da playboizada. Um som normal, com caixas normais. Mas eu acho que o carro, qualquer carro, tem uma acústica muito boa. Quando faço isso, sempre estou sozinho, e o carro te dá uma intimidade que você às vezes não tem em casa. Mesmo morando sozinho, você não pode aumentar o som durante a madrugada sem que um vizinho escroto mande você enfiar o seu The Doors no cú. E ainda tem um fator primordial nisso tudo. O movimento. Cantar uma música na frente do computador ou quando está deitado na sua cama não é a mesma coisa de ouvir uma música em movimento. A sensação de poder é totalmente diferente. O álcool entra nisso tudo só para você não se olhar no retrovisor e não se achar ridículo pensando que é o novo Morrison do pedaço.

Não existe sensação melhor do que cantar L.A Woman depois de 6 ou 7 chopes, dentro do seu carro. Bem, isso que eu escrevi ai em cima é uma grande mentira. É claro que existem várias sensações melhores. Até acordar de pau duro depois de um sonho erótico é melhor. Mas como eu falei antes, não vou ficar aqui escrevendo linhas e linhas sobre a minha piroca.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Qual é a sua história?

Minha mãe sempre dizia depois de um esporro: “Engole o choro”. Hoje meu chefe fala para a minha equipe. “Engole o riso”. Claro que ele não verbaliza isso. É uma comunicação subliminar, velada. Silenciosos, nós trabalhamos e sonhamos com dias melhores. Mas a cada tabela de excel, a cada carimbo em memorandos burocratas inúteis, eu percebo que de tão cansado, o corpo não tem força de fantasiar.

Eu invento umas seis maneiras de deixar o trabalho mais interessante mas não digo nenhuma. Eu não sou pago para ter idéias e ele é pago para que ninguém tenha idéias. Idéias cristãs de tornar o ambiente mais amigável, idéias pagãs de transformar tudo em um puteiro, ideias xiitas de pegar uma bomba e explodir aquela merda toda. Todas elas acabam virando idéias judias em um campo de concentração trabalhista. Ele, o Jochef Mengele, aplica suas práticas obscuras processuais nazistas que carbonizam as nossas idéias.

Eu luto bravamente entre a tela azulada do monitor e o ar que me condiciona a morte pela sobrevivência da minha imaginação. Sou a última esperança da minha geração. Sou o escolhido. O arauto de uma nova era que nem eu mesmo acredito. Tento de todas as maneiras manter a mente funcionando e com o a faísca da liberdade queimando no meu coração. Penso em falar tudo isso para aquela garota que está sentada a minha frente no bar, mas não tenho coragem.

- Não vai funcionar. – digo a mim mesmo quando mais um Marlboro queima entre os meus lábios. A noite está monótona. Estava seco por uma cerveja mas todos os meus amigos usuais estavam ocupados. Decidi partir sozinho e apostar as minhas fichas no destino. Não era um bom plano, mas tirando passar a noite em um motel com três travecos, eu iria fazer de tudo para não ir mais uma vez para casa depois do trabalho, tomar banho, jantar e dormir para no dia seguinte fazer tudo de novo. E de novo. E mais uma vez.

Pedi mais um chope. O garçom tenta puxar outro papo. Já falou do Flamengo campeão, já falou da merda que está o trânsito na cidade maravilhosa. A qualquer momento ele vai voltar com o caso Isabela. Enquanto eu, em um guardanapo, vou escrevendo a história de todos que estão no bar.

O coroa barrigudo com a mulher cafona sentados perto da porta, estão naquela fase estranha do casamento. Já passou a paixão. A filha mais velha já esta casada e o mais novo, que está se formando na faculdade de direito, passa mais tempo no computador e em micaretas do que com a família. Ele agora só sonha em pegar o dinheiro da aposentadoria e morar em Saquarema. Ela só pensa no primeiro neto e, quem sabe, uma aventura extra conjugal. Os dois adoram o Lobichomem do Zorra Total.

E por falar em aventura extra conjugal é exatamente o que aquele sujeito com cara de almofadinha está tendo no momento. Está saindo com a estagiária do escritório mais ninguém sabe. Ela tem canelas finas e admira mais o sucesso do almofadinha no trabalho do que sua personalidade. Aquele é o primeiro encontro e ele só vai conseguir dá uma amasso nos peitos da garota. Daqui a 7 meses ela estará grávida.

Gravidez é uma coisa que não passa na cabeça do casal no canto do bar. Na verdade eles não fazem muitos planos para o futuro. Ele é músico e dá aulas de guitarra. O maior sonho dela é ver o sucesso do rapaz, mas no fundo os dois sabem que uma banda de Glan Metal não vai levar ninguém a lugar algum. Mas enquanto a maconha estiver rolando solta, tudo bem.

Tudo bem está com aquele grupo de velinhas. Elas sabem curtir a vida sem bingos, sem cartas ou novelas. Encontram-se todas as quartas em bares diferentes da cidade experimentando petiscos e peidando enquanto falam dos bons e velhos tempos. Ninguém sabe, mas a mais alta e com o cabelo amarelo-cigarro esconde um estranho segredo do seu passado.

Então chegamos nela. Quem é ela? Eu não sei. Eu já sei a história da sua amiga. Está de saco cheio da sua casa e quer morar com o namorado. Mas está puta porque o cara está acomodado no namoro. Mas a história dela eu realmente não sei. Essa deve ser a sexta ou a sétima vez que os nossos olhares se encontram e eu sei que se eu deixar essa contagem chegar em 15 ou 16, eu vou deixar de ser o cara interessante do bar, pro maluco que bebe sozinho e fica escrevendo obscenidades no guardanapo.

De repente o destino me faz agir por instinto. A maluca casamenteira vai ao banheiro e mais uma vez nossos olhares se cruzam. Dessa vez, ao invés de eu fugir o olhar para um ponto mais distante eu abro os braços e mando um sorriso. Ela aperta as sobrancelhas tentando compreender eu falo:

- É incrível, eu estou cheio de coisas interessantes para dizer e não tenho a oportunidade. Ela esta com um papo chato pra caramba e tem a oportunidade de te alugar a noite toda. – Ela solta um risinho e fala:

- Você estava escutando o nosso papo?

- Eu tive que escutar. Eu ainda não consegui escrever a sua história e precisava de alguma dica.

- Escrever a minha história? – Eu mostro os guardanapos rabiscados.

- Eu já tenho a história de metade desse bar escrita. Você nem vai querer saber a daquelas velinhas. – Ela ri outra vez.

- Agora eu vou querer saber.....

- Me dá uma dica....

