quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O vazio que nos preenche


Viciado Carioca - Ano I – Arco 3 – Parte 13

A história até agora: Depois de uma noite de anfetaminas e sexo descontrolado, Vic e Nic seguem para seu apartamento para a noite mais longa de todas. Se você está seguindo essa história desde o começo eu só tenho que agradecer a dedicação, a fidelidade e sobretudo a fé que eu vou continuar postando até o final.
E acredite. Eu vou continuar até o fim. 

Sugestão de Música: The Doors - The End
Chegamos à casa da Ruiva e o dia iniciava a sua luta com a noite. Estávamos sozinhos. A mãe de Nicole mais uma vez viajava com o namorado no fim de semana e só deveria voltar na segunda. Poderíamos dormir tranquilamente sem ser incomodados.

Pelo menos, esse era o meu plano.

Fiz um pequeno lanche na cozinha enquanto Nicole preparava o quarto. Ofereci a ela um dos meus maravilhosos queijos quentes temperados com orégano e alecrim, mas ela disse que não sentia fome. Com certeza efeito das bolinhas. A Ruiva é uma das maiores adeptas a larica pós balada que eu conheci. Acabei tendo que degustar o meu sanduíche com um refrigerante sem gás sozinho.

Quando terminei, fui para o quarto e desabei na cama. Eu estava totalmente esgotado. Nicole deitou ao meu lado e começou a acariciar a minha cabeça. Sua voz era tão macia quanto o de uma criança quando ela disse:

- É estranho. Sinto-me cansada, mas não tenho sono.

- O sono vai chegar logo, Nic. Só se acalme e procure não pensar muito.

Nem sei como respondi. Estava morto. Ficamos na festa o tempo todo em pé e logo depois veio à olimpíada sexual. Com certeza eu não acordaria antes das quatro horas da tarde. Não precisei de muito tempo. Em menos de dois minutos eu estava roncando.

Eu estava na minha casa. Tudo era silencioso e sem cor. As paredes, o sofá, as flores no vazo. Eu estava em um filme mudo e preto em branco.  

Guilherme sorriu, parado no corredor. Olhei para ele e levantei a mão para cumprimentá-lo, mas ele deu as costas e sumiu para dentro do apartamento. 

Eu o segui.

Ele parou na porta do meu quarto. Com sua voz tenra, ela cantou:

- Venha, Vic! Venha para a caixa!

A situação era linda. Hipnótica.

Eu entrei no quarto e ele fechou a porta. Virei para tentar encontrá-lo, mas ele não estava mais lá. Eu queria gritar seu nome, mas não fiz. Simplesmente deitei na cama, fechei os olhos e percebi que seria uma idiotice chama-lo. Por que ele estava ali comigo. Não ao meu lado, mas comigo.

Ele não estava sozinho. Deus estava conosco e todo os anjos e santos.

Ainda deitado na cama, abri os olhos e vi meu pai vestindo um terno preto. Meu irmão mais velho estava ao seu lado, segurando a sua mão. Meu pai chorava e gritava:

- Por que isso foi acontecer? Não é justo! Eu deveria ir primeiro.

- Está tudo bem. Está tudo bem. – meu irmão tentava acalma-lo.

Era exatamente o que eu sentia. Apesar de morto, tudo estava bem.

Tudo era belo e bonito. Não deveria existir sofrimento. Eu iria dizer isso ao meu pai. Então, levantei-me e toquei a sua mão para conforta-lo. Minha mão o atravessou e eu não toquei a sua carne e sim a sua alma. Ela estava tão escura, tão fria e tão seca quanto nenhuma dor que eu conhecia conseguiria causar.

Eu queria gritar, mas foi nesse momento que a Ruiva me chamou.

Nicole me acordou apenas trinta minutos após a minha cochilada. Minha boca estava amarga e uma azia de cerveja misturada com maconha transformava o meu estômago em gelatina. Ela estava sentada na cama e seus olhos continuavam tão arregalados quanto na primeira hora que ela tomara os remédios. Ela disse afobada, com uma voz vacilante:

- Não consigo dormir.

- Pega o pior livro da casa e leia uma ou duas páginas. Tenho certeza que você vai sonhar antes de terminar um capítulo.

