terça-feira, 12 de maio de 2009

Ah, quanto tempo...

É claro que você não lembra de mim. O tempo passa e as lembranças vão morrendo. Nada é eterno exceto as flores de plástico. Mas eu não sou de plástico, sou de carne e osso e lembrar do que eu sentia por você faz doer os dois. Era bom. Era ruim. Era amor. O primeiro de tantos.

É claro que você não lembra do meu olhar abobalhado. Quase um psicopata a três carteiras de distância admirando os seus cabelos, os seus olhos e os seus gestos. O tempo passa e suas lembranças morreram. Mas eu não esqueci nem o cheiro da sua borrachinha perfumada em formato de estrela que você passava delicadamente na língua antes de apagar algo errado no caderno. Como se você estivesse errada. É claro que não, provavelmente foi uma escapulida da caneta ou a qualidade do papel que não era muito boa. Você era perfeita e não errava. Somente quando me ignorava. Isso não era bom. Não era ruim. Era amor. O primeiro de tantos.

É claro que você não lembrou quando trocou olhares comigo nesse bar, da primeira vez que eu falei com você. Eu perguntei se você tinha resolvido o problema de matemática e você nem respondeu. Cochichou alguma coisa com a sua amiguinha e as duas começaram a rir. O tempo passa e os problemas de matemática não são mais problema. Agora temos que ganhar dinheiro, vencer na vida e esquecemos que o amor pode ser bom, pode ser ruim, mas continua sendo amor. E você foi o primeiro de tantos.

É claro que você não lembra da vergonha que passei quando meus amigos me viram chorando no banheiro no dia que você beijou outro menino. Ele era legal, tinha um estojo cheio de botões e uma caneta de dez cores que os pais trouxeram do Paraguai. Ele contava as piadas e todo mundo amava ele. Até você. O tempo passa mas as vezes não mata lembranças tão dolorosas. Na época eu achei que o amor era ruim, mas o amor é bom. Você foi o primeiro de tantos.

É claro que você não lembra de mim, mas deveria lembrar. A vida me castigou muito, mas hoje eu me sinto feliz. Mas o que a vida fez com você foi sacanagem. Eu não faria isso com o meu maior inimigo. Nada é eterno exceto as flores de plástico, por falar nisso, você está precisando de uma plástica. As espinhas acabaram com o seu rosto e os sanduíches com o resto do seu corpo. O cigarro amarelou os seus dentes e a tinta matou o seu cabelo. Ah, quanto tempo desde que você era aquela menina mais linda do colégio. O tempo passa e as lembranças vão morrendo. Mas nem tanto. Eu vi que você me olhou quando eu fui ao banheiro e tinha algo naquele olhar. E por mais feia que você esteja, eu gostei desse olhar. Não sei se é bom, mas não é ruim. Talvez seja amor. E você foi o primeiro de tantos.

12 comentários:

  1. Vic,

    a vingança é um prato que se come frio?!?!...rs

    ResponderExcluir
  2. Se comerá a vingança não sei, mas se o personagem come a feia, isso eu confesso que fiquei curiosa pra saber.

    ResponderExcluir
  3. uaHUhauhauhAUHa
    se ela te olhar, CHUTA QUE É MACUMBA!!

    ResponderExcluir
  4. Muito Bom!!
    Juro que no inicio pensei q tu tivesse falando sério (ingênua!!)...hehee :D

    ResponderExcluir
  5. Tive que voltar prá comentar de novo... reli o texto e tem uma parte que tu pegou pesado prá cacete...rsrs

    "A vida me castigou muito, mas hoje eu me sinto feliz. Mas o que a vida fez com você foi sacanagem."

    Caraca, se eu fosse ela me escondia em baixo da mesa prá sempre...rsrs

    ResponderExcluir
  6. Muito bom , Vic.
    Só lembrei do texto do "pedido de casamento" que circula os perfis orkutianos de moças e moços solteiros.

    ResponderExcluir
  7. Adorei o texto.

    Veja, eu acabei de criar um blog, e como eu acompanho o seu blog faz eras, vou te por na minha lista de links, ok?

    Se quiser, passa lá e dá uma olhada. =]

    ResponderExcluir
  8. Você não lembra de mim. Não deveria. Nunca comentei no blog. Porém, leio-o há muito tempo. uns 4 anos, eu acho. E como eu tenho 19, dá pra perceber que o blog fez parte também do meu crescimento.

    Digo isso porque hoje comprei um livro do Bukowski, e só então percebi a sua influência, mesmo que velada. Sim, sei que você nunca quis isso. Que ser influenciada por você não é bom, e essas coisas. Mas é inevitável. E na verdade, acho que minha falta de curiosidade sobre a cocaína existe porque eu já sabia como era. A partir dos teus olhos, mas já sabia.

    Hoje escrevo. Porcarias, claro. Mas resolvi começar depois de passar noites lendo isso aqui. E acho que daí saiu a segurança de comentar...

    Comentar só pra dizer que são bons os textos. São muito fodas, na verdade. E que quero muito ler o seu livro.

    Enfim. =)

    ResponderExcluir
  9. Galera,

    É só um post, não fiquem esperando grandes desdobramentos filosóficos em cima disso.

    Juliana,

    Já devolvi o link.

    Mariana,

    não seja tímida e divida as suas palavras conosco.

    ResponderExcluir