- Gisele. – A amiga volta e fica me olhando tentando me reconhecer. Eu mando aquele olhar simpático de “oi” ela responde com um sorriso rápido e senta de costas para mim. Eu simulo em enforcamento e faço uma careta quando digo com as mãos que a falastrona voltou e Gisele ri mais uma vez. As duas começam a conversar e Gisele deve estar explicando o que aconteceu enquanto eu escrevo seu nome em um guardanapo em branco.

Tento encaixar uma profissão mas não encontro. Ela deve trabalhar com telefonia. Metade das pessoas que eu conheço no Rio de Janeiro trabalham com telefonia hoje em dia. Assistente de Marketing da Vivo. Ela deve ficar dando idéias bizarras do que fazer com aquele bonequinho. Sei lá. Babaca de mais.

Ela deve ser a única mulher torneira mecânica e desenhar peças de avião. Tá foda. Desce mais um chope.

Ela tem uma clínica de tratamento holístico. Ela é a mulher da acupuntura. Além disso é uma das poucas mulheres que adora vídeo-game. Ganhou o último campeonato de Win Eleven do condomínio. Mais ralo do que personagem da Malhação.

Eu não consigo. Gisele é uma mulher sem história. Ela foi clonada da Gisele original e a envelheceram artificialmente até os trinta anos. Agora ela está conhecendo o mundo e descobrindo como a sociedade funciona. Eca, parece um Isaac Asimov de pobre.

Eu desisto. Além de tudo, agora sou eu que preciso dar uma mijada. Chamo o garçom e peço que ele dê uma olhada na mesa. Essa é a pior coisa de ir a um bar sozinho. Gisele entende errado e pensa que eu estou indo embora. Ela vem até mim:

- Não vá. Ela esta indo embora e eu não quero ficar aqui sozinha.

- Mas eu só estava indo ao banheiro.... – Ela coloca a mão no rosto de forma envergonhada. Eu a salvo – E eu não poderia ir embora sem saber quem é Gisele. – Pego os papeis na minha mesa e entrego a ela – Cada idéia está pior do que a outra. – Ela lê a primeira e ri

- Eu não gosto de vídeo-games. – Ela me entrega os papeis de volta e diz. – Mais dez minutos.

Na verdade foram vinte, mas finalmente Gisele tinha migrado para a minha mesa. Sua amiga, que eu esqueci o nome, partiu. E eu finalmente descobria quem era a verdadeira Gisele.

- Estudando para concurso público? Eu poderia ter pensado nisso. Melhor dizendo, agora me parece óbvio.

- Sério?

- Você não tem aquela vista cansada e aqueles ombros carregados de quem tem um trabalho enfadonho. Você ri com naturalidade e não com quem está ávido por um pouco de diversão. Sua fala é mansa, calma, quase melódica e não aquela autoritária de alguém que quer demonstrar um pouco de poder depois de ser dominado por 8, 10, 12 horas de trabalho.

- Nossa, você realmente odeia trabalhar, hein?

- Com todo ódio que um homem pode ter. Se todos fossem serenos como você, essa sociedade seria harmônica.

- E viveríamos nas cavernas.

- É quase um fetiche imaginar você vestida apenas com pele de onça. – Ela sorri mas desvia o assunto e logo percebo que Gisele não é safada. E, não quero dizer que ela não é vagabunda. As vezes, as pessoas acham que uma mulher safada é uma vagabunda. Safada é a que gosta de uma sacanagem. De uma transa proibida, de uns afagos clandestinos.... bem, vocês sabem.

Continuamos nos conhecendo. Aparentemente o convívio social de Gisele está bem restrito. Estuda muito, sai pouco. Essas coisas. Trocamos telefones e alguns beijos. Gisela é como um texto de jornal. Tem um limite de toques. Gisele é cheirosa e já tem companhia para ver Homem de Ferro no Sábado. Isso, se meu chefe não acabar com o meu cérebro até lá. A conferir.


Continua...

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quarta-feira, 2 de abril de 2008

Fazendo as regras de Graça!

Ou pagando.... você escolhe

Essa semana teremos duas exibições do Fazendo as Regras no Rio de Janeiro. Esta é uma bela oportunidade para aqueles que ainda não assistiram o filme finalmente conhecerem o projeto que eu me dediquei por boa parte do ano passado. Para aqueles que já compraram o DVD é uma oportunidade de conhecer mais sobre o filme, conversar com todos envolvidos e, é claro, poderem assisti-lo em uma tela grande.


A primeira exibição ocorrerá amanhã, quinta-feira, 03/04, as 22h. É a festa de Dois anos da Banda Cinzel e como “show” de abertura, exibição do Fazendo as Regras. Para aqueles que forem chegar lá, eu sou o cara bêbado com a camisa do Iron Maiden.


Fazendo as Regras & Banda Cinzel

Cinelapa
Dia: 03/04 (Quinta-feira)
Horário: 22h
Endereço: Cinelapa - Av Mem de Sá, 23 - próximo a Pizzaria Guanabara
Entrada: R$15, mas rola uma lista amiga na comunidade do Cinzel. E só clicar aqui.


A outra exibição será na festa de comemoração de 1 ano do Cineclube Phobus. - Único cineclube brasileiro dedicado exclusivamente a filmes Trash, B, Midnight Movies, Low-Budget e ladeira abaixo! Será no Sábado, 05/04, as 16h (sem atrasos).

Na sessão de Sábado o Cine Phobus exibirá o curta “Fazendo as Regras” e o longa “As aventuras do Sérgio Malandro”. Para quem não conhece essa obra prima do Trash brasileiro, dá uma olhada no IMDB. A sinopse eu nem vou me dar o trabalho de traduzir:

Sérgio Mallandro is chosen by an alien to be the one to receive special powers to do good. But before that he must prove his worth and kind heart by rescuing a girl's pet. Along the way, he is frequently hampered by an envious villain (Pedro de Lara).


Fazendo as Regras & Sérgio Malandro

Cineclube Phobus
Dia: 05/04
Horário: 16h (Sem atrasos)
Endereço: Sesc Tijuca - Rua Barão de Mesquita, 539
Entrada Grátis!!! – (Venda do filme a preços promocionais)
Comunidade do Cineclube Phobus no Orkut

Espero todos vocês, os amigos de vocês e, principalmente, a irmã de vocês!


COMPRE AGORA O DVD!

segunda-feira, 17 de março de 2008

Entrevista: Viciado Carioca

O Povo contra Vic

Iniciando a primeira parte do "Post Extras" respondo as perguntas dos leitores. Ainda essa semana eu coloco a lista comentada dos melhores contos escolhidos pela galera.

1 - Família e amigos do trabalho sabem sobre o Vic?

