quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Frete Grátis!

É isso ai. Estamos perto de esgotar os primeiros 100 DVD's do Fazendo as Regras e para acabar logo com essa bagaça, decidimos fazer uma super promoção:

Apenas R$30,00 para qualquer lugar do Brasil. É isso aí. Ajude um pobre Viciado a juntar grana para fazer outros filmes egocêntricos, cheios de palavrão, sexo e tiradinhas engraçadas.

Só para lembrar, no DVD vem: O filme “Fazendo as Regras” baseado em uma história minha chamada “Walk of Life” publicada originalmente em 6 de Junho de 2006 no meu antigo blog que foi censurado pelo Ministério Público.

No Bônus você poderá conferir os filmes “Jim Morrison” que foi lançado no You Tube e o inédito “Harvest of Sorrow” que foi gravado e feito nos mesmos moldes do “Jim Morrison”. O Conto “Harvest of Sorrow” foi o primeiro publicado no antigo Blog.

Na parte de Extras além do Trailer que foi lançado no You Tube, existe uma galeria de fotos da filmagem e um divertidíssimo Making Of.

Vamos lá, deixem de ser zura e contribuam com apenas 30 pratas! O carioca agradece.





ESSE FILME É RECOMENDADO PARA MAIORES DE 18 ANOS!

Train kept a-rollin'

Parece que a tal greve dos roteiristas além de boicotar Globo de Ouro, atrapalhar a vida de quem acompanha seriado americano no torrent e atrasar todos os trezentos mil remakes, atingiu também o meu blog. Desde o ano passado que eu não escrevo uma linha. Nem e-mail. Meu Word estava até como “Ícone que não é usado na área de trabalho”.

Mas o que estava faltando mesmo era inspiração. Andei procurando umas gotas de criatividade em tudo que é lugar. Revirei um lixão perto do túnel velho de Copacabana e não encontrei nada. Chutei alguns túmulos no São João Batista em vão. Troquei uns dedos de prosa com os bêbados de Vila Isabel e só consegui uma ressaca cheia de azia. Logo eu, que corri tanto do branco, ele fez casa no meu cérebro, colocando os pés em cima da mesa e nem se deu o trabalho de fechar a porta enquanto cagava na minha imaginação. Acontece nas melhores famílias.

Fui com o meu amigo Lucas, o gordo, nesse biri-night pós reveillon que uns loucos armaram. Basicamente era um grupo de amigos que nunca conseguem passar o ano novo juntos, se encontram no primeiro sábado do ano para comemorar o novo início. Uma óbvia desculpa para se embebedar e tentar arrumar mulher. Nem sei por que topei essa. A última festa de ano bom que fui com o gordo acabei tendo que inventar teorias esotéricas para faturar uma hippie. Acho que foi para tentar fugir da Marta e o que ela chama de relacionamento.

Churrasquinho rolando, galerinha sambando e aquela coisa toda. Lucas arrastou um grupinho de garotas para perto e eles começaram a conversar. Tinha essa morena de pernas grossas que eu podia jurar que tava dando condição, mas toda vez que eu abria boca, simplesmente nada de genial saia. E olha que ela ajudou bastante:

- O melhor livro que eu li em 2007 foi “O Segredo”. – meus olhos brilharam, meu cérebro sabia que tinha uma piada, mas simplesmente não achou. Eu tenho que instalar um Google nele. Perdi o “time” e apenas balancei a cabeça e falei:

- É mesmo. Não li. – Ela subiu as sobrancelhas e completou:

- É muito bom. Quando tiver a oportunidade, leia. - fiquei tentando encaixar alguma tirada com Joseph Murphy. Sem sucesso. Train kept a-rollin'.

- Eu estou tentando terminar a biografia do Bukowski. – Soltei sem muita pretensão. De repente o velho safado poderia me tirar desse marasmo.

- De quem?

- Bukowski. Um poeta bêbado que escreveu umas coisas interessantes. – E ai, foi a vez dela de dar de ombros e soltar:

- Não conheço. – E morreu o papo ali. Train kept a-rollin'. Lucas começou a se engraçar para cima de uma loira parrudinha e parecia que não ia nada mal na sua cantada.

- Que mais uma cerveja? – ofereci para a morena.

- Pode ser.

- Afinal é ano novo, não é?

- Pois é.
- Train kept a-rollin'

- Como?

- Nada. É só uma música que não sai da minha cabeça. – É o fim. Minha criatividade sumiu com o ano que morreu mais cedo em Copacabana do que em qualquer lugar do Rio. Abaixei no isopor para pegar as cervejas e fique babando nas pernas grossas daquela morena. Ela nem era tão bonita, mas como estava mais difícil manter um papo interessante, mais difícil seria conquistá-la. E isso fazia eu deseja-la mais.

- Essa tá bem mais gelada do que a outra. – arrisquei. Ela provou e fez um sinal de positivo. Vamos Vic. Eu simplesmente não conseguiria. Ficamos um tempo em silêncio. Daí eu soltei:

- Eu já sei qual foi o melhor livro de 2007. Agora me conte, qual foi o seu maior porre em 2007. – achei que dali poderia aparecer alguma conversa animada

- O que? – Ela respondeu apertando os olhos. Não era um bom sinal.

- O seu maior porre em 2007... – Ela balançou a cabeça rápido, em um gesto que eu não queria acreditar que era nojo. Mas acho que era:

- Sei lá. Eu heim. Eu não bebo pra ficar de porre, caída no chão. Deus me livre.

