segunda-feira, 29 de junho de 2009

Dick Chandler, Detetive Virtual. Caso 42: Fox

Eu estava no meu escritório jogando copas fora no meu chapéu quando a linda Fox apareceu rebolando o seu belo traseiro naquele vestido vermelho apertado. Ela estendeu um cigarro para eu acender e perguntou com seus lábios grossos pintados no mesmo tom da sua roupa:

- Você é Dick Chandler, o detetive virtual?

Observei seus lindos seios que pulavam para fora de seu decote como um maldito pop-up em um site pornô. Seus cabelos eram longos e loiros e nenhum expert em photoshop conseguira reproduzir aquele corpo. Nem mesmo com um Design Tablet.

- É o que está escrito na minha homepage, boneca. – respondi confiante.

- O mesmo Dick Chandler do famoso caso do compartilhamento de arquivos?

Ela fez o seu dever de casa. Nos idos de 1995, eu prendi alguns moleques que marcavam encontros através do IRC em bares sujos da cidade, e lá trocavam fitas K7 com músicas de bandas já esquecidas como Hanson, Metallica e Guns And Roses. Os primeiros piratas musicais foram presos por mim, Dick Chandler, o detetive virtual.

- Eu mesmo, boneca.

- E como você veio parar em um chiqueiro como esse? – ela perguntou intrigada.

- Armaram contra mim, doçura. Eu estava investigando uma rede de pedofilia quando acabei me envolvendo com uma mulher em um chat da UOL. Ela me disse que tinha 21 e eu acreditei.

- E ela era menor de idade?

- Antes fosse. Era um hacker de cinqüenta anos, gordo e barbudo. Ele descobriu uma falha de segurança e acabou violando meu backdoor. A coisa ficou feia e os blogs marrons noticiaram tudo. Eu acabei entrando no “ignore list” de muita gente. – respondi em um suspiro.

- Eu lamento.

- Tudo bem, boneca. Como você descobrirá, Dick é durão. – bati no peito para mostrar que eu não era homem de apertar ctrl+alt+del por qualquer travadinha. Então perguntei: - Qual é o problema?

- Eu quero que você encontre uma pessoa.

- Uma pessoa desaparecida? Já tentou o Google? O Orkut?

- Não exatamente desaparecida, Senhor Chandler.

- Me chame de Dick, fofura.

- Eu quero que você encontre o cara.

- Um cara?

- Não, um cara. O cara. – Ela sussurrou.
Seus lábios vermelhos eram mais bonitos, vibrantes e divertidos que uma animação em Flash. A seta do meu mouse começou a balançar. Arrisquei um nome:

- Larry Page?

- Não.

- Sergey Brin?

- Nope!

- Jobs?

- Ahhh....

- Gates? – minha última cartada. Tinha que ser Gates, há séculos eu queria pegar esse cara pelo desastre do Windows 2000.

- Não. – ela baforou um anel de fumaça através daqueles lábios rubros carnudos e confessou: - Eu quero encontrar Jimmy Wales.

- Quem?

- Você não sabe quem ele é? – ela estava surpresa com a minha ignorância.

- Não sei. Acho que eu queimei essa parte do meu HD com um pozinho malhado em um desses e-mails que relembravam os anos 80.

- Mas ele sabe quem você é. Ele sabe de tudo. Ele é o inventor do Wikipédia. Ele é O Cara.

- Ninguém é páreo para Dick Chandler, o detetive virtual, doçura. Me dê alguns minutos e acharei o homem.

Ela sentou a sua banda larga em cima da minha mesa enquanto eu batia nas teclas em busca de informação. Eu sabia muito bem o meu trabalho. Se o velho Jimbo se achava o cara, provavelmente ele teria um Twitter. Todos os imbecis tem um hoje em dia. Percorri os links empoeirados do Alta Vista e rapidamente uma coisa surgiu na tela:

- Bingo! – eu disse em voz alta.

A bela Fox deu um salto tão animado como um e-mail novo na caixa de entrada.

- Você o encontrou?

- Não! Somente um pop-up para um cassino online com jogos de bingo a um dólar cada.

- Ahh! – ela desanimou e pude ver as lágrimas começarem a nascer em seus grandes olhos marrons. Código #993300. Tenho certeza!

- Não desanime, boneca. – eu disse confiante.

Segui um profile fake no twitter que me levou a outro fake e depois mais outro. Estava ficando mais difícil que eu pensava. Aquele caso iria ser mais trabalhoso do que colocar um filme em dois VCD’s na época que eu não tinha um gravador de DVD.

Se o sujeito não tinha um Twitter provavelmente teria um blog. Todos os imbecis de antigamente tinham um blog. Acendi mais um Luke Strike e fiz o que milhares de pessoas fazem todos os dias. Entrei na blogosfera sem ninguém me notar.

Não demorou muito. Segui o rastro de um comentário imbecil em um blog obscuro. Cliquei em um permelink e logo caí em um Digg de uma matéria inútil com uma nota duvidosa. Depois disso não foi difícil encontrar o sujeito.

- Done! – eu disse em voz alta, mas dessa vez Fox se conteve.

- O que foi dessa vez? Seu Download terminou? – sua crença em mim estava acabando tão rápido quanto os vídeos engraçados da semana no You Tube perdem a relevância.

- Encontrei o blog do tal do Wales.