Se eu fosse colocar o Vic em um microscópio, essa seria uma pergunta tão abrangente como “Da onde viemos?” “Pra onde vamos” ou “Esse Uísque é falsificado?”. Eu não consigo associar a palavra trabalho com diversão, não consigo desassociar a palavra amigo com diversão, logo, fazer amigos no trabalho é foda.

Mas existem amigos – até do trabalho - que sabem do meu blog. E isso já rendeu algum pano para manga. “Como você me retrata assim nos seus contos?” ou um “Eu nunca disse isso”. Mas tudo pela “licença poética”. Como eu sempre falei, tudo que eu escrevo no “Cotidiano Maldito” é verdade. Aconteceu. Não do jeito que é escrito. Eu tento misturar um pouco de fantasia com realidade e criar algo interessante. Ninguém quer ler “O meu querido diário”. Como um exemplo, eu cito a minha falta de inspiração:

“Mas o que estava faltando mesmo era inspiração. Andei procurando umas gotas de criatividade em tudo que é lugar. Revirei um lixão perto do túnel velho de Copacabana e não encontrei nada. Chutei alguns túmulos no São João Batista em vão. Troquei uns dedos de prosa com os bêbados de Vila Isabel e só consegui uma ressaca cheia de azia.”

Claro que eu não fui ao cemitério chutar tumbas. Mas é uma coisa engraçada de pensar. (Não para os mortos. Mas se um dia vocês quiserem chutar o meu túmulo, eu deixo. Na vou puxar o pé de ninguém. No máximo passar a mão em algumas coxas bonitas).

Qualquer um que escreve tem falta de inspiração. Não consegue levar adiante nada. Nem descrever situações que ele viveu (vide os sete pecados capitais que eu nunca consegui acabar...) E até para descrever a sua falta de inspiração, você tem que ser criativo. Caso contrário, você é sou mais um na multidão.

Quanto a minha família. Basicamente eles utilizam a internet para ler e-mails, entrar no Orkut e baixar filmes e música. Então, eu não tenho muito que me preocupar com alguém lendo o blog do Viciado Carioca.

2 - Já teve vontade de ir a algum programa de TV, se imaginou pensando nisso?

Sim. Claro. A Butman tinha um programa – ainda tem? – muito bom. Cheio de gostosas doidas por sexo. Eu tenho algumas idéias criativas sobre filmes pornôs que eu venderia bem barato. Quase ao custo da produção.

Tirando a sacanagem acho que a pergunta era “se eu sonho falar sobre mim ou sobre o meu filme, meu livro, meu blog no Jô Soares”. E para ser bem sincero, não. Já vi vários desconhecidos irem ao Jô Soares e voltarem a ser meros desconhecidos. Já vi o Angra ir ao Jô Soares – e eu acho o Angra uma banda mediana – e ficar muito puto com o Jô Soares porque ele ficou fazendo perguntas sobre o cabelo dos caras e “batendo pratos” com o CD. Entrevista que é bom, nada. Aquilo é um circo para engrandecer o ego do Jô Soares. Eu tenho uma amiga que trabalha em uma editora e perguntei qual era “O efeito Jô Soares” na venda de um livro. Se o cara for um desconhecido? Quase zero. Então, eu que pergunto, pra que se expor a um ridículo desses?

Gostaria de ser entrevistado pelo Gordo. O Gordo da MTV. Esse sim é um cara sagaz. Ratos do Porão, mas foda-se, vou fazer meu estilo aqui na MTV e faturar uma grana. Eu lembro que no auge da fama do João Gordo na MTV, a mídia querendo mostrar ele como um vendido e ele fazia Show no Garage a preço popular (Garage é um lugar tranqueira, Punk e fudidasso aqui do Rio). Tá certo, Ratos do Porão não é nenhuma maravilha, mas não é nenhuma porcaria. E o Gordo é foda. É engraçado, é escroto, é gordo. O Programa dele tem alma.

Isso não quer dizer que meu ego não balança. Claro que balança e o de todo mundo balança. A Gisele Bundchen mesmo sabendo que é gostosa pra caralho, olha para a revista Times que lista as sei-lá-quantas-pessoas-mais-bonitas-do-mundo e balança quando vê aquilo. Sabe quando eu balanço? Quando eu sei que eu não sou merda nenhuma e um cara dizer que leu um livro só porque eu falei que era bacana. Sabe quando eu balanço? Quando um cara diz que deixou de jogar vídeo-game para ler os meus textos e ainda faz uma ressalva (eu sou viciado em vídeo-game). Sabe quando eu balanço? Quando alguém me manda e-mail e diz que também quer parar de se drogar e me pede dicas. E depois volta o e-mail dizendo (esse fim-de-semana eu não me droguei, valeu mesmo). O que é a internet? Pessoas buscando pessoas! Da mesma forma que as pessoas acham maneiro o que eu escrevo e visitam o blog, compram o dvd, me mandam e-mail, deixam comentários, isso me motiva a tentar sempre ser melhor, sempre inovar e isso alimenta o circulo vicioso.

Não, eu não quero ir numa porra de programa de televisão. Trocaria qualquer entrevista com qualquer entrevistador se eu soubesse que todas as pessoas que se importam de me visitar uma vez por dia – e me visitam diariamente mesmo sabendo que sou adepto a post semanais ou quinzenais – me contassem como estão indo e como eu estou ajudando nessa porra de mundo louco em que vivemos. Somos pessoas, cacete, e vamos lembrar e se importar com isso o tempo todo. Depois que o Big Brother acaba, a maioria deixa de ser Big e vira apenas “Brother”. Então, vamos ser “Brothers”.

3 - A sensação de vê seu passado? Faria tudo de novo?

Só um imbecil pode falar que não se arrepende das coisas que fez e sim das coisas que não fez. Eu me arrependo de várias coisas que eu fiz e peço desculpas sempre que consigo.

O maior erro de todos foram as drogas. Cheirei pra caralho e vi que com isso só perdi, e vi que todos os meus amigos também só perderam e, vi que todos os nossos ídolos também se drogavam pra caralho e também só se fuderam. E mesmo assim, muitos vão achar o meu papo é careta e vão continuar se drogando pra caralho até o dia que notarem que todos nós estamos tentando preencher um vazio que nunca será preenchido. Nós nunca vamos conseguir substituir alguém ou um sentimento, ou uma coisa que não temos, mas gostaríamos de ter. Mesmo assim nos enchemos de álcool, de drogas, de sexo, de escrita, de nada. Temos que tentar aprender com esses sentimentos e lutar com esses demônios da melhor forma possível. E te garanto, o álcool é bem melhor do que se drogar. E escrever é muito mais gratificante que ficar bêbado. Acho que temos que encontrar um caminho, e quando encontrarmos esse caminho, com certeza, seremos felizes.


