quarta-feira, 14 de abril de 2010

Lançamento do livro Viciado Carioca - Amor & Rock and Roll




Chegou a hora. O Evento ocorre dia 11/05 - 19:00 na livraria Saraiva do Botafogo Praia Shopping.

Isso não é um simples convite, é uma convocação. Todos sabem como eu penei para publicar um livro e agora que estou em uma boa editora e lançando o livro em uma livraria top de linha, necessito da presença de todos para fazer desse evento um sucesso.


Vá, leve os amigos, os parentes, as namoradas o cachorro, o papagaio e aquela tia velha que está encalhada.

Para os fieis leitores que não moram no Rio,  Podem clicar nos liinks abaixo  e aproveitar o desconto de lançamento comprando através das livrarias:





Com um estilo ágil, Viciado Carioca – Amor & Rock and Roll é uma história repleta de referências pop e com altas doses de humor.

Voltada para o público jovem adulto, conta a saga do anti-herói, Viciado Carioca, um garoto que depois de experimentar um cigarro de maconha, vê o seu mundo mudado de forma irreversível. “É uma história de amor. Do primeiro amor que é o mais bonito de todos” – explica o autor. Ele afirma que as drogas entram como pano de fundo para mostrar o dia-a-dia tão comum de vários jovens brasileiros. “Eu não queria escrever um novo Cristiane F... ou mesmo fazer apologia as drogas. Só queria contar essa história de amor retratando como os entorpecentes fazem parte do cotidiano da nossa juventude assim como os filmes, a música e todo o resto” – complementa.

Quando a história foi publicada na internet, o sucesso foi imediato. As pessoas não se importam com o tamanho do texto ou se ele vai demorar um ano para ser publicado. Elas se importam em ler algo de qualidade.

Viciado Carioca – Amor & Rock and Roll é a prova disso.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Porto Alegre, Gramado, Canela, Bento Gonçalves

Estou marcando uma viagem para Porto Alegre, Gramado, Canela, Bento Gonçalves e proximidades.

Estou precisando de dicas sobre hotelaria boa e barata, bares rock and roll, cerveja artesanal, vinho de qualidade, lugares e pessoas para conhecer. Por favor, enviem e-mail para: viciadocarioca@gmail.com

A diretoria agradece.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A Dama de Ouro

Viciado Carioca - Ano I – Arco 3 – Parte 12

A História até agora: Durante a festa de aniversário de Dez, o traficante mais simpático da galera, Nicole toma uma super dosagem de Anfetaminas. Se você não lembra das partes anteriores, refresque a sua memória no menu ao lado.

Promoção: Compre agora na Saraiva Viciado Carioca – Amor & Rock and Roll – o livro que reúne os Arcos I e II dessa incrível saga!

Sugestão de Música: Deep Purple - Speed King

- Você tomou três comprimidos de uma só vez? – eu sabia a resposta mas não queria acreditar.

- Tomei, porra! Qual é o problema? Era para tomar os quatro?

Nicole estava diferente. As veias do seu rosto estavam pulsando freneticamente e seus olhos estavam tão arregalados que faziam um peixe morto parecer um japonês. Ela não parava de se mexer enquanto falava e era como o seu mau humor matinal tivesse sido multiplicado por mil e somado com uma TPM.

- Era para tomar apenas um, Nicole!

Eu disse colocando os meus dedos em seus olhos, tentando estudar suas pupilas. Como seu eu soubesse alguma coisa sobre pupilas e tudo mais. O que poderia acontecer? Aquela mulher ter uma taquicardia e cair dura no chão? Será que o sofrimento e morte que o fantasma tinha me alertado era sobre a Ruiva?

- Porra, porque você não me avisou, Vic?

Ela trincou os dentes. Depois olhou para trás, olhou para mim e olhou para trás novamente. Parecia um brinquedinho a corda: muita energia e pouca direção. Lucas e Marcelo aproveitaram a deixa e saíram de mansinho. Ninguém gosta de presenciar briga de namorados caretas. Coloque três anfetaminas e o resultado é uma bomba relógio sentimental pronta para explodir ressentimentos e desaforos para todos os lados.

- Sei lá, Nicole. Pensei que fosse óbvio. Achei que você fosse me esperar para tomarmos juntos.