Ela se animou e inclinou seu corpo na direção do meu monitor.

- Eu sabia que ira te encontrar, seu canalha! – ela desabafou para o monitor.

- Não tão rápido, boneca. – eu disse segurando a sua mão.

O meu trabalho é de ver o que as pessoas não percebem. Passei o mouse sobre a data do último post, destacando-o.

- Como eu suspeitava. Desatualizado! – eu disse.

Fox caiu em meu colo tão rápido quanto uma conexão discada. Mais uma vez seus olhos marrons começaram a encher de lágrimas. Ela se refez e colocou mais um cigarro entre aqueles lábios. Peguei o meu isqueiro e ofereci prontamente:

- Fire, Fox?

Ela aceitou e eu voltei a trabalhar. Se eu quisesse resolver aquele caso, eu teria que ir mais baixo do que qualquer homem jamais foi. Teria que ir até o porão da internet. Até os becos mais sujos, onde os piores usuários se escondem e os arquivos maliciosos se proliferam. Eu teria que ir aos fóruns. Mesmo que isso comprometesse a segurança da minha rede.

- Não precisa se arriscar tanto, Dick. – ela disse assustada.

- Eu nuca paro depois que entro em um caso, Doçura! Como eu disse, Dick é durão!

Entrei em um fórum de nerds. Eles sabiam de tudo que ocorriam na rede. De tudo mesmo. De cabo a rabo. De Hardware a Software. Aquelas pessoas já nasciam com Gadgets colados em suas mãos.

Eu sentia que estava chegando perto. Coloquei um mp3 de suspense no Winamp para criar um clima. Ela ficou arrepiada ao sentir a potência do meu Subwoofer. Se tudo desse certo, aquela noite poderia ser romântica em Dual Channel com a bela Fox ao contrário das solitárias noites em 5.1 que eu estava acostumado.

Encontrei o Avatar de uma sirigaita que fazia qualquer coisa na Webcan do MSN por alguns trocados. Seu perfume era tão vulgar quanto aquelas vitrines virtuais do Mercado Livre.

- Estou procurando um sujeito chamado Walles. – eu disse em PVT.

- Isso vai te custar uma grana, bonitão.

Negociei com a sirigaita e fizemos toda a transação através do Pagseguro. Mas não tinha nada de garantido naquela troca.

- Ela vai sumir com o dinheiro. – Fox reclamou.

- Toda transação comercial na internet é na base da confiança, boneca. Fique calma.

Ficamos atualizando a caixa de e-mail de cinco em cinco segundos esperando a informação chegar. O clima estava tenso e nossos corpos estava suados. As coisas nunca acontecem quando você está olhando: Papai Noel não aparece na sua árvore, a água nunca ferve, o download nunca termina e o e-mail nunca chega. Foram os 50 segundos mais longos de nossas vidas, que convenhamos, falando de informática isso é quase uma eternidade.

A espera valeu a pena. Além de um dossiê completo de Jimmy Wales ainda recebi de quebra um e-mail explicativo de como aumentar o meu pênis. Não que eu precisasse tanto disso, mas uma ajudinha extra sempre é bem-vinda. Como a extensão de um software que você usa muito, entende?

A bela Fox ficou muito triste com tudo que leu. Copiou o arquivo em seu Pen Drive, jogou o dinheiro sobre a minha mesa e se despediu:

- Não tão rápido, boneca. Que tal tomarmos um drink e abrimos um chat para nós dois? – arrisquei.

Ela soltou um sorriso ferino, deu um beijo em minha bochecha e disse antes de sair:

- Eu não sou mulher de fazer sexo virtual no meu primeiro chat, senhor Chandler. – deu uma piscadinha e complementou – Talvez outro dia.

Saiu do meu escritório e entrou em seu Cross Fox e sumiu. Linda. Absoluta. De mais.E a música daquele gato maldito no teclado não saiu mais da minha cabeça.

11 comentários:

  1. Ah! A bela arte de rastrear pessoas, e interpretar suas vidas (muito provavel que apenas em parte corretamente) pela Net: sou adepta! rs

    Conheci teu blog a uns mês e pouco, e adorei os Arcos, já está na minha lista de rastreados online Sr. Vic. rs

    Beijos

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  2. Fire, fox?
    hahuahuuahuhuahuhauhua...

    Tempos não leio textos seus assim. Estou curioso pela continuação do arco...

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  3. - Fire, Fox?

    AHUEHUAHUEHUAHUEHAU, ia comentar a mesma coisa do Daniel UAHUEHUAHUEHA

    Muito bom o texto, Vic!

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  4. uhahuauhahuauauh
    pode crer... FIRE, FOX!?
    fala a verdade: o texto era só um pretexto para o trocadilho, né!?

    uhahuAHUahuA

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  5. Play him off, keyboard cat!

    entra a bateria eletrônica e depois o teclado... deu merda...

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  6. Cara, me senti mt nerd de entender todas as piadas e termos do texto, pqp... iuahuihaauhiua
    Fazia tempos que não lia algo tão bom...

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  7. Caramba muito bom!
    Arrebentou Vic, voltarei mais vezes, beijosss

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  8. tche- nao sei se eu gostei -nao vou ser hipocrita- blogs talentosos sao raros-ganhou um seguidor

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  9. GENIAL! ri alto no 5.1.
    parabéns vic

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