4 - Dizem que o cigarro e a bebida levam quem está limpo de volta as drogas? Tem alguma razão?

O cigarro não. Eu utilizei um método da substituição. Sempre que eu estava na fissura de cheirar, eu fumava maconha. Fiquei nessa bastante tempo. Acho que um ano. Então, comecei a fazer o mesmo com o cigarro. Eu não fumava (Marlboro) há muito tempo e voltei para tirar a fissura de fumar maconha. No fim do processo estou sem usar maconha e cocaína e estou viciado em uísque e Marlboro como qualquer pai de família normal.

O que leva as pessoas de volta as drogas são as pessoas (outras ou ela mesmo). Acho que mudar de ambiente é fundamental. Pelo menos durante o processo. A vontade também é. Se entrar na onda "só hoje" ou "hoje é um dia especial" você se fode. Eu tenho uns 60 amigos/conhecidos, se eu fosse abrir exceções em todos os aniversários eu me drogaria todos os fins de semanas e alguns dias da semana. Se você quer parar de fazer algo, coloque na cabeça que acabou e não existe “Vale a pena ver de novo”.

A vida é tão escrota que você tem que viver pra caralho para entender que você não precisa entender os grandes filósofos para ser feliz. Esqueça Sartre, Platão, Nietzsche, Espinosa, Kant, Hobbes, Descartes, Calvino, Luthero, Aristóteles, Hegel, Foucault, Schopenhauer ou sei lá mais quem. Viva apenas na filosofia da caixa de sucrilhos. “Não faça aos outros o que você não quer que seja feito a você”. “Sorria para o mundo que o mundo irá sorrir para você”. “Aqui se faz, aqui se paga”. “Em terra de cego, quem tem olho é rei”. “Não coloque a mão onde o braço não alcança”. Etc, etc, etc.... se você seguir o mais óbvio é um atalho para a felicidade. Os eruditos demoram quase uma vida para entender o que qualquer garçom aprende em dois meses de trabalho. E os drogados demoram quase o mesmo tempo que os eruditos e o pior, depois viram fanáticos religiosos.

5 – Escrever ficou mais fácil, ou mais difícil careta?

Nem um e nem outro. Dizem que doidão você tem mais idéias. Eu lembro de ter visto Matrix muito doido e perdi o interesse antes da primeira hora do filme. Eu imaginei uma outra coisa muito mais foda. Uma história mais complexa e profunda que a do filme. No dia seguinte eu tinha perdido tudo. As idéias fodas sumiram do meu cérebro e foram para o mundo da Matrix. No final eu não curti o filme e nem tinha as idéias. O que eu ganhei?

Por isso que eu falo que a criatividade estimulada pelas drogas, é uma criatividade descartável. E eu não queria que o meu cérebro tivesse prazo de validade. Às vezes eu tenho idéias quando estou bêbado. Não me lembro de tudo, mas consigo guardar boa parte. Escrever bêbado é bom de vez em quando. Eu tenho até um post sobre isso. Mas não é uma regra. Acho que 70% do meu material eu escrevo sóbrio e 30% bêbado. Mas confesso que as idéias são na faixa de 50% bêbado e 50% sóbrio. Mas idéia e texto pronto são coisas tão distintas como um esperma e um neném. E ninguém coloca um esperma no colo e mostra pras pessoas e diz “fui eu que fiz” se não for em um filme pornô.

Mesmo assim, escrever nunca é fácil. Prova disso é eu brigar com teclado a anos e nunca consegui produzir o livro que tanto quero. Não é falta de inspiração ou de idéias, mas é difícil você tirar algo que é bem estruturado na sua cabeça e transformar em um texto interessante. E mesmo assim existem milhares e milhares de livros merdas publicados. Como explicar isso? Sei lá... chama o pessoal do Arquivo X.

De fato, existem textos que nascem mais fáceis que outros. E os filhos da puta ganham vida própria e escolhem o seu próprio destino. Todo escritor sabe que não é o senhor de seus personagens. Os desgraçados escolhem se tornarem vilões, heróis, assassinos, mocinhos. Até escolhem morrer de vez em quando. É foda. É uma luta constante entre sua mente e o teclado. Por isso eu sempre concordo com Douglas Adams que uma vez disse “Odeio escrever e amo ter escrito”.

É a pura verdade. Mais pura que a do Morro do Dendê. E tenho dito.

6 - Quem era você no DVD?

Sério mesmo? Ninguém. Não fiz parte das gravações. Não Apareço no Making Of. Fui um dia lá conhecer os atores e só. Realmente acredito que um filme é do diretor assim como o texto é do escritor. Quando decidi fazer o filme e deixar na mão do pessoal da Presto, aquela história contada no DVD não era mais minha, era do Claudio Lemos e de suas visões sobre o texto. Tentei me manter ausente até para não interferir em um trabalho que o autor é ele. De resto, adorei o resultado do filme e confesso que revejo o DVD diversas vezes.

7 - A resposta do DVD esta sendo boa?

Depende. Como eu disse na pergunta acima, o filme é do diretor e não do escritor. E acredito que ele como filme isolado é um bom filme. A maioria das pessoas que não conheciam o blog teve uma resposta muito positiva para o filme e isso foi visto não só nas sessões teste, mas com amigos de pessoas que compraram o filme.

Dos leitores que compraram o filme eu digo que foi meio a meio. Muitos foram ver o filme como uma produção caseira e provavelmente ruim e se admiraram com a qualidade do DVD (menu, extras, making off) e do filme (direção, som, trilha sonora). Outros ficaram decepcionados de verdade e desses, quase todos porque tinham uma visão do “Vic” já concebida e não aceitaram muito bem a visão do filme.

De forma geral, acho que o filme é bom e eu o teria na minha videoteca mesmo que não fosse um filme sobre um pedaço da minha vida.

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8 - O que você sente falta do Vic que começou a escrever o blog Viciado Carioca?

Nada. Sinceramente nada. Acho que aquele Vic se transformou nesse Vic daqui bem melhorado.

9 - Se você pudesse ser alguém, quem você seria? Vivo ou morto!

Sempre tem um engraçadinho, não é?

10 - Jack Daniel’s need ou on the rocks?

Boa pergunta. Talvez a melhor. Quando eu tinha de 15 a 19 anos sempre bebi a cowboy (até tem uma coisa muito engraçada sobre isso que devo relatar no desenrolar do ANO I).