Depois de responder eu me virei de lado, ajeitando o travesseiro. Mal acabei de me acomodar e estava dormindo novamente, mas ela me balançou outra vez.Vire-me e ela mostrou uma edição tão antiga de Pollyanna que os ácaros naquelas páginas deveriam ser tombados como patrimônio histórico.

- Eu tentei isso. Mas esse livro é muito depressivo. Essa garota é muito feliz! Ninguém pode ser tão contente assim.

Eu achava que seu mau humor matutino era por acordar, mas parecia que mesmo depois de uma noite em claro ela era naturalmente depressiva no início do dia. Eu nem conseguia raciocinar direito. Eu tentava abrir os olhos, mas as palbrebas queimavam o meu rosto:

- Escolhe outro livro, Ruiva.

- Eu acho que nunca mais vou conseguir dormir, Vic.

A ruiva estava assustada e suas veias continuavam saltadas. Suspirou e por fim disse:

 – Eu acho que vou morrer.

Esforcei-me para levantar e sentei na cama. Olhei para Nicole e o seu brilho tinha desaparecido. Sua cara estava abatida, seus cabelos alaranjados estavam desarrumados e ganhavam uma tonalidade acinzentada em algumas partes. Ela apoiou a cabeça em meus ombros e começou a chorar copiosamente.

- Fique calma. Você não vai morrer, Nic.

Sinceramente, nem eu acreditava em minhas palavras. Como tinham passado algumas horas desde que ela tomou os comprimidos e nada mais aconteceu além da sua velocidade exacerbada e seu apetite insaciável por sexo, pensei que a maior parte do efeito tinha passado. Porém, sua imagem fragilizada me abismava. Nicole era um reflexo distorcido daquela pessoa que apenas algumas horas antes era um vulcão sexual. Foi como se tivesse encontrado cara a cara com a morte que roubou um pouco de sua alma.

- Não me deixe sozinha! Por favor! – ela suplicou.

Eu fiquei pensando se estivesse ciente após o encontro com o fantasma de seu pai, eu não teria a mesma reação. Deus, eu só fui recobrar a consciência no dia seguinte e estava me cagando de medo. Nicole era sensitiva, ela limpava a aura e falava sobre o destino através das cartas de tarô. Será que ela também tinha tido uma experiência metafísica?

- Você está tendo alucinações? Viu algum espírito ou algo do tipo?

Minha voz soava fraca. Eu estava muito cansado. Mesmo preocupado, seria difícil fazer companhia a Ruiva.

- Não. Isso também está me assustando. Nem sua aura eu consigo mais enxergar. Quando forço para lembrar como era na festa, eu simplesmente não lembro. Não consigo recordar se eu enxergava ou não o espectro das pessoas na noite passada.

Ela voltou a chorar e enfiou a cara novamente no meu ombro:

 – Eu já li isso em um livro, Vic. Quando um médium vai desencarnar, ele perde a sua sensibilidade momentos antes de sua morte. Eu vou morrer. EU VOU MORRER, VIC!.

- Para com isso, Ruiva. Eu já disse, você não vai morrer. Só está muito acesa para dormir. Fica clama.

Cada lágrima que caia no seu rosto era um rasgo no meu coração. Eu senti uma pontada na cabeça e paulatinamente a dor foi aumentando, como se uma serra elétrica tivesse sido ligada na velocidade máxima no meu cérebro. Era o sono. Eu precisava dormir.

- Não me deixe sozinha. Por favor, Vic!

Mais do que qualquer coisa, eu precisava muito de algumas boas horas de sono. Mas eu não poderia. Eu tinha que ficar ao lado de Nicole. Segurei seu rosto desesperado entre as palmas da minha mão e falei em um tom calmo, quase sedutor:

- Tudo bem. Você só precisa se distrair. Por que não vai me fazer um café enquanto eu procuro uma aspirina para curar a minha ressaca, ok? Eu não vou dormir até você conseguir. Eu prometo.

Ela concordou comigo. Me abraçou, me beijou e então levantou.