Ela atochou seu dedo indicador tão fundo no meu peito que pensei que iria perfurar o meu coração. Se continuássemos seguindo com essa linha, em breve ela estaria me batendo:

- Óbvio, Vic? Eu pedi a minha droga e você me entregou a cartela inteira, o que você queria que eu pensasse? –

- Eu não pedi para você pensar nada, eu achei que você fosse esperar! – fiz uma pausa e a peguei pela mão - Isso não importa agora. Vamos, eu tenho que te levar a um hospital.

Ela puxou o braço, escapando de mim. Balançou umas duas vezes a cabeça para traz e gritou:

- Hospital? Para que? Eu estou bem! – Deu mas umas três balançadas com a cabeça e completou: - Na verdade, eu estou ótima.

Realmente ela estava ótima para ter um infarto na minha frente.

- Nic, você tomou uma dose equivalente para três pessoas, isso vai dar merda! Quanto mais cedo você for medicada será melhor para a sua saúde!
Claro que minhas palavras fora ao vento. Ela estava ligadona e a anfetamina tinha despertado o seu monstro interior. Ela me deu dois tapinhas no rosto:

- Você é um fraco, Vic. Você é um covarde. Sempre foi. Eu estou ótima.

Eu ainda estava tentando raciocinar o que fazer. Pensei em agarrá-la pelas pernas. Iria a força para o hospital. Com certeza ela iria fazer um escândalo. Quando ainda tentava decidir o que fazer, Nicole tomou a decisão por todos nós.

- Vamos descer que eu vou tirar aquele merdinha do som agora mesmo. –

Aquela nova Nicole era bem estranha. Durona e cheia de disposição. Não tinha nada que eu pudesse fazer para convencê-la que a coisa mais correta seria procurar um médico. Decidi pelo menos não piorar a situação. Arranquei a pílula da mão dela e guardei :

- Me dá esse último comprimido!

Ela começou a rir em deboche:

- Não vai tomar a sua? E o pacto, Mcfly? Vai desistir?

- Foda-se o pacto! A sua saúde é mais importante para mim. Acho que devemos sair daqui e ir a um hospital.

Ela começou a dançar e balançar as suas mãos para o alto:

- Nós deveríamos mudar o seu apelido para “Covardão Carioca”. Eu nunca estive melhor em toda a minha vida e não vai ser o seu medo que vai estragar isso. Eu vou dançar e me divertir.

Ela partiu para a escada. Sem ter o que fazer, segui a Ruiva me martirizando por ter aceitado aquele trato idiota. Se algo acontecesse com Nicole, eu nunca iria me perdoar. Eu iria vigiá-la enquanto tentava bolar uma maneira de levá-la ao hospital.

Descemos e a pista estava lotada. O Place Stealer tinha comandado muito bem as pick up’s desde que tomou o lugar do Marcelo. A mulherada tinha invadido a sala e os homens, é claro, acompanharam o movimento. A Ruiva iria causar uma revolução se tentasse tirar o sujeito dali. E era exatamente o que ela planejava fazer. No momento ele tocava “O amor é uma gota” dos Garotos Radioativos e eu comecei a apoiar a idéia de interromper aquilo. Uma das piores músicas que eu já ouvi em toda a minha vida da pior banda de rock and roll do planeta.

Ela mal colocou os pés naquela sala, agarrou o braço do Marcelo e o puxou com toda a força em direção ao som. Ele me olhava assustado e eu demonstrava que também não fazia idéia do que ela iria fazer. Lucas vendo a movimentação nos seguiu um pouco mais atrás.

- Não me decepcione e coloque as músicas mais agitadas que você puder.

Depois de instruir Marcelo, Nicole virou-se para o Place Stealer que a fitava. Ela agarrou o sujeito pela camisa e o puxou deixando os seus rostos afastados por pouco centímetros. Então, cuspiu na cara do sujeito e disse:

– Game Over, Place Stealer!

Ela o empurrou com toda a sua força, jogando-o no chão. Antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, disse antes de empurrá-lo para longe o jogando no chão. Eu parei de braços cruzados atrás da Ruiva e ladeado por Marcelo e Lucas. O homem não seria louco de tentar fazer algo.

Levantou-se e caminhou lentamente para fora da pista, sumindo no meio da multidão.

