segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

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Viciado Carioca - Ano I – Arco 3 – Parte 2

A história até agora: Vic e Nicole cruzam meio país em busca do perfeito Chá de Cogumelos enquanto se conhecem como namorados. Se você ainda não leu a parte 1, procure no menu lateral.

Sugestão de Música: Type O Negative - Black Number One

- Você é um cuzão, Vic. Você nunca vai conseguir fazer isso levantar. – Reclamava a Ruiva enquanto o suor cortava a minha testa e a decepção estava estampada nos meus olhos. Você nunca espera que aconteça isso com você. Principalmente se você tem 18 anos e uma namorada muito gostosa ao lado. Você é jovem e estúpido o suficiente para achar que não vai viver nada de ruim.

- Você podia ajudar aqui, meu amor. - Eu disse em voz de clemência. Certamente aquilo não estava nos planos. – Vai me dizer que isso nunca aconteceu com você antes?

- É claro que não, Vic. Eu tenho peitos gostosos. – Ela disse zombando de mim e sem ajudar. Era uma situação irritante e vergonhosa para qualquer homem. Você nunca espera passar por isso. Nunca!

- Poxa, Nic. A coisa já está ruim, você poderia ser no mínimo um pouco mais compreensiva, amorosa e prestativa. – Por que não me ensinaram a lidar com isso na escola? Procurei os olhos da Ruiva buscando cumplicidade e encontrei olhos desdenhosos.

- Eu vou tentar achar um caminhoneiro e ele vai resolver rapidinho. – É claro, isso é tudo que você quer ouvir numa hora dessas. Você pede ajuda e a sua namorada vem com sarcasmo. Era o mau humor matinal típico da Ruiva. Eu explodi de volta:

- Você poderia procurar no manual.

- Manual, Vic? E essas coisas têm manual? – Ela respondeu achando um absurdo a minha idéia. Mulheres....

- Porra, alguém nasce sabendo trocar pneu? Você dirige há mais tempo que eu e não sabe! – Eu respondi.

- Eu já disse, Vic. Eu não preciso saber disso. Eu tenho peitos. Quando fura um pneu na cidade, eu apenas saio do carro e em cinco minutos aparecem 20 marmanjos tarados prestativos. – Ela me respondia com raiva mostrando que era óbvio que eu deveria saber trocar um pneu já que eu sou homem. Como se fizesse parte do ritual de passagem. Aos quinze anos seu pai te leva a um puteiro e depois a um borracheiro. Pronto, agora você está preparado para a vida.

- Infelizmente nós não estamos na cidade, Ruiva. Se você quiser, pode tentar mostrar os seus peitos para aquelas vacas ali. Ou então, tentar me ajudar a entender a lógica desse macaco. Temos que colocar a Falcon Millenium para rodar.

- O nome da nave não é Falcon Millenium. É Millenium Falcon, seu imbecil. – Notoriamente o amor não estava no ar.

É uma coisa tão corriqueira que pode acontecer com qualquer um. Deveriam ensinar essa porcaria na auto-escola. Mas você só percebe que não está preparado para isso apenas quando precisa estar. Fazer o que? É a vida.

Estávamos parados em algum lugar depois de Vacaria e o sol queimava a estrada como um ovo na frigideira. Pelos meus cálculos ainda tínhamos bastante chão para rodar e não podíamos perder tempo. Nicole não gostou muito do meu comentário sobre as vacas e decidiu resolver o problema do jeito dela. Andou até chegar próxima ao triângulo de sinalização e fez sinal para o primeiro caminhoneiro.

É claro que o desgraçado parou.

Ela passou por mim, que estava sentado no asfalto quente e com aquela porcaria de macaco na mão, mandou um sorriso e disparou:

- Como eu te disse, eu tenho peitos. - e mandou aquele sorrisinho cínico de canto da boca. Eu estava aprendendo muito sobre ela naquela viagem. Era justo eu ficar irritado com a namorada esperta e sexy que sabe usar o corpo com uma arma. Mas quando eu a vi, desfilando naquele vestido lilás de pano colado no corpo, suas cochas lindas e alvas e aquele cabelo ruivo ao vento, se aproximando do caminhoneiro e dizendo com uma voz fina e carinhosa: - Moço, o senhor é o grande heróoooooi do dia!!!!! - eu pensei: eu amo essa mulher.