- Eu não quis dizer isso. – tentei consertar – Desculpe, me pareceu melhor na minha cabeça do que depois que eu verbalizei. O que eu queria dizer a noite mais louca de 2007.

- Tudo bem. Deixa pra lá.

- Train kept a-rollin'.

- Que música é essa, afinal?

- É uma musica do Yardbirds...

- Nunca ouvi.

- Foi regravada pelo Aerosmith.

- Do Aerosmith eu gosto daquela música do Amargedom.

- Eu já imaginava.

- Por que você já imaginava?

- A maioria das pessoas gostam mais desse álbum. – O que eu queria dizer era “a maioria das pessoas que não gostam de rock, gostam mais desse álbum”. Mas você só pode ser agressivo quando é criativo. Quando você é óbvio, você tem que ser simpático para as pessoas gostarem de você. É a regra. Ficamos em silêncio e ela finalmente:

- Eu vou ali conversar com a minha amiga.

- Claro. Depois a gente se fala.

- Ok.

Me senti na quinta série quando tentei chegar na Karina Barros e não consegui falar nada mais do que “você está muito bonita hoje”. E ainda fiquei puto quando a Karina me deu toco. Coisa do passado. Eu tinha novos motivos para ficar puto. Lucas parecia que ia se dar bem, as pernas grossas obviamente iria ficar com algum malandro que conseguia articular mais do que duas frases e a merda da minha criatividade tinha morrido e foi enterrada junto com a minha vida sexual, meus textos, minhas tiradas, e tudo aquilo que eu poderia jurar que era eu. Perdi o que pensei que nunca iria perder. Mudaram meu DNA. Acho que foi entre a quinta e a sexta cerveja que eu cheguei a conclusão:

Eu morri.

Em algum momento na queima de fogos eu tive um infarto, um colapso nervoso, um derrame ou tudo junto. Ou na melhor das hipóteses eu fui abduzido e substituído por essa réplica que não chega a ser sem graça. Mas é muito normal. Já estava me sentindo tão chato que nem eu mesmo estava me agüentando e, o que é pior, eu não poderia me largar lá e ir para casa sozinho. Sozinho que eu digo é sem a mim mesmo. Uma merda.

Uma galera armou uma pelada e eu sentei e fiquei assistindo. Quando na minha vida eu iria ficar vendo um monte de marmanjo jogando bola com tanta cerva e mulher do outro lado do churrasco? Eu não sabia. Acho que ninguém poderia me ajudar. Tentei invocar Jim Morrison ou o velho safado mas nenhum apareceu para me dar uma ajudinha. Comecei a pensar em todos os livros que eu deixei pela metade quando as idéias pipocavam na minha cabeça como um efervescente em um copo. (Caralho que comparação mais chula). Sinto pena de vocês que ainda tem esperança que daqui saia alguma coisa boa. Acabaram-se as idéias. Simplesmente adormeceram.

Levantei e fui pegar mais cerveja. Bêbado eu sempre tenho idéias boas. Decedi tentar beber três cervejas o mais rápido possível. Pegar um atalho para o reino surreal. Esse pensamento me fez rir. Talvez eu estivesse voltando. Só precisava de um aditivo. Entornei uma e parti para a segunda. Olhei em volta e nada. Nem uma faísca. E quando isso acontece é como um cachorro que corre atrás do próprio rabo.

- Maldita greve de roteiristas! – Bradei enquanto virava mais uma cerva. Um cara passou por mim em direção do banheiro e riu. Imaginava que eu já estava bem doido. Eu queria estar bem doido, amigo. A segunda demorou mas acabou e parti com tudo para a terceira. Eu nem conseguia mais diferenciar se estava gelada ou quente. Não me importava. Olhava para as saias, pros cabelos, pras bundas, peitos, cochas, olhos, lábios..... pra tudo de todas as mulheres. E nada veio na minha mente. Deveria ser macumba da Marta. Colocou a minha criatividade em um barquinho de oferenda. Sei lá. Lucas já havia sumido a bastante tempo com a sua gordinha. O sol caía e os casais se formavam. Alguns poucos sobreviventes solteiros. O churrasco estava morrendo e a minha imaginação não voltava.

A morena ainda estava livre. Nem sei se isso era bom. Pra que alimentar esperança? É como se a música tivesse acabado mas ninguém acendeu a luz. As pessoas começaram a se aglomerar perto da churrasqueira. Era a hora da virada. Quem sabe a minha imaginação voltaria nesse pseudo ano novo? 10, 9, 8 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1! E nada. Eu joguei a toalha. Iria embora. Desejamos felicidades nesse novo ano novo uns para os outros. Muita saúde, paz, amor, dinheiro e um pingo de inspiração.

Então, quando eu estava pegando a última latinha para ir embora, esbarrei novamente com a morena e essa idéia louca me veio a cabeça na forma de uma comunidade do Orkut. “Cala boca e beija logo”. Era a minha única saída. Quem sabe com um beijo tudo voltaria?

- Sabe, eu tenho que fazer uma coisa. Afinal, é ano novo. – Falei para morena já me aproximando.

- O que? – Ela perguntou. Fui roubar um beijo e ela simplesmente escapou:

- Não vai rolar. Você entendeu errado.

- Pior, eu entendi certo, mas tentei assim mesmo.

- Sério? Por que?

- Train kept a-rollin'. - E fui cantarolando para casa puto da vida.


Feliz 2008!