Marcelo voltou para as pick-up’s explodindo um AC/DC para uma pista em delírio. Soltou um sorriso e disse ao meu ouvido:

- Você arrumou uma namorada que é mais macho do que você!

- Acho que ela é mais macho do que todos nós juntos.

Marcelo continuou com a levada forte com Slayer, Megadeth, Napalm e outras maluquices. Nicole dominava a pista balançando sensualmente seu corpo enquanto entornava latinhas goela abaixo como eu nunca tinha visto. Quando eu cheguei a muito custo na minha terceira, ela já tinha derrubado oito. Ela roubava a cerveja dos marmanjos que babavam com o rebolado da ruiva.

- Isso vai dar merda, Lucas. Eu tenho certeza disso!

- Enquanto ela se mantiver pulado, está tudo certo. Quanto mais ela suar, mais ela vai colocar a droga para fora, Vic –

No fundo, nem eu e nem ele sabíamos se aquilo tinha algum embasamento científico.

Marcelo também ajudava a manter a Ruiva pulando. Seu repertório não baixou o tom em nenhum momento e quando alguns eram derrotados pelo cansaço, outros chegavam com uma disposição renovada para balançar a cabeleireira com a nata do Rock and Roll.

A Ruiva iniciou algumas rodas de polgo que eu me esforçava para desfazê-las tão depressa que nasciam. Mesmo tendo que levar um soco ou dois, eu tinha que fazer aquilo. Não é uma das coisas mais inteligentes do mundo deixar a sua namorada sob efeito de anfetaminas “brincar de brigar” com outras pessoas.

Foi durante “Born to raise hell” do Motorhead que a situação tomou outro rumo. Nicole começou a rebolar na minha frente, agarrou a minha cabeça e começou a chupar os meus lábios. Ela deslizava sua mão sobre o meu corpo e escorregou a sua língua até a minha orelha e disse:

- Estou tão excitada que eu poderia transar com você aqui na frente de todo mundo.

Não sabia se ela estava brincando ou falando sério.

- Não sei se seria uma boa idéia, Nic.

Ela respondeu com uma risadinha maléfica:

- Então, vamos ter que encontrar outro lugar.

Agarrou a minha mão e foi me puxando através da sala. Não fiquei me perguntando se era moralmente correto transar com uma alucinada. Afinal, não seria a primeira vez. Apenas me foquei no fato que seria uma maneira bem eficiente de fazer a Ruiva suar mais um pouco.

Ela passou pelo corredor, testando as portas. A do banheiro estava trancada assim como a do quarto do Dez, o que era triste. Seria uma ótima oportunidade de realizar a minha fantasia de transar em cima de uma mesa de pinball.

A última porta estava destrancada. Ela invadiu aquela suíte escura me puxando para dentro e trancando rapidamente o aposento. A única iluminação vinha do banheiro o que me fez concluir imediatamente que aquele era o quarto dos pais do Dez.

- Uma suíte, que sorte! – ela disse quando notou o banheiro. – Me dê um minutinho e eu já volto para acabar com você!

Seu excesso de empolgação me assustava e eu estava ansioso e amedrontado com o que viria em seguida. Ela entrou no banheiro e bateu a porta. Eu acendi a luz para me familiarizar com o quarto. Foi quando eu descobri que não estávamos sozinhos ali.

Tomei um susto assim que vi aquele corpo deitado na cama. Logo, fui tomado por um riso bobo que se transformou em uma gargalhada. Luther estava desmaiado, quase em estado vegetativo. Aproximei-me rindo e ele estava dormindo profundamente. Um ronco leve, mas a boca aberta deixando soltar uma baba que escorria pelo queixo e criava uma poça na bonita colcha da cama dos pais do Dez. Minha bomba de calmantes dera certo. Dei um tapa em seu rosto e ele não esboçou nenhuma reação.

- Não me parece tão poderoso agora, Luther boy.

eu me divertia com o meu inimigo indefeso. Provavelmente eu teria feito algumas maldades mais pesadas se o barulho no banheiro não me lembrasse que eu tinha que arrumar um jeito de me livrar dele.

