quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Lust for life


- Ei, chega mais perto. Posso falar com você em particular?

Meus amigos diriam que era a tarde errada para aquilo. Mas existe tarde certa? Os mais experientes diriam que não existe hora para isso. Os mais católicos diriam que isso nunca é certo. Os menos experientes nem pensariam nisso. 

Mais como vocês sabem, eu sou eu. Não existe certo ou errado. Apenas, o que eu quero fazer. 
O farmacêutico me olhou com cara desconfiada. Talvez pensando que eu fosse viado. Na imaginação machista dele, as coisas acontecem desse jeito. Alguém entra numa farmácia morrendo de coceira no rabo, oferecendo a rodela para qualquer um. 

Sei lá, não sou viado. Talvez seja sim. De qualquer forma, ele perguntou com toda a mal vontade:

- O que é? Se for Viagra eu não vendo sem prescrição... 

- Não amigo... – eu disse - não é isso...

- Ih... lá vem...

Sua cara era de poucos amigos. Menos do que a torcida do Botafogo, ou seja, quase ninguém. Eu olhei para um lado e para o outro e perguntei:

- Eu quero comprar um perfume. 

- Hum... qual?

- Não é um qualquer... é um com cheiro específico.

A cara de “esse viado vai ter que me dar” mudou para “o que esse viadinho quer”. Nada muito amistoso, eu concordo. Mas já era um avanço.

- Você ta procurando”tesão de vaca”?

Eu, com toda a sabedoria que o Didi Mocó me ensinou ao longo da minha vida, perguntei:

- Cuma?

- Você sabe.. tesão de vaca... aquele perfume com feromônios masculinos as mulheres ficam locas e querem transar com você quase que instantaneamente!

Arregalei os olhos:

- Não... não foi isso que eu vim procurar. Mas se você tem isso para vender, eu compro agora.

- Não.. não temos.

- Porra, então por que você ofereceu?

- Só par ver a sua cara de desesperado!

Eu abri um sorriso amarelo. Ele dava gargalhadas do outro lado do balcão. Eu cocei a cabeça e tentei ignorar nosso último dialogo.

- Veja bem, eu estou procurando um perfume, que é doce mais não é doce de mais, porém gruda na pele e no nariz como um cri-cri nos seus pentelhos.

Ele abriu os braços e sua alegria era uma só:

- Por que você não disse antes? Você ta procurando o famoso “perfume de puta”!

- Exatamente!

O homem saiu do balcão e mexeu nas prateleiras. Quando voltou, sua mão estava cheias de frascos. Jogou todos na minha frente:

- Bem, vamos lá. Esse daqui é o mais caro. Cheiro de puta de luxo.

- Eu passo. Nunca senti isso de perto. Prefiro que a primeira vez seja in natura.

- Certo  – ele respondeu – vamos passar para o seguinte. Esse é o genérico. É mais barato, mais o cheiro não fica tanto tempo no corpo.

- Esse seria perfeito se eu tivesse namorando. Mas não é o caso. Eu quero aquele brabeira mesmo.

- Aquele que fica uma inhaca por cinco dias te lembrando a puta feia que você comeu por que estava bêbado? – ele perguntou.

- Esse mesmo. Como você sabe tanto?

Ele esticou o braço até o meu nariz. Estava lá. Era inegável.

- Vila Mimosa. Dois dias atrás. 

- É esse mesmo.

- Três pratas, chefe. Paga no caixa.

Aviso aos solitários. Melhor custo benefício não existe. 

Para quer gastar com o sexo pago? Toda a inconveniência. A borracha, os erros de português, os gemidos falsos e o papo idiota no travesseiro de “to saindo dessa vida”? Você pode simplesmente substituir pelo auto-amor, depois joga o perfuminho no braço. 

O efeito é o mesmo. Acredite.

Essa longa introdução foi para explicar porque eu estava cheirando igual a uma puta barata naquela festinha, até que animada, porém com mais Iggy Pop do que deveria. 

Eu havia gastando uns meses vadiando com uma mulher magra de mais que super valorizava o sexo oral, bebendo vinho de qualidade questionável e gastando toda a minha teoria sobre a vida, o universo e todas as porcarias.

Quando consegui me separar daquele zumbi, decidi entrar em uma verve mais “Legião Urbana” e ir para essas festas de rock para “me libertar”. Agora você veja, logo eu que sempre disse que essa letra era apenas uma desculpa para dar a bunda.

Nunca usei o tal tesão de vaca, mas o meu odor de piranha de três reais, por algum acaso fez efeito nessa morena. Ok, concordo que eu estava jogando sujo. 

Hoje, sou quase um matusalém do rock and roll carioca quando entro nessas festinhas escuras. E, convenhamos, apesar de gordo, esses garotos com os cabelos estrategicamente descabelados  para o lado ou os meninos de cabelo ruim e grande - como uma espécie de repolho geneticamente modificado - não tem muita chance no papo, vamos dizer, mais cabeça.

Por favor, entenda como “mais cabeça” falar de vampiros antes da época Crepúsculo. Como por exemplo, o papo que eu tive com essa morena de bunda larga e com lente de contato verde para tentar distrair a atenção do que realmente importa. Eu bebendo uma gin tônica e pouco me lixando com o que ela estava enfrentando aquela noite:

- Fala a verdade. Seu nome não pode ser Bella.