- Parece que você tá um pouco enrolado com isso aí, rapaz. – disse o caminhoneiro apontando para o pneu, a chave de roda e a minha tentativa patética de fazer alguma coisa com aquilo ali.

- Pois é, eu não sou exatamente o Macgyver, mas sei que isso aqui combinado com um chiclete forma uma bomba atômica. – O caminhoneiro me olhou de rabo de olho sem entender a piada e Nicole fez uma careta mandando eu cortar as gracinhas. Eu olhava para ruiva e aquela sensação de “eu amo essa mulher” só aumentava no meu peito. O Caminhoneiro pegou a chave de roda e disse:

- Eu resolvo isso aqui. Sabe, eu já fui borracheiro. – Eu levantei e deixei o bom homem trabalhar. Acendi um Marlboro enquanto escutava pacientemente as instruções de como se troca um pneu. Enquanto ele estava distraído, a Ruiva chegou perto de mim e fez o sinal universal de dinheiro. Eu coloquei a mão no bolso e encontrei uma nota de um e outra de dez. Ela abriu a mão dizendo para eu dar cinco. E eu fiz o sinal universal de quem não tem uma nota de cinco, seja lá como é esse sinal. Fiz um sinal para que ela escolhesse a nota. Ela pegou a de dez e escondeu dentro do sutiã e eu comecei a pensar se ela iria mandar o cara pegar a nota de 10 lá dentro. Se fosse assim, eu iria comprar um caminhão e começar ajudar ruivas desesperadas em beira de estrada. E não sei porque, comecei a ter pensamentos bem eróticos com Nicole e uma boléia de caminhão.

O homem já estava terminando o serviço quando ela falou:

- Nossa, moço, o senhor foi perfeito. Se o senhor não parasse, eu acho que morreríamos aqui. – O tom de sua voz era tão carinhoso que até as vacas estavam excitadas.

- Que nada, senhora. Que nada. Eu faço isso o tempo todo. – disse o caminhoneiro sem jeito.

- Eu nem sei o que posso fazer pelo senhor. Deixa-me ver se eu tenho um trocado para ajudar na sua cerveja. – Nicole inclinou no carro e podíamos ver boa parte dos seus peitos saltando de dentro daquele vestido de pano. E dentro da minha calça jeans a bandeira foi hasteada.

- Não precisa senhora. Eu não bebo. – Disse o caminhoneiro com os olhos vidrados em Nicole. Esse é o preço que se paga por não saber trocar o pneu ou não andar com uma nota de cinco no bolso.

- Nossa! Moço, a partir de hoje o Super-Homem não é mais o meu herói predileto. - Ela andou até ele e começou a balançar suas mãos sobre a sua cabeça. – Para limpar a sua aura. Vai te trazer muita sorte – O homem sorriu sem jeito percebendo o flerte da Ruiva. - Ele virou para mim e disse:

- Logo na frente tem um posto com borracheiro. Você para ali e conserta esse pneu ou vocês vão ficar parados na estrada novamente. – eu bati continência para ele e entrei no carro. Queria ficar sozinho com a ruiva o mais rápido possível. O homem deu mais uma bela olhada para Nicole e partiu. Ela entrou no carro e sorriu:

- Rápido, fácil e grátis. - Ela tentava despertar alguma reação raivosa, mas eu simplesmente apertei o seu peito e disse:

- Pois é, eu tenho que comprar um desses para mim. – Habilmente coloquei os meus dedos por dentro do vestido, encontrei a minha nota de dez e disse: - E vou precisar dessas dez pratas para começar a intera. – Ela sorriu de volta e fez uma dancinha com os braços:

- Vic, você tem uma namorada muito esperta. - eu comecei a ficar estranhamente excitado com aquilo. A Ruiva estava linda. Aquele vestido lilás realmente tinha caído bem nela, seu rosto estava um pouco corado pelo tempo que ficamos no sol e aquele sorriso vitorioso a deixava irresistível. Ela continuava cantarolando: - Vic tem uma namorada muito esperta. – E rindo. Eu também ria. Peguei nas suas coxas e disse:

- Esperta e gostosa. – Ela me olhou e percebeu a minha inquietação. Ela devolveu uma risada nervosa e disse:

- Isso te deixou excitado? – Eu olhava a sua língua entre os dentes e os seus lábios carnudos se mexendo. Aquele rosto corado realçando as suas pintinhas. Nossa, eu ia explodir.