Puxei Luther pelos braços e ele desabou da cama para o chão. Mesmo com a pancada forte, ele não reagiu. Comecei a puxá-lo pelo chão do quarto. Era uma tarefa difícil. Seu corpo pesado fazia uma marca no tapete marrom escuro e provavelmente queimava um pouco a pele nas partes desprotegidas pela roupa.

- Isso não é nada perto do que os militares fizeram com o seu braço. – eu me desculpei com o moribundo que continuava dormindo.

Escutei o barulho da descarga no banheiro e sabia que não teria tempo o suficiente para arrastá-lo para fora do quarto. Se eu não podia fazê-lo sair dali, teria que esconde-lo.

Agarrei rapidamente os pés de Luther e comecei a arrastá-lo para de baixo da cama. O que mais eu poderia fazer? Joguei suas pernas e depois empurrei o resto do seu corpo que sumiram na escuridão.

- Fique quietinho aí e tenha bons sonhos.

Joguei-me para cima da cama enquanto Nicole saía do banheiro.

- Nossa! Como está claro isso aqui! – ela reclamou.
Acendi o abajur que estava ao meu lado enquanto ela desligava a luz principal. Na penumbra, aquele quarto de móveis de madeira escura e pesada ficava com um aspecto macabro.

Nas situações clássicas de traição, o amante se esconde dentro do armário ou em baixo da cama. Eu era o único homem do mundo que estava feliz de transar com a minha namorada sabendo que o seu ex-namorado estava tão próximo.

Ela começou a despir e sentou em cima de mim:

- Venha Vic.

O abajur emitia uma luz fraca e reluzia em sua pele branca fazendo todo o quarto brilhar. Atrás dela, um enorme crucifixo de madeira estava pendurado na parede. Ao invés de inibir o clima romântico, aquilo glorificava o momento dando uma divindade maior a Nicole. Ela não era um anjo e sim uma deusa louca do amor. Ela arrancou a minha roupa e pulava com força sobre mim.

- Nunca te desejei tanto, Vic!

Sua respiração ofegante fazia o meu coração disparar. Será que me amava? Não importava naquele momento. Eu passava a mão em seus seios e ia descendo pela barriga até chegar à altura de suas tatuagens de estrelas. Eram quatro que saiam a poucos centímetros do umbigo e sumiam em direção as costas. Ela ria descontroladamente. Seus cabelos alaranjados voavam e caiam em uma dança sensual e erótica. Fiquei a admirando por muito tempo. Ela estava alucinada e eu estava apaixonado.

- Você é linda. – eu disse em êxtase. – Eu te amo com toda a força do universo.

Eu glorificava a minha deusa da luxúria. Ela ouvia as minhas palavras e pulava com mais entusiasmo sobre o meu corpo. No clímax de toda aquela energia eu agarrei fortemente suas estrelas finalizando aquele momento deslumbrante.

Virei o meu rosto para o lado tentando recuperar o fôlego. Ela inclinou o seu rosto contra o meu peito e ouviu o meu coração descompassado. Nem mesmo a escuridão daquele quarto escondia os pêlos arrepiados da minha pele quente e suada.

- Eu ainda não terminei com você, Vic.

Ela desceu a sua língua pela a minha barriga. Ela não iria me dar descanso e me manteria alerta. Eu sentia os seus lábios subindo e descendo rapidamente e comecei a balbuciar:

- Louca, louca, louca, louca.

Ela continuava trabalhando com a sua boca e eu passava a mão sobre aqueles cabelos ruivos.

Fechei os olhos e deixei ser levado apenas pela aquela sensação. Eu sentia a minha pulsação em sua língua macia.

Perdido na enxurrada de sentimentos escutei um barulho mais forte. Abri os olhos e vi o braço de Luther saindo debaixo da cama. Nicole nem percebeu e continuava aumentando a velocidade. Vigiei por algum momento para ver se ele tinha acordado, mas o braço ficou inerte. Ele apenas se mexeu dormindo, eu pensei. Peguei a cabeça da Ruiva e coloquei para o lado oposto da cama. Ela ficou de costas e eu desci para o chão.

- Mete com força!

- As your wish.

Eu respondi dando um chute violento no braço de Luther que chegou a estalar quando bateu em seu corpo. Então penetrei em Nicole de maneira intensa. Ela gritava elétrica e inclinava o seu corpo. Puxei os seus cabelos e continuamos naquele balanço nervoso. Eu observava o seu corpo branco indo para frente e para traz e a sensação de poder dentro de mim aumentava.