Mas existe um resultado bem fatal na mistura de Marlboros, maconha, bebida e uma alimentação descontrolada. Gastrite e úlcera. Comecei a ter muita azia e se tornou impossível beber qualquer coisa destilada sem gelo. Então, hoje, JD apenas com gelo.

Existe sempre a exceção para confirmar a regra. (Não existe uma regra sem exceção e se existir, não é regra). É o dia do “Fantástico Mundo de Jack Daniel’s” (inspiração no Fantástico Mundo de Jack). Começou com eu e o Lucas, em um dia que compramos uma garrafa e ficamos dividindo no gargalo e discutindo sobre a vida, o universo e tudo mais enquanto andávamos pela praia de Ipanema até o Leblon. Repetimos a dose no ano seguinte. No quarto ano ganhamos dois seguidores e hoje, o evento no seu sexto ano, são dez pessoas e três garrafas de JD.

A idéia é o dia seguinte virar feriado. Sei lá. O Feriado do dia seguinte do Fantástico Mundo de Jack Daniel’s. Vamos conversar com um vereador e vê se cola. Mas fiquem a vontade de reproduzir o evento em suas cidades. Qualquer dia podemos criar a “marcha a Jack Daniel’s” com motoqueiros, roqueiros e malucos em geral andando e falando merda enquanto bebem JD. Um grande movimento que unirá pessoas de todo país com o único objetivo de ficar jogando papo fora enquanto enchem a cara.

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terça-feira, 11 de março de 2008

Feliz aniversário, envelheço na cidade

Semana passada foi que reparei que em 13 de Fevereiro esse blog fez um ano e eu não disse nada. Trabalho é como um vampiro de alma. Ele suga a sua criatividade e sua atenção até que você se torne uma carcaça morta na frente da Tv. Só assim que alguém consegue rir de uma piada do Zorra Total.

Mas esquecendo isso, vamos nos lembrar de coisas boas. Estou preparando um post especial de aniversário e preciso da sua colaboração. Me envie por e-mail (e por favor, somente para o e-mail viciadocarioca@gmail.com) perguntas que você gostaria que fossem respondidas e, pelo menos, os seus três contos prediletos já publicados (vale do antigo blog).

A minha idéia é fazer uma espécie de post “extras do blog”. Daí você poderá pedir para o seu irmão mais novo gravar as minhas respostas em mp3 para você escutar os meus comentários quando lê o seu conto predileto. Idiota, né? Então me ajuda a fazer um post diferente.

Estou esperando!

Abraços
Vic

quinta-feira, 6 de março de 2008

Juno x Rambo IV

- Está passando Rambo IV no Rio Sul as 16:00. Bora? – Disse ao Lucas enquanto eu olhava o jornal. Do outro lado do telefone, o Gordo entregava um DVD para o cliente.

- Vem cá, você não foi trabalhar de novo? Qualquer dia o seu chefe vai reparar que você fica doente pelo menos oito vezes no ano e sempre na segunda-feira. – Ele me repreendia como se eu precisasse de um pai gordo para me colocar nos eixos.

- Vamos lá, Gordo. Hoje é segunda-feira e decretei feriado! Depois nós podemos tomar umas cervas em um lugar legal. Talvez no Evanildo. – Evanildo é um buteco fuleira que eu e o Lucas gostamos de ir porque o garçom é aficionado por cinema, mas consegue confundir o nome dos filmes, dos atores e das cenas de forma indescritivelmente hilariante.

- Eu vou ter que arrumar alguém para me render, Raulzito. Não sei se a minha irmã está disponível. – A irmã do Lucas é mais gorda do que ele. Ela sempre está “disponível”. Então eu resolvi apelar:

- Fala para ela que é por mim. Ela vai aceitar. Ela me ama. –

- Eu já falei das outras 12 vezes que era para você. Não sei se você já percebeu, mas nós temos que inventar outra desculpa.

- Se vira, gordinho.

- Mas tem um lance. – Não sei por que, mas o meu faro de “tem merda no ar” disparou de uma forma alucinante.

- Qual foi Gordo?

- Poxa, porque ao invés de ver Rambo a gente não vai ver Juno? – Fiquei calado. Estava mais petrificado que o Han Solo no final de O Império Contra-Ataca. Peguei um cigarro. Era o último do maço. Fiz uma bolinha com o maço vazio e acendi um Marlboro. O cigarro é o último resquício de que eu fui um drogado um dia. Sem contar o meu apelido, é claro. E depois que eu já tinha dado umas duas tragadas e que o Gordo teve tempo suficiente para pensar na merda que ele disse, eu respondi:

- Você está querendo me comer?

- Que porra é esse, Vic? É só um filme diferente, alternativo, deu vontade de ver.

- Gordo, esse é o tipo de filme para você ver com a mulher que você está pegando ou que você quer pegar. Não é para dois caras como nós que vamos ver um filme e depois tomar umas cervejas.

- Ah, Vic. Rambo not good. Juno rock’s. – O desgraçado do Lucas só completou porcamente o segundo grau. Se o pai dele não tivesse uma locadora ele seria uma espécie de Bukowski da maconha, mas sem a parte interessante da escrita. Mesmo assim, ele aprendeu inglês vendo os filmes americanos e fica encaixando “expressões” em inglês nas suas falas, com um sotaque horrível. As vezes, ele mesmo inventa as próprias expressões.

- É sobre uma adolescente grávida. Eu fujo de adolescentes grávidas desde os meus quinze anos de idade! Por que agora, depois de velho, eu vou pagar para ver uma adolescente grávida?

- O filme ganhou o Oscar de roteiro original.

- Ele concorreu com uma porra de rato que cozinhava e um cara que se apaixona por uma boneca inflável, meu Deus. Isso é mais fácil do que ganhar uma corrida competindo com o Lars Grael!

- Porra Vic, quem já viu um Rambo já viu todos. Mas esse filme, Juno, esse filme parece ter alma. – As vezes é mais fácil convencer uma mulher na noite de ficar comigo a fazer o Gordo mudar de idéia quando ele cisma com algo.

- Você está aviadando, Gordo. E agora, pensando melhor, não é bom ver esse filme nem com a mulher que você está pegando.

- Why not?

- Imagina. Você assiste Star Wars e saí do filme querendo ser um Jedi. Você vai no Rambo e sai querendo metralhar todo mundo. Você assiste Independence Day e saí do filme querendo ser o presidente dos Estados Unidos e detonar todo alienígena que você vê pela frente...

- Whatever....?