- Muito. – Eu bufei. Ela começou a rir de maneira estranha, ficando estimulada com o fato de eu estar excitado. Comecei a mover o carro e ela perguntou:

- Mas o que te deixou excitado? Eu falando com o caminhoneiro ou a minha dança de esperta? – Ela ria e passava a mão no meu peito. Eu tentava olhar para frente, mas escorregava a minha do câmbio para as suas pernas.

- Tudo, Nic. Tudo. Você andando na direção do caminhoneiro me excitou. A sua fala carinhosa me excitou. O jeito que você colocou a nota no sutiã me excitou. A sua dancinha me excitou, e agora a sua cara de excitada por me ver excitado. E se isso é possível, eu ainda estou mais excitado e até a palavra “excitado” me excita e por isso que eu a estou repetindo cem vezes na mesma frase. – Ela riu e começou a arranhar o meu peito. Chegou perto da minha orelha, passou a língua e perguntou:

- E o que vamos fazer sobre isso? – Eu dei uma guinada com a cabeça e comecei a perceber que eu estava indo bem rápido com o carro. Dei uma desacelerada e o posto de gasolina já apontava no horizonte:

- Estava pensando em deixar o borracheiro consertando o pneu enquanto eu te emborracho no banheiro daquele posto. – Ela riu mais uma vez e se afundou no banco do carona.

- Você quer que eu transe com você em um banheiro sujo de posto de gasolina de beira de estrada? – Bem, ela já sabia da resposta, então eu só podia reforçar a teoria:

- Se você quiser ir tirando a calcinha para o processo ser mais rápido....


***

Estávamos rodando outra vez. Por algum motivo a estrada fica mais quente depois que você transa em um banheiro sujo de posto de gasolina. Pelo mesmo motivo, a viagem fica mais feliz.

- Eu não sei por que você acha normal transar no banheiro do posto e dá piti se eu tento roubar umas cervejas. – Ela dizia frustrada ao volante. Eu fumava o meu Marlboro clichê pós-sexo e me refrescava com uma latinha gelada.

- Porque ficamos muito tempo lá. As pessoas marcaram a nossa cara. E como você não gastou as dez pratas com o seu novo Super-Homem eu achei justo pagar por essas daqui.

- O Super-Homem nem é meu herói predileto, mas eu ia perder muito tempo tentando explicar para ele quem é Wolverine. – O mal-humor matinal da Ruiva já tinha ido embora. Nada como sexo em locais públicos para controlar o temperamento. Eu joguei meu cigarro fora e comecei a fazer carinho em sua cabeça. Não sei se estava mais apaixonado pela mulher ou pela situação. Ela riu um pouco sem graça e disse: - Você já tinha feito sexo em lugar público? – Não precisava vasculhar muito a minha cabeça para encontrar a resposta. Mas não sabia se podia ser sincero. Resolvi arriscar:

- Sim. – disse de forma seca. Ela riu e confessou:

- Eu nunca tinha experimentado e posso dizer que foi muito bom. – Aquilo era ótimo para inflar o ego. – Nós devíamos fazer isso mais vezes, meu amor. – Eu gostaria de fazer aquilo o tempo todo. De alguma forma, estávamos começando a nos entender verdadeiramente como namorados. Era excepcional.

- Acho que seria um pacto mais inteligente do que o nosso outro. – Eu respondi. Ela sorriu.

- Você está querendo dar para traz, McFly? – Ela perguntou em seu tom desafiador que não me incomodava mais. Comecei aceitar aquilo como a personalidade de Nicole, e como tudo nela, comecei a gostar.

- Não, Biff. Eu não vou quebrar o nosso pacto de loucura por mais suicida que ele seja ou por mais doidão que eu estava no dia que o fizemos. – Levantei a latinha simbolizando um brinde ao pacto. Ela puxou os olhos e comentou rindo:

- Não estava doidão o bastante para negar sexo logo depois que fechamos o acordo. – Eu dei uma piscada e apertei os meus dedos contra a sua cabeça:

- Nic, eu nunca estarei doidão o bastante para negar sexo. – Ela sorriu e disse:

- Uhmmm! Garanhão. Cuidado, os gados reprodutores da fazenda podem te ver como um inimigo.