Eu esfreguei o rosto. Minha cabeça doía como eu nunca tinha sentido antes. Maldita ressaca. Mesmo com todo café do mundo, eu não iria conseguir ficar acordado. Eu poderia ter despertado naquele momento, mas depois que Nicole se acalmasse, provavelmente eu iria cair no sono outra vez.

Era difícil de admitir, mas só existia uma coisa a se fazer.

Catei a minha calça jeans em um canto do quarto e não foi difícil encontrar a cartela dentro do meu bolso.

A última bala que restara.  O ecstasy que eu precisava. A pílula que Nicole poupou, pensando que estava sendo prudente. Na cabeça dela, era para tomar as quatro de uma vez, e tomou “apenas” três para experimentar a droga.

Saí do quarto e cheguei a cozinha com o comprimido na mão. Ela estava fazendo o café e deu um sorriso ao perceber a minha presença. Peguei um copo d’agua e mostrei a ela o remédio. Nicole se desesperou:

- O que você vai fazer? Você não está pensando em tomar isso!

- É a única maneira de me manter acordado.

- Você está maluco? É isso que está me matando e você pretende engolir esse veneno?

- Não acredito que isso esteja te matando, Nic. Não vou deixá-la sozinha nesse seu estado tão depressivo. De qualquer forma, esse comprimido vai me manter acordado.  .

- Isso é suicídio, Vic.

- Se for, seremos um Romeu e Julieta modernos. – Coloquei o comprimido na boca, levantei o copo em reverência - Senhorita Capuleto, ao pacto! –

Engoli a bolinha.

Imediatamente caí no chão da cozinha com a mão apertando o meu peito e estrebuchando de dor.

– Estou morrendo! – eu gritava.

Nicole me chutou:

- Não tem graça, seu babaca.

Levantei-me com um sorriso idiota nos lábios.

- Eu só queria cortar um pouco a tensão.

Segui para o quarto de Nicole novamente. Ainda não sentia nada de diferente. Não podia me deitar. Talvez um pouco de música pudesse cortar o clima pesado. Comecei a pegar os vinis para colocar alguma alegria no ambiente. Eram seis horas da manhã e eu teria um dia inteiro pela frente. Um pouco de música não faria mal.

Minha mente começou a martelar que aquela era uma bela hora para matar uma dúvida. Deixei os discos da Nicole de lado e fui até a sala. Comecei a revirar os discos. Era uma grande coleção apesar do gosto questionável. A quantidade de LP’s de novela e os promocionais de rádio eram ridiculamente constrangedores.

Não demorou muito e os encontrei. Contei no mínimo uns cinco do Gonzaguinha.

- Por que você está mexendo nessas velharias?

Nicole entrou na sala com duas xícaras altas de café. O cheiro era maravilhoso, apesar de eu não estar tão interessado na bebida. Ela se aproximou e notei que a droga já fazia efeito na minha mente.

Quando ela arriou a xícara na minha direção, entendi perfeitamente o que ela quis dizer com as gotas do chuveiro. Eu conseguia ver cada “frame” do movimento. Era como se um estrobo tivesse ligado na sala e congelasse os movimentos a cada segundo.

- Eu queria ouvir algo diferente. Algo com otimismo e acho que Gonzaguinha vem bem a calhar.

Ela olhou indiferente enquanto eu tentava escolher o disco certo. Não tive dúvidas quando vi o homem barbudo, com aquele semblante de malandro, sentado no quintal de alguma casa na capa de “Caminhos do Coração”. Escrito a caneta estava a assinatura de Guilherme e o ano 1982.

- Era o cantor predileto do meu pai. Ele escutava isso o tempo todo. Eu nunca te contei isso? – ela disse tomando uma golada no café, claramente se controlando.

- Acho que não. Isso te deprime? – eu disse sem perceber como era idiota aquela idéia. Mas ela evidenciou isso enfaticamente:

- Se me deprime? Vic, se Pollyana me deprime, o que você acha que vai acontecer ouvindo as canções favoritas do meu pai suicida? Você é um imbecil.

Ela voltou a chorar. Larguei os discos de lado e fui abraçar a Ruiva. Eu realmente não tinha pensado na sua reação. Eu queria saber se o encontro com o fantasma fora verdade. O contato com aquela visão. Entender mais um pouco sobre a psicologia de Guilherme e talvez compreender perfeitamente a sua mensagem para mim.