- E sua mulher vai ver Juno e imagina as idéias que ela pode ter quando sair do cinema? Cara, esse filme é uma armadilha para homens. Foi escrito por uma ex-stripper, Lucas. Essa mulher deve ver os homens como animais sem coração que traem suas esposas, tratam as mulheres como objeto e obrigam-nas a tirar a roupa por dinheiro. Essa é a vingança dela contra a raça masculina. Fez um filme com a cara de cordeiro, mas que vai colocar idéias malucas em toda mente feminina desse planeta.

- Você está maluco, Vic. Você está ficando fucking crazy....

- Tudo bem, eu admito. Eu exagerei. Agora levanta seu traseiro gordo e vamos ver Rambo IV. Oscar de roteiro o Stallone também tem um.

- Não. Eu vou ver Juno. Se você quiser, vai no Rambo sozinho.

- Eu não posso ver Rambo sozinho. Eu tenho que ver com você.

- Por que você não pode ver Rambo sozinho? Você tem medo?

- Não, Lucas, por causa da teoria do quarto filme!

- O que? – Ele me perguntou.

- A teoria do quarto filme. Se liga! A gente viu Aliens IV juntos e foi maneiro, nós vimos A Ameaça Fantasma juntos e foi maneiro, vimos Duro de Matar 4.0 juntos e foi maneiro. Nós vimos a droga do quarto filme do Harry Potter juntos e foi maneiro! – Ele ficou calado depois da explicação. Eu podia imaginar o Gordo do outro lado, coçando a cabeça e pensando naquilo tudo. Ele deveria estar procurando uma saída técnica para aquilo, mas não existia. Ele não poderia ir contra a teoria do quarto filme.

- Tecnicamente Ameaça Fantasma é o primeiro episódio.

- Mas foi o quarto a ser feito.

- Seguindo essa linha, isso quer dizer que eu serei obrigado a ver o novo Indiana Jones com você?

- Claro!

- Hum....

- Ué, por que? Você estava pensando em ver Indiana Jones com quem?

- Para ser sincero? Com ninguém. Só queria confirmar. – Disse ele finalmente. Comecei a acreditar na vitória.

- Então? Vamos ver Rambo?

- Você realmente acha que se você for ver Rambo sozinho, o filme vai ser uma droga? – Ele me perguntou. Estava inclinado. Estava no papo.

- Não se pode ir contra a magia do quarto filme.

- Eu só tenho uma coisa para dizer para você.

- O que?

- SESSÃO DUPLA!...Uhu....SESSÃO DUPLA!!!!..... I LOVE IT!

- Ah não, cara.... você lembra da última vez que nós fizemos uma Sessão dupla?

- Não.... a muito tempo que a gente não faz uma sessão dupla. Estou com saudades.

- Você realmente não lembra da última vez que vimos dois filmes no cinema no mesmo dia?

- Porra Vic, eu fumo maconha. Eu não lembro nem da cara do meu avô...

- Mas eu lembro. Foi em 1995. Quer saber quais eram os filmes?

- Acho que já sei....

- Batman Eternamente e Johnny Mnemonic.

- E o trailer de um era mais maneiro que o trailer do outro....

- E quando nós fomos ver... duas bombas.... é a teoria da Sessão Dupla. Você não pode querer tudo ao mesmo tempo. Outro dia nós vamos ver Juno. – Ele parou do outro lado, pensou e finalmente disse.

- Hoje vai ser o dia da exceção que só confirma a regra. Vamos fazer uma Sessão dupla que vai arrasar! Let’s go!

***

- Olha os caras, ai! Quanto tempo vocês não apareciam.... – Evanildo servia as cervejas enquanto eu acendia um cigarro para ver se tirava o aborrecimento da minha cabeça.

- É porque hoje nós fomos ao cinema e resolvemos passar aqui e tomar uma cerva. – Explicou o Lucas para o garçom. Ele arregalou os olhos e ficou animado. Ele sempre faz isso. O desgraçado assiste uma porrada de filme de ação em DVD, mas não vai ao cinema. A última vez foi para ver Doutor Jivago ou coisa parecida. Então, toda vez que falamos que fomos ao cinema, ele fica com aquele brilho nos olhos.

- E vocês foram ver o que? Rambo? Parece ser legal, ele com a metralhadora passando o cerol em todo mundo. Tá tá tá tá tá tá.....

- Pois é. A sua imitação de Silvestre Stallone é o mais perto de Rambo que eu vi hoje. – Disse eu pensando qual era a melhor forma de suicídio: cortar os pulsos ou veneno.

- Nós fomos ver Juno! – Disse o Lucas empolgado.

- Ver o que? Dumbo? Vocês foram ver desenho de elefantinho voador... Que bichonas....

- Não é Dumbo, Evanildo! É Juno! – disse Lucas corrigindo o garçom. Pelo menos aquilo me animava.

- E que filme é esse?

- É de uma adolescente grávida. – Expliquei.

- Ih... já vi que aqueles filmes mela-cueca. A garota fica grávida, o pai da criança foge e engravida outra menina. O pai da garota mete a porrada na filha grávida e a mãe vai arrumar mais um emprego para sustentar a família.... – Eu ria descontroladamente e o Lucas estava se enfezando. O Evanildo continuava - Fala sério... Vocês não precisam ir ao cinema para ver isso. É só ir lá perto de casa. Tá cheio de menina nova e prenha.

- O filme tem uma história maneira, Evanildo. Você só está falando merda. Ele ganhou o Oscar de melhor roteiro original. – Disse o Lucas, mas quem se irritou dessa vez fui eu:

- Para com essa merda de “Ganhou o Oscar de roteiro”. É um filme sobre gravidez. O que pode ter de original nisso? A garota fica grávida então o filme só pode ir em três direções: Ou ela mata o bebê, ou ela doa o bebê ou ela fica com o bebê. O que de original tem nisso? Os dois últimos filmes originais sobre gravidez foram Aliens e Júnior.

- Oscar é Oscar. – Disse ele mostrando a palma da mão e deslizando o braço pelo ar. Eu rebati:

- Assassinato em Gosford Park também ganhou o Oscar de roteiro e está na minha lista dos 10 piores filmes que eu já vi na minha vida. – Lucas coçou a cabeça e soltou apenas um:

- Gosford Park sucks!

- Fala sério. As duas bichonas indo ver o filminho da menina prenha. Por que vocês não foram ver Rambo? – argumentava Evanildo. Lucas respondeu:

- Nós íamos ver. Só que minha irmã me ligou pedindo para eu voltar e ficar até fechar a loja porque ela se empolgou que nós íamos ver Juno e combinou de ir com uma amiga em outra sessão.

- E por que você não foi sozinho ver Rambo? – Perguntou Evanildo para mim.

- Por causa da teoria do quarto filme.