- Eles podem ficar sossegados que eu já tenho a minha vaquinha. – Eu respondi rindo. Ela riu também e ficou calada por uns instantes. Eu admirava aquela Ruiva enquanto ela dirigia. Ela passou a língua sobre os lábios, vacilou umas duas vezes e disse:

- Sabe, Vic. Eh... Você sabe que eu curto mulheres também. Até um pouco antes de te conhecer eu tinha uma namorada. – claro que eu sabia. Ninguém me deixava esquecer. Quase todo dia que eu falava com Lucas, o gordo, ele perguntava se a minha namorada já tinha me trocado pela caixa das Lojas Americanas. Aquele gordo desgraçado.

- Antes do Luther? – perguntei e me arrependi de invocar o nome do ex-namorado da Ruiva. O Senhor todo poderoso da juventude metaleira carioca de vez em quando surgia no meio do papo para continuar me assombrando.

- Durante o Luther. E como eu te disse, vários caras se aproximavam de mim porque achavam que iriam ficar com duas mulheres na cama. Mas você nunca pediu isso. Você nunca nem sugeriu isso. Por que? Isso não te excita? - Ela perguntou com o seu tom sério que eu só tinha visto poucas vezes em nossos meses de namoro. Eu fui pego de surpresa. Baixei a minha mão lentamente e dei uma bela golada na cerveja. Era um daqueles momentos sinceros do namoro, que as pessoas vão se descobrindo um pouco mais. E não era pelo fato de estar na segunda latinha de cerveja e sem muita coisa no estômago depois de uma manhã cansativa com troca de pneu e sexo inconseqüente que eu não sentia a necessidade de mentir. Era pelo simples fato que naquela manhã eu comecei a sentir que Nicole era a mulher ideal. Era linda, gostosa, fogosa, inteligente, amiga. Nicole era a minha parceira e eu queria aquilo se perpetuasse até o sol esfriar.

- Claro que me excita, Nic. Qualquer um que mija em pé sonha com um momento como esse. Mas eu tenho algo muito importante que é você. E Deus, eu sei que vou me arrepender do que vou dizer agora, mas o fato de você ser bissexual até me assusta um pouco. – Ela olhou para mim chocada.

- Assusta? – Então eu decidi finalmente declarar meu amor a Nicole. Estava ansioso para isso e aquele era o momento certo. Outra coisa me afligia. Por mais que nos déssemos bem, ela nunca tinha dito com todas as letras que me amava e a dúvida me assombrava paranoicamente.

- Sim. Fico imaginando se eu permitir que você fique com outra pessoa e você perceba que eu não passo de um homem normal como todos os outros e não possa corresponder o carinho, a compreensão e o entendimento que você busca quando fica com uma mulher. De você perceber que por trás dessa cara bonitinha e alguns comentários jocosos existe um homem medroso e carente. E só de pensar em um dia sem você é como pensar em passar uma eternidade no inferno. Então, Nic. Sim, eu adoraria fazer uma pequena orgia e satisfazer todas as minhas fantasias masculinas, mas abro mão disso tudo para não correr o risco de perdê-la. Eu tenho certeza que a amo e nunca desejei ficar tanto tempo ao lado de uma pessoa. – Ela virou o rosto para mim, com os olhos arregalados e jogou o carro no acostamento. Parou bruscamente a Millenium Falcon desprendeu-se do cinto e pulou no meu colo e me beijou freneticamente. De alguma forma aquela era uma maneira dela me dizer que adorou o fato de eu finalmente me abrir com ela. Ela mordeu a minha orelha e fiquei esperando ela sussurrar em uma voz carinhosa que também me amava:

- Eu ainda estou sem calcinha. – Não era exatamente o que eu esperava ouvir, mas de qualquer forma tivemos que atrasar a nossa viagem em mais meia-hora. Nicole guiava meus sentimentos por áreas que eu nunca tinha experimentado. Nicole despertava dentro de mim tudo o que tinha de melhor em termos de amor e me forçava a ser um homem mais honrado e honesto comigo mesmo. Nicole a ladra de cerveja criadora do nosso pacto pseudo-suicida. Nicole, a louca.

No próximo capítulo: Pacto Suicida

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Um comentário:

  1. Ai Vic, eu piro nos seus posts man. Muito foda mesmo! E tu tem todo um jeito peculiar de escrever. Parabéns!

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