- Mais forte! – ela gritava.

Peguei impetuosamente o seu corpo e a coloquei de pé na minha frente e a joguei contra a parede. Ela se aparou com o braço e bateu com a coxa contra o criado-mudo, derrubando o abajur. Continuei insanamente tentando satisfazê-la e ela continuava gritando para eu acelerar. Apertava os seus seios e suas nádegas e nada diminuía a sua vontade. Estava sedenta por prazer.

Mantive a intensidade enquanto consegui, mas em algum momento minhas pernas começaram a fraquejar. Ela notou, se virou e me jogou no chão. Não me deixaria sucumbir Meu corpo despencou. Mais uma vez montou em mim e cavalgou cegamente. Agora era a minha pele que queimava friccionada no carpete. Eu não me importava. Nicole segurava os meus braços e mordia os meus lábios.

- Não para! Não para! – ela gritava enquanto me dava tapas na cara.

A nova Nicole gostava de ficar no comando. Aquela dominação feroz a excitava e a fazia revirar os olhos. Colou suas unhas no meu peito e arrancou com força a minha pele. Uma pequena gota de sangue deslizou pelo meu corpo e morreu no meu umbigo quando chegamos juntos ao orgasmo.

Finalmente saciada, a Ruiva riu descontrolada, deferiu outro tapa em meu rosto e disse absoluta:

- Você está liberado.

Levantou-se e desfaleceu sobre a cama. Eu tentei levantar, mas não tinha forças. Como uma vampira, Nicole sugou toda a minha energia. Inclinei meu corpo em direção da cama e lá estava ela deitada me admirando enquanto Luther dormia profundamente naquele chão duro. Então, comecei a rir. Minhas costas e minha bunda ardiam pelo atrito com o carpete. Meu peito queimava pelos arranhões da ruiva. Minhas pernas estavam bambas e mesmo assim eu ria como um idiota.

Arrastei-me até a cama, passando pelo abajur caído e o porta-retrato que mostrava os pais do Dez em alguma cachoeira perdida pelo Brasil. Consegui ficar de pé e ainda admirava aquela foto. Será que eles tinham noção que os loucos estavam fazendo na festa de aniversário do seu filho traficante? Será que minha mãe tinha noção o que eu estava fazendo na festa do meu amigo traficante?

- Eu preciso de um banho. – disse num suspiro.

Ela apenas fez sinal com as mãos e eu segui para o banheiro. A água fria caía sobre o meu corpo diminuindo um pouco a dor das queimaduras no carpete e aumentando a ardência no peito. Não me importava com aquilo. Valia a pena. Tudo por Nicole valia a pena.

Decidi mudar a temperatura do chuveiro. Um banho quente para reanimar e recuperar as forças. Deixava a água bater no meu pescoço. Aquilo era bem relaxante.

Nicole veio ao meu encontro e surgiu dentro do box em uma nuvem de vapor. Ela pegou a esponja e começou a esfregar forte as minhas costas. Ela nem notava as queimaduras, apenas passava aquela esponja para cima e para baixo como se estivesse polindo o seu velho Santana.

- Pega leve aí, Ruiva.

Virei e notei que ela ainda estava ligadona. Por isso que usava uma força desproporcional. Mesmo depois de pular na pista e atravessar uma maratona sexual, Nicole continuava acelerada. Eu estava planejando ir embora para descansarmos, mas com ela ainda sob o efeito das anfetaminas, a noite prometia ser longa. Comecei a ensaboá-la enquanto ela admirava os pingos de água caindo do chuveiro:

- É engraçado. E os vejo em câmera lenta. Consigo perceber cada uma das gotas que caem antes de atingir o chão. É lindo!

A mesma mulher que acabara de gritar “mete com força” para o seu namorado agora via poema na água do seu banho. Tínhamos trocado de papeis. Se antes ela era a mulher dominadora, sobrepujando o seu amante com mordidas e arranhões, agora ela parecia uma criança que se divertia com o chuveiro enquanto o pai a lavava. Sua coxa estava roxa, provavelmente quando batera no abajur. Nicole era muito branca e qualquer pancada formava um hematoma. Seus joelhos estavam quase em carne viva, queimados pelo carpete.