- Desculpa, Nic. Mil desculpas, eu não pensei direito. Eu só achei que precisávamos de um pouco de alegria e as músicas do Gonzaguinha são tão otimistas.
Minhas palavras se atropelavam. Meu sono tinha sumido de vez e eu não me sentia tão cansado como no momento que chegara.

Na verdade, me sentia cheio de energia.

- Gonzaguinha é tão otimista que o seu maior fã colocou uma pistola na boca e explodiu a sua cabeça dentro daquele banheiro. Para merda com Gonzaguinha!

Nicole correu até os discos e começou a pular em cima deles.

– Eu odeio isso. Odeio essa vida. Eu odeio tudo.

Dava para escutar o barulho dos discos quebrando enquanto a Ruiva gritava a sua ira. Eu me sentia mais culpado do que nunca. Mais uma de minhas idéias imbecis. Eu devia lembrar que a última vez que ela me falou do pai estava em prantos. Mesmo assim, só para satisfazer a minha curiosidade, eu abri uma cicatriz que nunca fora curada por completo.

A saudade paterna iria sangrar na alma da Ruiva por toda a sua vida. Eu andei lentamente ao seu encontro e tentei abraça-la.

- Desculpa, Nic. Vamos esquecer isso.

Ela desvencilhou dos meus braços e começou a socar o meu peito.

- Você não entende. Nunca perdeu alguém que não teve tempo o suficiente para amar de verdade.

Ela me empurrou para longe e caiu ajoelhada no chão. Apertava os discos com força e contra o peito. Voltou a falar:

– No início você só chora e as pessoas dizem que o tempo vai te consolar, mas quando ele passa, você não sente mais dor, saudades ou sofrimento. A única coisa que você tem é um vazio enorme que você não consegue preencher. Você nunca consegue superar isso e nunca consegue chorar de verdade quando quer se aliviar. Só existe o nada. O vazio. – ela amassava as capas dos discos e quebrava os poucos pedaços que ainda restavam. – Você me pede para esquecer isso, Vic? Eu nunca vou esquecer isso!

Meus olhos estavam cheios de lágrimas, mas nenhuma gota escorria pelo o meu rosto. Eu me segurava para não chorar. Não poderia me dar esse luxo. Eu tinha que ser forte para reerguer a Ruiva. Abracei forte e dessa vez ela não fugiu. Apenas aceitou aquele abrigo carinhoso e ficamos ali por algum tempo. Depois levantou-se e eu a acampanhei. Ela olhou para mim de maneira séria e disse:

- Por que você fez isso? Por que pegou nesses discos agora?

Eu tinha a resposta na ponta da língua, mas não poderia dizer-la. Não poderia contar a ela sobre a minha alucinação. Sobretudo naquele momento, depois de todo o desabafo e com nós dois sob o efeito das anfetaminas.

- Eu não pensei direito. Desculpa.

Seu corpo tremeu. Ela fechou os braços tentando segurar o máximo. Mas no fim, sua fúria explodiu e ela desferiu um sonoro tapa no meu rosto.

- Seu merda. Olha o que você me fez fazer! Eu quebrei todos os discos do meu pai. Os discos prediletos dele e isso porque você “não pensou direito”.

Eu não reagi e isso a motivou a me bater mais. Deu outro tapa e começou a me chutar.

- Eu te odeio! Eu te odeio! Eu te odeio!

Nicole gritava enquanto continuava me batendo. Eu tentava segura-la, mas ela escapava, me arranhando e me socando. Meu corpo estava em chamas e adrenalina corria como uma manada descontrolada.

- Para Nicole, porra!

Meu grito não adiantou. Ela bateu mais duas vezes em meu rosto com a mão fechada e uma gota de sangue caiu do meu nariz em cima do meu peito desnudo. Então, eu armei um soco para dar na cara de Nicole.

Pura reação de defesa. Minhas pupilas dilatadas, o sangue pingando, o corpo fervendo e a minha cara de raiva.

