terça-feira, 16 de novembro de 2010

Em algum lugar de Zion durante Matrix Reloaded

Agenor fumava um cigarro no cantinho da caverna enquanto observava Zac carregando algumas caixas de tambores para a festa de mais tarde. Entre uma baforada e outra, ele soltou:

- Eu não acredito que vai ser mesmo uma Rave.

- Por que não? – perguntou Zac colocando algumas caixas no chão - É a onda do momento, e disseram que até o Escolhido vai aparecer.

- Meu problema não é a festa. É o estilo musical. Música eletrônica. Não é um contra senso? Estamos lutando contra as máquinas e vamos escutar música eletrônica!

Agenor deu mais uma baforada no cigarro. Zac abriu uma das caixas e ficou batucando de leve no tambor.

- Qual seria a sua sugestão, Age?

- Por que não o bom é o velho Rock and Roll? Cara, desde que eu saí da Matrix que não escuto uns bons acordes. Meu Deus, nunca achei que ia sentir tanta falta do meu Ipod...

- Não era um Ipod de verdade e sim um programa que simulava...

- Eu sei, eu sei... mesmo nada sendo real, eu sinto muita falta de certas coisas do outro mundo. 


- Tipo?

- Um bom vinho, sushi, filmes em geral, mas principalmente os pornôs.   Droga, Zac ! Desde que o mundo é mundo existe pornografia! Somente nessa maldita Zion que não tem um puterinho, internet, uma revistinha de mulher pelada. Nem uma revistinha em quadrinho erótica!

- Você arrependeu-se de ter tomada a pílula vermelha, Age?

- Se eu me arrependi? Eu não entendi porra nenhuma quando me procuraram! Quando vi, eu estava nessa caverna amaldiçoada!

Zac arrastou a caixa para mais perto. Agenor levantou-se.

- Como foi que aconteceu então, Age?

- Minha noiva terminou comigo. Relacionamento sério, uns quatro anos de namoro. Ela disse que estávamos vivendo um conto de fadas e que nosso namoro não era real.

- Mal sabia ela....

- Pois é. Não era real mesmo.De qualquer forma, eu fiquei bem abalado. Saía todas as noites, enchia a cara, pegava umas mulherzinhas, essas coisas.

-  Você queria farrear!

- Exatamente, Zac. Foi quando Morpheus apareceu. Eu cheio de cachaça na mente, aquele puta negão forte com uma roupinha meio esquisita e uma branquela do lado. Começou um papo estranho de escolhido e coisa e tal. Pensei que ele era um desses malucos que gostam de ver a esposa transando com outro cara, saca?

- Nossa! E aí?

- Daí ele me ofereceu a pílula e eu achei que era uma anfetamina e nem pensei duas vezes. Grande erro. Vim parar aqui e eu não tenho nada haver com esse mundo real, Zac.

- Nada haver?

- Olha em volta, Zac! Dentro da Matrix nós tínhamos tudo. Tínhamos conforto,  Tevê a cabo, Jack Daniel´s, Jim Morrison! Aqui a gente mora dentro de cavernas, com um número bem limitado de mulher. Porra, o próprio Morpheu que é um dos manda-chuvas não tem mulher, como eu vou arrumar alguém? Você tem que ser realmente o Escolhido para conseguir uma gatinha.

-  Você disse que o Morpheus achava que você era o Escolhido.

- Pois é. Maior micão. Morpheu se enganou por conta do meu nome. Todo mundo por aqui tem um nome bacana. Neo, Cypher, Trinity. Até você mesmo! Zac. Um puta nome maneiro. O meu. Agenor. Ele achou que isso era um sinal.

- Você foi escolhido pelo seu nome.

- O pior nem é isso, Zac. O pior foi visitar a Oráculo.

- Você conheceu a Oráculo?

- Infelizmente. Puta velha maconheira neo age desgraçada. Logo que cheguei foi me dando esporro “Não vai quebrar essa merda de vaso porque só o escolhido de verdade é que tem esse direito”. Tentei não tocar em nada. Ela colocou a mão no meu rosto, olhou no fundo dos meus olhos e disse: “você gosta de transar?” . Mesmo com medo daquela velha querer me carcar, respondi que sim.

- E ela?

- Ela começou a rir. Eu perguntei o que era e ela respondeu que não iria me dizer “porque certas pessoas não estão preparadas para a verdade”.  Só não enfiei um dos garfos tortos que as crianças estavam brincando na bunda dela porque Morpheus me proibiu.

- Que fase, heim?

- Pois é, Zac. Quando saímos do apartamento da bruxa pedi para me deixar na Matrix e ele disse que não dava, tinha um monte de rolo burocrático e ele não ia assinar a papelada porque tinha perdido muito tempo comigo.

- Putz.

- No final eles carregaram um monte de programas de controle de estoque no meu cérebro e me jogaram aqui no almoxarifado de Zion.

- Sinto muito, Age.

- E no final, a velha coronga estava certa. Estou na seca há seis anos. Seis anos sem sexo. Sabe como eu me sinto?

- Como?

- Eu me sinto uma máquina. Seis anos sem sexo. Ainda dizem que estamos salvando a humanidade. Para isso, deveríamos estar nos reproduzindo igual coelhos. Porém aqui estou eu. Seis anos sem sexo. Que motivação que eu tenho de lutar contra as maquinas se eu também sou uma?

- Que isso, Agenor. Anima-se de repente você conhece alguém legal na Rave.

- Não tem jeito, a minha última esperança é o Arquiteto.

- Quem?

- O Arquiteto. O cara de fala enrolada que construiu essa porra toda. Ele vai dizer para o Neo entrar na fonte da Matrix e dar um ctrl+alt+del na coisa toda. Daí ele terá que escolher 23 indivíduos - 16 mulheres e 7 homens - a fim de reconstruir Zion.

- Reconstruir Zion?

- Sim! Sete homens para dezesseis mulheres! Todo mundo vai ter duas namoradas e dois sortudos vão ter três.  Nem posso esperar esse dia chegar!

- E como você pretende ser um dos escolhidos?

- Da maneira mais antiga e eficiente de conseguir o sucesso no mundo coorporativo.

- Trabalhando?

- Sendo baba ovo. O saco do chefe é o corrimão do sucesso! Afinal, são duas mulheres para cada homem!!!! Ainda chamam isso aqui de mundo real!



3 comentários:

  1. Porra, o texto é do caralho! Só achei que no final deu uma caidinha...deve ser culpa da expectativa...hehe

    Abraço

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  2. perdao pela cobrança ms agiliza ae vic! estou ansioso pela continuaçao da historia!

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  3. adorei seu conto! parabens!

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