- Teoria do quarto filme? – Indagou o garçom. Eu bati na mesa e falei:

- Eu não vou ficar discutindo isso. – virei para o Gordo e continuei - Amanhã nós vamos ver Rambo e você vai pagar a entrada. – Disse ao Lucas.

- Tudo bem, Vic. Whatever.

- Agora, mais do que nunca, eu preciso ver um brutamonte com uma metralhadora destroçando tudo. – Evanildo olhou para mim e disse:

- Vocês perdem muito tempo indo ao cinema. O outro ali gosta de garotinha buchuda esse daqui quer ver um doidão mandando ra-ta-ta o tempo todo. Estou falando, é só ir lá perto de casa que tem isso tudo. – E finalmente eu e o Gordo concordamos com uma coisa, quando falamos juntos:

- Vai se fuder, Evanildo.

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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Planos

Hoje supostamente era para eu postar a primeira parte de Vic ano 1 – Arco Dois. Estava tudo pronto, o texto na marca do pênalti e tudo mais, até que veio esse cara e me irritou. E depois disso eu não consegui escrever mais nenhuma linha inteligente.

Eu odeio esses caras que querem discutir rock só porque foram numa porra de um show de graça do Rolling Stones e acham o Bono o cara mais “engajado”, o mais “rock and roll” do mundo.....Engajado em que, eu pergunto? Só se for na porra de uma pica de baleia. Nem se o Bono viver 200 anos e tocar Born to be wild com a areia do deserto iria conseguir ser o Holding do Ramones. Quando eu falo que o Angus Young não comeria Bono, o filho da puta tem a cara de pau de me perguntar “quem”?

Como discutir Rock and Roll com quem não conhece o Angus? Como discutir Rock and roll com quem acha que Aerosmith é Livin' on the Edge? Eles nem conhece Iron e já querem abraçar o Ed. Isso me dá nojo. Gostaria que todo esse pessoal ficasse com os Sorrisos Marotos da vida e não viesse perturbar o Rock and Roll. Basta um babaca ver “Quase Famosos” e “Escola do Rock” e se achar Phd em filosofia metal.

E por isso tudo é que eu não vou escrever até o fim do carnaval. Estou puto. E a melhor coisa que me aconteceu esse ano foi um leitor me mandando um e-mail perguntando se meu nome é Johnny. Não, não é, mas um dia o Selton Melo vai me interpretar. Não vai acontecer, mas é isso que eu tô falando pras as minhas amigas transarem comigo.

Bom Carnaval! E Viva o Rock And Roll True!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Frete Grátis!

É isso ai. Estamos perto de esgotar os primeiros 100 DVD's do Fazendo as Regras e para acabar logo com essa bagaça, decidimos fazer uma super promoção:

Apenas R$30,00 para qualquer lugar do Brasil. É isso aí. Ajude um pobre Viciado a juntar grana para fazer outros filmes egocêntricos, cheios de palavrão, sexo e tiradinhas engraçadas.

Só para lembrar, no DVD vem: O filme “Fazendo as Regras” baseado em uma história minha chamada “Walk of Life” publicada originalmente em 6 de Junho de 2006 no meu antigo blog que foi censurado pelo Ministério Público.

No Bônus você poderá conferir os filmes “Jim Morrison” que foi lançado no You Tube e o inédito “Harvest of Sorrow” que foi gravado e feito nos mesmos moldes do “Jim Morrison”. O Conto “Harvest of Sorrow” foi o primeiro publicado no antigo Blog.

Na parte de Extras além do Trailer que foi lançado no You Tube, existe uma galeria de fotos da filmagem e um divertidíssimo Making Of.

Vamos lá, deixem de ser zura e contribuam com apenas 30 pratas! O carioca agradece.





ESSE FILME É RECOMENDADO PARA MAIORES DE 18 ANOS!

Train kept a-rollin'

Parece que a tal greve dos roteiristas além de boicotar Globo de Ouro, atrapalhar a vida de quem acompanha seriado americano no torrent e atrasar todos os trezentos mil remakes, atingiu também o meu blog. Desde o ano passado que eu não escrevo uma linha. Nem e-mail. Meu Word estava até como “Ícone que não é usado na área de trabalho”.

Mas o que estava faltando mesmo era inspiração. Andei procurando umas gotas de criatividade em tudo que é lugar. Revirei um lixão perto do túnel velho de Copacabana e não encontrei nada. Chutei alguns túmulos no São João Batista em vão. Troquei uns dedos de prosa com os bêbados de Vila Isabel e só consegui uma ressaca cheia de azia. Logo eu, que corri tanto do branco, ele fez casa no meu cérebro, colocando os pés em cima da mesa e nem se deu o trabalho de fechar a porta enquanto cagava na minha imaginação. Acontece nas melhores famílias.

Fui com o meu amigo Lucas, o gordo, nesse biri-night pós reveillon que uns loucos armaram. Basicamente era um grupo de amigos que nunca conseguem passar o ano novo juntos, se encontram no primeiro sábado do ano para comemorar o novo início. Uma óbvia desculpa para se embebedar e tentar arrumar mulher. Nem sei por que topei essa. A última festa de ano bom que fui com o gordo acabei tendo que inventar teorias esotéricas para faturar uma hippie. Acho que foi para tentar fugir da Marta e o que ela chama de relacionamento.

Churrasquinho rolando, galerinha sambando e aquela coisa toda. Lucas arrastou um grupinho de garotas para perto e eles começaram a conversar. Tinha essa morena de pernas grossas que eu podia jurar que tava dando condição, mas toda vez que eu abria boca, simplesmente nada de genial saia. E olha que ela ajudou bastante:

- O melhor livro que eu li em 2007 foi “O Segredo”. – meus olhos brilharam, meu cérebro sabia que tinha uma piada, mas simplesmente não achou. Eu tenho que instalar um Google nele. Perdi o “time” e apenas balancei a cabeça e falei:

- É mesmo. Não li. – Ela subiu as sobrancelhas e completou:

- É muito bom. Quando tiver a oportunidade, leia. - fiquei tentando encaixar alguma tirada com Joseph Murphy. Sem sucesso. Train kept a-rollin'.

- Eu estou tentando terminar a biografia do Bukowski. – Soltei sem muita pretensão. De repente o velho safado poderia me tirar desse marasmo.

- De quem?

- Bukowski. Um poeta bêbado que escreveu umas coisas interessantes. – E ai, foi a vez dela de dar de ombros e soltar:

- Não conheço. – E morreu o papo ali. Train kept a-rollin'. Lucas começou a se engraçar para cima de uma loira parrudinha e parecia que não ia nada mal na sua cantada.

- Que mais uma cerveja? – ofereci para a morena.

- Pode ser.