- Não está doendo? – eu perguntei quando passei levemente a esponja para não machuca-la.

Ela olhou admirada para o joelho e apenas fez um bico demonstrando que acabara de descobrir o ferimento. Terminei de ensaboá-la e ela se enxaguou. Comecei a finalizar ao meu banho, quando ela ajoelhou-se e começou a beijar a minha coxa e foi subindo.

Eu não acreditava que ela já queria fazer aquilo novamente.

Ela tentava refilmar Nove Semanas e Meia de Amor em apenas meia hora de selvageria. Tentei afasta-la, mas não com muita disposição. Ela se segurou firme em mim. Então, apenas deixei continuar. A água quente batendo nas minhas costas e Nicole ali. Eu não conseguiria imaginar algo mais relaxante. Continuamos por um tempo e mesmo cansado, a sensação era maravilhosa.

Nicole levantou-se, passou suas pernas pelo meu corpo e me abraçou com um beijo desesperado. Ela sabia muito bem subir as marchas e acelerar quando queria. Apoiei as suas costas contra a parede e levantava o seu corpo enquanto beijava seus seios e sua barriga. Ela se agarrava nos meus ombros e puxava os meus cabelos exigindo que eu fosse mais rápido.

- Mais forte, Vic! Mais forte, porra!

Ela gritava e mais uma vez as minhas pernas falhavam. Juntei o pouco das forças que me restavam e carreguei-a para fora do boxe, jogando-a em cima da pesada pia de mármore. Com o movimento, perfumes, saboneteira e o vasinho onde ficavam as escovas de dente voaram pelo banheiro. Ela ficou sentada e me prendeu com suas pernas, me jogando para frente e para trás. Eu arranhava as suas costas o que a deixava mais louca.

– Mais forte, porra! Você é homem ou não é?

Ela urrava para me enfurecer e eu extravagava a minha catarse em seu corpo. O cheiro misturado dos perfumes quebrados subia e empestava o banheiro, mas aquilo não nos fazia diminuir o ritmo nem um pouco.

Eu apertava as suas coxas e ela me balançava mais forte, quando notei que chegaria ao êxtase, suspendi mais uma vez o seu corpo, fazendo ela dançar no ar, joguei contra a parede oposta. Ela comemrou:

- Isso! Isso! Isso!

Puxou o meu pescoço e o mordeu forte e finalmente foi afrouxando as mandíbulas e deslizando pela parede até que seus pés alcançassem o chão.

Então, mirou fundo nos meus olhos e começou a rir. Eu olhei o banheiro e vi o sangue vermelho sobre o piso branco. Meu pé foi cortado por um caco de vidro do frasco de perfume. Não tinha vontade de rir. Sabe como é, não é muito prudente você destruir o banheiro dos pais do seu amigo traficante, por mais camarada que ele seja.

- O Dez vai ficar muito puto quando ver isso aqui.

- Quem se importa? Você é um animal, Vic.

Não era possível, mas a Ruiva continuava acesa. Tínhamos que limpar aquilo e rezar para O Dez nunca descobrir o que acontecera. Principalmente a escova de dente que caiu estrategicamente dentro da privada.

Pelo menos não quebramos o blindex do box. Peguei uma toalha de rosto e apertei contrao o meu pé cortado para o sangue estancar.

- Já que a merda foi feita, por que não piora-la?

Não tinha jeito, o Dez iria nos matar. Esse seria o fim trágico de Vic. Assassinado pelo cara mais simpático da galera por conta de um acesso sexual de loucura da sua namorada doidona por anfetaminas.

Muito chique. Coisa de capa de jornal.

Voltamos para o quarto e a Ruiva começou a se vestir. Ela cantarolava alguma música não se importando com a confusão que criamos. Eu já planejava a minha estratégia. Enrolaria tudo naquela toalha com sangue e jogaria pela janela. Não era um plano muito bom, mas me pareceu funcional momentaneamente.

Comecei a me vestir. Procurei a minha meia e vi que ela foi parar quase embaixo da cama e foi isso que disparou mais uma das minhas idéias malucas. Eu não precisava limpar nada, apenas precisava de um culpado e sabia muito bem onde achar um.

- Vamos para casa, Nic?