Foi o seu rosto assustado que me deteve antes que eu cometesse a maior besteira da minha vida. Ela ficou me olhando e eu baixei a mão não acreditando no que eu estava prestes a fazer.

- Você ia me bater seu merda? Quer dizer que você iria me bater??

Ela gritava e eu não encontrava uma maneira de justificar aquilo.

- Eu não pensei, eu só reagi.

- Você nunca pensa, seu escroto. Você é burro de mais!

Ela voltou a me bicar. Pegou um cinzeiro na mesa da sala e jogou na direção da minha cabeça.

Eu desviei no último momento e o cinzeiro se espatifou contra a parede, fazendo um pequeno buraco e quebrando-se em vários pedacinhos. Comecei a acreditar que aquele seria o momento da minha morte. Eu seria assassinado pela única mulher que amei verdadeiramente.

A Ruiva estava furiosa e todas as veias do seu corpo estavam sobressaltadas. Era uma cena até patética de se ver. Ela com um pijaminha de pano rosado. Infantil. Eu apenas de cueca e aquela briga infernal.

Limpei o sangue do meu nariz e ela partiu para cima de mim, apontando o seu dedo na minha cara:

- Saí daqui. Eu quero você fora dessa casa e fora da minha vida.

Seus olhos estavam injetados de sangue e seu rosto totalmente vermelho. Ela me bateu mais uma vez e naquele nosso melhor momento, o interfone do apartamento tocou.

- Ah, que merda! – ela gritou e correu para a cozinha.

Meu nariz ainda sangrava e fui até o banheiro. Peguei um papel higiênico. De lá de dentro, podia ouvir os gritos da Ruiva no interfone

– Aquela velha está reclamando do barulho? Manda ela enfiar o barulho dentro daquela bunda caída!

Meu Deus, onde fomos chegar?

Eu voltei para a sala e coloquei a minha cabeça para o alto, rezando para que o sangramento parasse.

- Se ela quiser chamar a polícia, que chame!

Nicole gritou e escutei ela batendo o interfone violentamente.

Eu não acreditava que aquilo estava acontecendo.

Ela voltou para a sala furiosa e olhou desdenhosamente para mim. Eu não disse nada, apenas a observava como um garoto assustado. Ela colocou a mão na cintura e determinou:

- Eu vou tomar um banho e quando eu acabar espero que você tenha ido embora.

Saiu da sala e bateu forte a porta do banheiro.

Era o fim.

A grande paixão da minha vida terminava da maneira mais truculenta e brutal que eu jamais poderia imaginar.

Eu temia o fim o tempo todo. Mas achei que aconteceria de maneira tranqüila. Ela finalmente iria confessar que não me amava e voltar para o Luther. Arrumar uma garota
ou até, muito provavelmente com um idiota do tipo o Pedro dos Garotos Radioativos.

Se você não ama ninguém, mas não quer ficar sozinho, a melhor opção é escolher alguém com personalidade mais fraca possível, para não ter tantos problemas. E Pedro, o vocalista da pior banda de rock and roll era a melhor opção.

Finalmente concluí o óbvio.

O que Guilherme me alertara o tempo todo e eu com meu medo infantil não enxerguei. A morte que ele anunciara, não era uma morte física. Não era a morte de fato e sim o fim do meu relacionamento com Nicole.

A primeira gota salgada brotou preguiçosa em um dos meus olhos. Como se não acreditasse na verdade incontestável, ela desceu lentamente pelo o meu rosto e morreu inerte no meu lábio. A segunda veio naturalmente e antes de tocar meu queixo, já era seguida pela terceira. A quarta e quinta gota se transformaram rapidamente em uma cachoeira que nascia dos meus olhos.

Me vesti e fui embora.

Estava tudo acabado entre eu e Nicole.  

No próximo capítulo: O Domingo não é o mesmo desde que você se foi...

3 comentários:

  1. C A R A L H O!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Como sempre o Vic é foda!
    Adoro essa história!!!!!!
    que saudade que eu tavaaaaaa!!!!!hehe
    bjs vicc...
    amooooo

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  2. I'll never look into your eyes...again

    Incrivelmente foda.

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  3. nossa cara.. ate fiquei triste depois de ler isso

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