- Estou falando sério, garoto. – ela dá um tapinha de leve no meu peito – Isabella, mas todo mundo me chama de Bella. Não é o máximo?  Só falta eu encontrar o meu vampiro...

Eu dei um gole na gin tônica. Fala sério, tapinha no peito, essa menina estava no papo.

- Bem, eu não me chamo Eduardo, mas sou quase um vampiro.

- Jura que você é um vampiro?

A maneira que os adolescentes acreditam em qualquer merda que você fala é quase patética. 

- Claro que não é no sentido literal, Bella. Mas entenda bem, eu passo a noite em claro, quando estou com pouco dinheiro bebo coisas tão bizarras que um ser humano normal não bebe, tipo gin. Não entro em igrejas e seu eu visse um lobisomem com certeza cairia na porrada com ele. – Dei um gole no meu gin – Tirando a parte que eu adoro um macarrão alho e óleo, eu poderia ser um vampiro. 

- Há, ta certo, Vic. Mas diz aí, você viu Crepúsculo?

Eu cocei o nariz. Aquele era um momento fatal. Mentir e conseguir sexo com uma menina quase com a metade da minha idade ou falar a verdade e manter os princípios? O grande dilema.

Foda-se. Eu sou um homem de princípios.

- Claro que não. Eu não apoio a pedofilia. 

Bella deu um passo para traz e depois dois para frente. Ela devia ter um rol de respostas na sua cabeça e eu com certeza dei a única que não estava na lista.
- O que? – ela perguntou atordoada. 

- Você sabe bem, Bella. Quando a sua xará conhece o vampiro emo, ela só tem dezessete anos e ele tem quantos? Cento e cinquenta? Duzentos anos?  Se isso não é pedofilia...

- Mas eu tenho dezenove e você tem trinta e veio me cantar...

Como um hipnotizador de galinhas, peguei ela pela nuca e respondi:

-  Gata, se passou dos dezoito anos, saiu da minha área de proteção para entrar na zona da curtição.

Daquele beijo, veio mais um, mais outro, o coração batendo forte, uma mão ali, outra mão acolá, deixei me envolver com o momento e quando menos percebi, a empolgação nos levou até a minha casa. 

O juiz do Mortal Kombat já gritava no meu ouvido: FINISH HER!

E quando eu iniciava os movimentos do Fatality, foi quando eu percebi o meu erro.

Fui à farmácia e não comprei o mais importante. 

Puta que pariu. Eu não acredito. 

Depois de tanta lenga lenga.

Eu queria me matar. 

De tudo, a única coisa que eu não podia deixar de comprar, eu não comprei. 

É claro que não dá para seguir em frente sem isso...

Como eu fui esquecer o KY? Sem KY não dá. A não ser que você seja o Marlon Brando e tenha muita manteiga na sua casa.

Bem, ficamos no básico. 

O básico durou a noite inteira.

Essa é a juventude, compensando a sua inexperiência com uma garra e uma vontade inesgotável. Eu deitado na cama e aquela mulher querendo mais e mais. 

Aquilo não era tesão. Era a ira dos Deuses.

Ela montava contra o meu corpo e pulava como se o mundo fosse acabar. Eu, acuado nos travesseiros, tentando me manter ali. Uma situação quase constrangedora. A virilidade de Bella era agressiva e eu deixava a garota se divertir.

Então o momento chegou. Eu sabia que ele iria vir. Era uma questão de tempo. A sede que parecia implacável, saciou. 

Ela, caiu de lado. As pernas tremendo, a respiração ofegante e o coração explodindo.
Ok. Era a minha vez. 

Parti para cima com tudo. Com o corpo inclinado para o lado, fui procurando o ritmo. A batida perfeita. A afinação do instrumento. Os ouvidos atentos. Esperando. Escutei o gritinho verdadeiro. Mantive a pegada com toda a energia que eu economizei.

Toquei aquela música até o fim.

As unhas delas rasgavam as minhas costas, seus gemidos ecoaram pelos quarteirões e o lençol da cama...

Bem... coitado do lençol.

Todos os músculos da menina tremiam. Ela não tinha forças para levantar o braço. Muito menos para tirar o sorrisinho do rosto. 

- O que é isso? – ela perguntou desnorteada.

- Isso se chama múltiplos orgasmos, baby. – eu respondi.

O cinturão era meu. A história se repetia. Muhammad Ali VS George Foreman. A luta terminou antes do Amanhecer. E eu só tinha uma coisa na cabeça.

Crepúsculo é o caralho.

6 comentários:

  1. Bem vindo de volta!!! mas queremos a parte 13 daquela historia maravilhosa!!!

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  2. Issoooo!!!!!
    Exatamente parte 13 que ta faltando!

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  3. vic... finalmente!!!! porém como todo mundo disse ainda precisamos da parte 13!!! não aguento mais esperar...

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  4. affs, nao gostei, mooh merdaa isso, nao perco meu tempo, leiam, sid e nancy de chico buarque e muito melhor mil vezez, bjinhos,

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