Ela concordou com a cabeça sorrindo. Depois de múltiplos orgasmos uma mulher concorda com qualquer coisa.

– O Dez não pode ver o que fizemos no banheiro dos pais dele. Então, vamos fazer o seguinte. Você vai na frente, acha o Lucas e a Wendy e me esperem lá embaixo. Eu vou logo assim que terminar aqui.

Ela ficou me fitando tentando descobrir o que passava na minha mente. Eu não dava nenhuma pista, apenas alertei-a antes de sair:

- Não deixe ninguém ver você saindo desse quarto. Ela abriu a porta lentamente, viu que estava tranqüilo e fugiu. Eu corri até a porta e a tranquei novamente.

Sentei na beira da cama e acendi um cigarro. Eu já estava praticamente vestido, faltando apenas calçar a meia e o tênis do pé cortado. Terminei calmamente o cigarro, estava dando tempo para Nicole desaparecer com Lucas e Wendy.

Segui até o banheiro. Revirei o armário e não foi difícil encontrar um curativo. Voltei para o quarto e fui buscar o meu amigo embaixo da cama. Agarrei as suas pernas e o arrastei até o banheiro. Se antes havia sido difícil, depois da maratona sexual aquilo foi um sacrifício. A pior parte foi achar o ângulo para fazê-lo entrar no banheiro. Mas no final, lá estava Luther, o culpado da noite. Quando acordasse ou quando alguém o encontrasse concluiria o óbvio. O cara estava doidão e destruiu tudo. Peguei um caco de vidro e fiz um pequeno corte em seu braço. Coloquei a toalha do lado e antes de sair, dei uma última olhada para aquela cena de crime montada.

Foi daí que eu vi aquele negócio branco em seu cabelo. Pensei de imediato que era xampu ou espuma. Mas tinha mais consistência. Só quando eu me aproximei que eu descobri que porra era aquela.

Era a minha porra.

Devia ter caído no chão e grudou em Luther quando eu o puxei. Ela grudou em seu cabelo e escorria para o canto da face. Finalmente eu comecei a rir. É uma pena ainda não terem inventado celulares com máquinas fotográficas naquela época.

- Da próxima vez, vê se bebe com moderação. – eu disse antes de partir.

Abri lentamente a porta e o corredor estava vazio. Esguiei agilmente para fora. Apesar de mancando por conta do pé cortado, passei rapidamente pela sala, alcançando a porta do apartamento e finalmente o lado de fora. O elevador estava no térreo. Eu não poderia esperar ali, alguém poderia aparecer e seria um saco explicar porque eu estava com o cabelo molhado e indo embora sozinho. Desci um andar pelas escadas e esperei o elevador por lá.

Pronto, estava salvo.

Encontrei o pessoal na frente da Milenium Falcom. Estavam encostados conversando. Eram umas quatro horas da manhã e a festa continuava a toda no topo do prédio.

Lucas foi o primeiro a quebrar o silêncio.

- Qual é desse mistério todo?

- Não tem mistério nenhum. Aconteceu exatamente o que Nicole falou. – eu respondi. – Cadê as chaves? – eu pedi para a Ruiva.

- Mas ela não disse nada!
Ele reclamou. Ela também reclamou:

- Quem disse que você vai dirigir?

- As anfetaminas disseram que eu vou dirigir.

Peguei as chaves de suas mãos. Ela seguiu contrariada para o carona. Eu abri as portas e entramos no carro.

– Se ela não disse nada, então não aconteceu nada. Vamos embora.

Aquilo foi o suficiente para o Lucas concluir que eu provavelmente tinha brigado com a Ruiva ou tinha feito uma merda tão grande que não poderia contar no momento.

De qualquer maneira, ele desistiu do assunto. Apensas conferiu como eu estava:

- Você está bem para dirigir?

Eu empurrei a fita do Bob Dylan para dentro do som, liguei o carro e parti.

- Eu não fumei maconha na festa e nem tomei anfetaminas, acho que sou o sujeito certo para o trabalho. –

Seguimos para casa calados ao som de Lay, Lady, Lay. Eu estava cansado e só queria dormir.

Porém, para mim a noite estava só começando. A maior e pior noite de todas.

No próximo capítulo: sangue, choro e ranger de dentes.