- Afinal é ano novo, não é?

- Pois é.
- Train kept a-rollin'

- Como?

- Nada. É só uma música que não sai da minha cabeça. – É o fim. Minha criatividade sumiu com o ano que morreu mais cedo em Copacabana do que em qualquer lugar do Rio. Abaixei no isopor para pegar as cervejas e fique babando nas pernas grossas daquela morena. Ela nem era tão bonita, mas como estava mais difícil manter um papo interessante, mais difícil seria conquistá-la. E isso fazia eu deseja-la mais.

- Essa tá bem mais gelada do que a outra. – arrisquei. Ela provou e fez um sinal de positivo. Vamos Vic. Eu simplesmente não conseguiria. Ficamos um tempo em silêncio. Daí eu soltei:

- Eu já sei qual foi o melhor livro de 2007. Agora me conte, qual foi o seu maior porre em 2007. – achei que dali poderia aparecer alguma conversa animada

- O que? – Ela respondeu apertando os olhos. Não era um bom sinal.

- O seu maior porre em 2007... – Ela balançou a cabeça rápido, em um gesto que eu não queria acreditar que era nojo. Mas acho que era:

- Sei lá. Eu heim. Eu não bebo pra ficar de porre, caída no chão. Deus me livre.

- Eu não quis dizer isso. – tentei consertar – Desculpe, me pareceu melhor na minha cabeça do que depois que eu verbalizei. O que eu queria dizer a noite mais louca de 2007.

- Tudo bem. Deixa pra lá.

- Train kept a-rollin'.

- Que música é essa, afinal?

- É uma musica do Yardbirds...

- Nunca ouvi.

- Foi regravada pelo Aerosmith.

- Do Aerosmith eu gosto daquela música do Amargedom.

- Eu já imaginava.

- Por que você já imaginava?

- A maioria das pessoas gostam mais desse álbum. – O que eu queria dizer era “a maioria das pessoas que não gostam de rock, gostam mais desse álbum”. Mas você só pode ser agressivo quando é criativo. Quando você é óbvio, você tem que ser simpático para as pessoas gostarem de você. É a regra. Ficamos em silêncio e ela finalmente:

- Eu vou ali conversar com a minha amiga.

- Claro. Depois a gente se fala.

- Ok.

Me senti na quinta série quando tentei chegar na Karina Barros e não consegui falar nada mais do que “você está muito bonita hoje”. E ainda fiquei puto quando a Karina me deu toco. Coisa do passado. Eu tinha novos motivos para ficar puto. Lucas parecia que ia se dar bem, as pernas grossas obviamente iria ficar com algum malandro que conseguia articular mais do que duas frases e a merda da minha criatividade tinha morrido e foi enterrada junto com a minha vida sexual, meus textos, minhas tiradas, e tudo aquilo que eu poderia jurar que era eu. Perdi o que pensei que nunca iria perder. Mudaram meu DNA. Acho que foi entre a quinta e a sexta cerveja que eu cheguei a conclusão:

Eu morri.

Em algum momento na queima de fogos eu tive um infarto, um colapso nervoso, um derrame ou tudo junto. Ou na melhor das hipóteses eu fui abduzido e substituído por essa réplica que não chega a ser sem graça. Mas é muito normal. Já estava me sentindo tão chato que nem eu mesmo estava me agüentando e, o que é pior, eu não poderia me largar lá e ir para casa sozinho. Sozinho que eu digo é sem a mim mesmo. Uma merda.

Uma galera armou uma pelada e eu sentei e fiquei assistindo. Quando na minha vida eu iria ficar vendo um monte de marmanjo jogando bola com tanta cerva e mulher do outro lado do churrasco? Eu não sabia. Acho que ninguém poderia me ajudar. Tentei invocar Jim Morrison ou o velho safado mas nenhum apareceu para me dar uma ajudinha. Comecei a pensar em todos os livros que eu deixei pela metade quando as idéias pipocavam na minha cabeça como um efervescente em um copo. (Caralho que comparação mais chula). Sinto pena de vocês que ainda tem esperança que daqui saia alguma coisa boa. Acabaram-se as idéias. Simplesmente adormeceram.

Levantei e fui pegar mais cerveja. Bêbado eu sempre tenho idéias boas. Decedi tentar beber três cervejas o mais rápido possível. Pegar um atalho para o reino surreal. Esse pensamento me fez rir. Talvez eu estivesse voltando. Só precisava de um aditivo. Entornei uma e parti para a segunda. Olhei em volta e nada. Nem uma faísca. E quando isso acontece é como um cachorro que corre atrás do próprio rabo.

- Maldita greve de roteiristas! – Bradei enquanto virava mais uma cerva. Um cara passou por mim em direção do banheiro e riu. Imaginava que eu já estava bem doido. Eu queria estar bem doido, amigo. A segunda demorou mas acabou e parti com tudo para a terceira. Eu nem conseguia mais diferenciar se estava gelada ou quente. Não me importava. Olhava para as saias, pros cabelos, pras bundas, peitos, cochas, olhos, lábios..... pra tudo de todas as mulheres. E nada veio na minha mente. Deveria ser macumba da Marta. Colocou a minha criatividade em um barquinho de oferenda. Sei lá. Lucas já havia sumido a bastante tempo com a sua gordinha. O sol caía e os casais se formavam. Alguns poucos sobreviventes solteiros. O churrasco estava morrendo e a minha imaginação não voltava.

A morena ainda estava livre. Nem sei se isso era bom. Pra que alimentar esperança? É como se a música tivesse acabado mas ninguém acendeu a luz. As pessoas começaram a se aglomerar perto da churrasqueira. Era a hora da virada. Quem sabe a minha imaginação voltaria nesse pseudo ano novo? 10, 9, 8 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1! E nada. Eu joguei a toalha. Iria embora. Desejamos felicidades nesse novo ano novo uns para os outros. Muita saúde, paz, amor, dinheiro e um pingo de inspiração.

Então, quando eu estava pegando a última latinha para ir embora, esbarrei novamente com a morena e essa idéia louca me veio a cabeça na forma de uma comunidade do Orkut. “Cala boca e beija logo”. Era a minha única saída. Quem sabe com um beijo tudo voltaria?

- Sabe, eu tenho que fazer uma coisa. Afinal, é ano novo. – Falei para morena já me aproximando.

- O que? – Ela perguntou. Fui roubar um beijo e ela simplesmente escapou:

- Não vai rolar. Você entendeu errado.

- Pior, eu entendi certo, mas tentei assim mesmo.

- Sério? Por que?

- Train kept a-rollin'. - E fui cantarolando para casa puto da vida.


Feliz 2008!